As paredes eram de um vermelho profundo, quase sangue seco, iluminadas por luzes baixas que criavam sombras longas e distorcidas. O teto era todo espelhado, refletindo cada movimento meu como se eu estivesse presa em um labirinto de mim mesma. A cama king size no centro tinha lençóis de seda preta, correntes presas na cabeceira e no pé, e um cheiro de incenso caro misturado com algo mais podre — medo, suor, desespero. Eu já sentia tudo isso no ar antes mesmo de Seamus O’Connor fechar a porta atrás de si.Ele girou a chave com um clique vagaroso, deliberado. Depois virou-se para mim, desabotoando a camisa devagar, revelando o peito largo coberto de tatuagens antigas — cruzes celtas, caveiras, nomes de mulheres que eu imaginava já estarem mortas ou quebradas.— Tire o robe — ordenou-o, em voz baixa, quase gentil. Mas não havia gentileza ali. Só controle.Eu obedeci. Meus dedos tremiam levemente quando soltei o nó do robe transparente. O tecido escorregou pelos meus ombros e caiu no chão
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