ANGELINE HARRINGTONEle me puxou para um abraço com uma suavidade que doía. Seus braços me envolviam como se eu fosse feita de vidro — ou de algo precioso demais para ser solto. O calor do seu corpo contra o meu despertou sensações que eu jurava ter enterrado. Me mantive rígida, os punhos fechados sobre as pernas, a respiração presa.— Enquanto eu intensificava a caçada aos aliados Chernov, perdi aliados importantes em emboscadas, meu amor.A expressão "meu amor" saiu natural, como um vício antigo. Doeu.— Eu… eu soube — respondi, baixando a cabeça, os olhos fixos nas minhas próprias mãos trêmulas. — Sinto muito por suas perdas, Nikolai.Ele sorriu — um sorriso triste, cansado, que não alcançava seus olhos cinza. Sabia, assim como eu, que minhas palavras não eram fruto do acaso. Eu sempre perguntava sobre ele a Dimitri. Era involuntário, quase um instinto de sobrevivência do coração. E cada relato me afligia mais do que eu gostaria de admitir.— Mas apesar de tudo, Angeline, fiquei fe
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