Tessa Martins O perfume de Stella Moratti era como uma assinatura de poder e melancolia. Era um aroma de gardênias frescas que, no passado, me trazia um conforto estranho, mas que agora parecia o cheiro de uma emboscada elegante. Eu a observei em silêncio por alguns segundos, sentindo o contraste entre a minha armadura moderna, o terno cinza, os monitores de última geração, a autoridade conquistada, e a presença atemporal dela. Stella não era como Dante, que esmagava com a força, ou como Alexandre, que corrompia com a mentira. Ela era a linha invisível que mantinha aquela família unida, a mulher que via as rachaduras antes mesmo delas aparecerem. — Stella — minha voz saiu mais firme do que eu esperava. — O sistema de segurança deste prédio custou milhões para garantir que visitas não anunciadas fossem impossíveis. Como você entrou aqui? Ela deu um sorriso triste, cruzando as pernas com uma elegância que os anos só fizeram refinar. — Você mesma disse uma vez, Tessa, que todo sist
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