ROSÁLIA DUARTEDOIS ANOS DEPOIS Eu estava sentada na poltrona da biblioteca, com uma xícara de chá fumegante ao lado, segurando um envelope de papel simples com selos internacionais. A carta tinha chegado ontem, mas só agora, com o silêncio da manhã de domingo, tive coragem de abrir. Não havia remetente no verso, apenas iniciais: C.M. Desdobrei o papel. "Rosália, Escrevo de Hanói, no Vietnã. A condicional acabou semana passada, e eu cumpri a promessa. Estou longe. Aqui, ninguém sabe quem são os Mirantes. Ninguém se importa com sobrenomes ou heranças. Trabalho em uma empresa portuária. Estou na supervisão de turno. É trabalho duro, sujo e honesto. E, pela primeira vez na vida, durmo sem precisar de pílulas. Não vou pedir para voltar. Não vou pedir dinheiro. Só queria que soubesse que estou construindo algo, tijolo por tijolo, como você disse que eu deveria fazer. Espero que você e o cabeça-dura do meu irmão estejam felizes. Vocês merecem. Célio Mirantes." Passei o polegar sobre
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