O silêncio da estrada parecia irreal depois de tudo. Beatriz ainda estava sentada no chão, o olhar perdido na escuridão à frente. As mãos tremiam, não mais de medo… mas de uma dor profunda, crua. — Ela voltou… — murmurou. — Ela voltou pra eles… Lorenzo permaneceu ao lado dela, atento, mas sem interromper. — Não — disse ele, firme. — Ela voltou por você. Beatriz balançou a cabeça. — Isso não muda nada. Mas, no fundo, mudava. Mudava tudo. Minutos depois, eles estavam novamente no carro. Raul não dizia nada. O rosto pálido, os olhos ainda assustados. Lorenzo dirigia em silêncio. Beatriz olhava pela janela. Mas sua mente estava longe. Preso naquele momento. No olhar de Helena. Naquela despedida. — “Confia em mim.” As palavras ecoavam. — Eu não posso perder ela de novo… — disse, finalmente. Lorenzo apertou o volante. — Então a gente não vai perder. Beatriz virou-se para ele. — Você ainda acha que dá pra salvar ela? Ele não hesitou. — Eu tenho certeza. Raul soltou
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