Heitor encarava o celular sobre a mesa, o nome de Lais ainda ali, a um simples toque de distância. Os dedos chegaram a se mover, quase instintivamente, mas pararam antes mesmo de completar o gesto. Ele recostou-se na cadeira, passando a mão pelo rosto em um suspiro contido. Não era falta de vontade — muito pelo contrário —, mas, pela primeira vez em muito tempo, decidiu se conter. Se Lais quisesse, ela o procuraria. E, por mais incômodo que fosse, ele precisava respeitar o tempo dela. Na MonteiroCorp, o dia de Lais seguiu em um ritmo completamente oposto. O trabalho se acumulava, as demandas não davam espaço para pausas e, mesmo quando tentava se concentrar, sua mente insistia em voltar para a noite anterior, para a proposta, para Heitor. Ainda assim, mergulhou nas tarefas como se isso pudesse silenciar o turbilhão interno. Quando finalmente saiu, já estava exausta — física e mentalmente. O trajeto de volta pareceu mais longo do que o normal, os dois ônibus cheios, o corpo pesado,
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