Sérgio Moratti A noite em São Paulo tinha aquele tom de grafite úmido, mas dentro daquelas quatro paredes, o espectro de cores era outro. O apartamento da Tessa, que antes eu via como um exílio para o meu filho, tinha se tornado o meu único porto seguro.Depois do incidente no restaurante, o trajeto de volta foi carregado de uma eletricidade que eu não conseguia, e não queria, dissipar. Mas, ao abrirmos a porta, o caos corporativo e as ameaças que fiz ao Marcus Viana foram substituídos pelo som de risadas que eu raramente ouvia com tanta pureza na mansão Moratti.Aurora estava sentada no tapete, com o cabelo loiro perfeitamente alinhado agora levemente bagunçado, enquanto Sebastian, o homem que geralmente negociava fusões bilionárias com um olhar de gelo, estava de quatro no chão, fingindo ser uma cratera lunar para o Oliver pular.— Ele é um gênio, Sérgio! — Aurora exclamou, levantando assim que nos viu. Ela correu até mim e me deu um abraço apertado, algo que não fazíamos há anos.
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