CELSO MIRANTES19º DISTRITO POLICIAL O interior da delegacia cheirava a café queimado. Não fui colocado em uma cela, graças a Deus e ao poder do meu sobrenome, mas fui deixado em uma sala de interrogatório pequena e cinza, sentado em uma cadeira de metal desconfortável. A porta se abriu e Arthur entrou. Arthur era o melhor advogado criminalista de colarinho branco da cidade. Ele usava ternos de cinco mil dólares, tinha um sorriso de tubarão e cobrava por minuto o que a maioria das pessoas ganhava em um mês. — Celso. — Ele colocou a pasta na mesa e sentou-se à minha frente. Ele parecia irritado, mas controlado. — Que bagunça, hein? — Me tire daqui, Arthur. — Apoiei os cotovelos na mesa, segurando a cabeça. — Isso é um absurdo. Foi uma briga de irmãos. O Célio está fazendo isso por vingança. — Eu sei. Eu li a queixa. — Arthur abriu a pasta. — Ele não está pegando leve, Celso. Agressão em segundo grau, invasão de propriedade, ameaça de morte. Ele tem laudos médicos, fotos da porta
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