MelissaEu não desmaio como quem cai no escuro. Meu corpo apaga, mas por dentro eu continuo acordada, como se a pele fosse só uma porta fechando. O cheiro de sangue some, o barulho da fortaleza some, e fica um silêncio branco que me envolve.Quando abro os olhos, não estou na enfermaria. Estou num vazio claro, como neblina iluminada. Não tem chão, não tem céu, mas eu sinto meu coração batendo… e sinto duas presenças.Duas luzes.Uma é prateada, suave, como luar tocando água. A outra é negra, mas viva, quente, como carvão aceso por dentro. Elas flutuam diante de mim, pequenas, pulsando no mesmo ritmo. Eu levo a mão ao ventre por instinto, e não toco pele. Toco energia.— Meus bebês… — minha voz sai fraca. — Isso é real?A luz prateada vibra e, de repente, eu escuto. Não com os ouvidos. Com a alma.— Mamãe…Eu engasgo. As lágrimas sobem rápido e eu nem sei de onde vem tanto amor.— Vocês estão… falando comigo?A luz negra se move, mais lenta, como se pensasse antes de escolher. Então fa
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