MelissaO silêncio do quarto não era paz. Era a calmaria que precede o trovão, ar denso, eletricidade na pele, pulso acelerado sem explicação.Eu estava sentada na beira da cama, mãos abertas sobre a barriga arredondada, sentindo os gêmeos se agitarem como se também pressentissem. Eles chutavam baixo, insistentes, quase em sincronia com as batidas descompassadas do meu coração.Nyx permanecia quieta na minha mente. Alerta. Observando. Até a Deusa parecia conter a respiração.Eu fechei os olhos, buscando o fio do vínculo com Kieran. Normalmente ele me acalmava só de existir. Hoje o vínculo tremia. Puxado. Esticado. Quente demais.A porta se abriu com força contida, não bateu, mas o som ecoou como um disparo. Levantei os olhos. Kieran preenchia o batente inteiro.Respiração pesada, peito subindo e descendo visivelmente. Olhos intensos, pupilas dilatadas, brilho selvagem. Todo o corpo dele vibrava, cansaço, fúria contida e algo muito mais antigo, muito mais faminto. Meu ventre se contrai
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