O silêncio não desapareceu depois da pergunta, ele cresceu, e espalhou-se pela sala como algo vivo, pesado, impossível de ignorar.Martina não respondeu imediatamente. Ficou olhando para o recibo na mão de Joaquim como se aquele pedaço de papel fosse uma arma apontada para o peito dela. Por um segundo inteiro, pensou em negar apenas com o silêncio, fingir não entender, fingir que aquilo não significava nada.Mas Joaquim ainda estava ali, esperando, o olhar dele não tinha raiva, tinha algo pior, lucidez.— Martina… — ele repetiu, mais baixo. — Você está grávida?Ela respirou fundo, forçando os ombros a relaxarem.— Não — respondeu rápido demais.A resposta saiu automática, instintiva, como uma mentira treinada há anos. Joaquim não se moveu, nem piscou.— Não? — repetiu, com uma calma que fez o coração dela disparar.Ela sustentou o olhar dele, reunindo tudo que sempre soube fazer melhor, controle.— Não. Você está tirando conclusões por causa de um papel.Ele ergueu levemente o recibo.
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