Sérgio Moratti
Eu não conseguia me mover. Meus pés pareciam soldados ao chão daquele quarto de hospital, como se qualquer deslocamento meu pudesse fazer a imagem à minha frente desaparecer. Oliver. O nome que eu tinha ouvido há pouco na recepção agora tinha rosto, tinha voz e tinha o meu sangue.
Eu o observava comer um lanche leve, alheio à tempestade que ele tinha acabado de causar na minha alma. Cada vez que ele levava a mão à boca, cada vez que ele franzia o cenho para o suco, eu via a min