Ilana levantou o rosto devagar.O orgulho estava rachado, mas não morto. Havia ódio nos olhos dela, um ódio cru por estar sendo obrigada, por estar sendo humilhada na frente de todos, por ter que desfazer algo que considerava legítimo. Ainda assim, o instinto de sobrevivência falava mais alto.Ela se levantou.Os joelhos vacilaram por um segundo, mas a postura voltou rígida logo depois. Caminhou até a maca de Paola primeiro, os passos lentos, medidos, como se cada metro percorrido fosse um espinho atravessando o próprio ego.Paola tremia, a boca entreaberta, a pele suada, o tornozelo preso à argola que ainda pulsava fraco.Ilana aproximou o dedo da boca.Uma das presas cresceu lentamente, branca, afiada, reluzindo sob a luz fria do hospital. Sem desviar o olhar de Melia, como se fosse um desafio silencioso, cravou a própria presa na ponta do dedo indicador.O sangue surgiu quase imediato, grosso, vermelho vivo, escorrendo pela lateral da mão, e uma gota formou-se. Ilana inclinou a mão
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