O som que me trouxe de volta da inconsciência não foi o dos tambores, mas o do meu próprio sangue borbulhando na ferida da clavícula. A visão era uma névoa espessa, recortada pelas frestas de luz alaranjada dos incêndios que consumiam o nível inferior do baluarte. O teto desabado criara um túmulo de granito e poeira rúnica, onde o ar tinha gosto de cal e morte.Tentei mover meu braço esquerdo. A dor foi um chicote em brasa que disparou da palma da minha mão rasgada diretamente para o peito, paralisando meus músculos. Minha respiração vinha aos espasmos, curta, fria.A três passos de mim, a silhueta monumental de Kael parecia uma estátua caída. A espada curta de Eros continuava enterrada em seu flanco, e a poça de sangue escuro ao redor dele já começava a esfriar no chão de pedra. Seus olhos azuis estavam semiabertos, fitando o vazio com uma opacidade terrível. O Rei de Ferro, o Alfa que me possuíra com a força de um furacão poucas horas antes, estava sucumbindo ao próprio sangue.Um s
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