O mundo desmoronou e explodiu em silêncio. O ar foi sugado da sala e eu olhei para a tela, depois para a barriga de Lorena, depois de volta para a tela. Dois. Dois corações. Dois conjuntos de braços e pernas que eu mal conseguia distinguir na confusão de sombras.Lorena gemeu ao meu lado, um som de puro choque. Sua mão agarrou a minha com uma força de sobrevivente. — O quê? — ela sussurrou, incrédula.— Gêmeos — a médica confirmou, feliz. E então, com habilidade, começou a isolar as imagens na tela. — Vejam aqui. Um aqui, mais quietinho… e o outro aqui, se mexendo mais. Vejam, dois sacos gestacionais distintos, duas placentas… são gêmeos dizigóticos, o que chamamos de bivitelinos. O mais comum e, geralmente, com menos riscos.Eu não ouvia mais nada técnico. Gêmeos. A palavra ecoava dentro do meu crânio como um gongo. Dois bebês… A logística, o perigo, o trabalho, o sustento… tudo passou pela minha cabeça em um turbilhão de pânico prático que durou meio segundo. E então, foi varri
Leer más