ANGELINE HARRINGTON Angeline adormeceu primeiro — o que é raro. A gravidez a exaure de um modo que nada mais consegue, e agora ela respira profundamente, seu rosto relaxado contra meu peito, sua barriga redonda pressionada contra meu flanco.Eu, porém, não consigo dormir.Passo a mão sobre sua barriga em movimentos circulares, sentindo os gêmeos se moverem — um chute ali, uma cotovelada ali, pequenas manifestações de vida que me fascinam de um modo que eu jamais imaginei ser possível. Um sorriso suave, quase imperceptível, curva meus lábios enquanto um dos bebês parece se esticar, empurrando contra minha palma.“Papai está aqui”, penso, e isso me aquece de dentro para fora.Por um momento, sou apenas Nikolai. O homem. O pai. O marido. A fera adormecida.Mas então meus olhos se perdem no teto, e minha mente escorrega para uma realidade mais fria, mais sombria, mais eu. O sorriso desaparece, substituído por uma linha dura e implacável.“As fotos”.Ainda não descobri quem as enviou. O e
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