O GARIMPEIRO NA AMAZÔNIA

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Emanuel Prado  Em andamento
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Resumo
Índice

O GARIMPEIRO É UM ROMANCE CHEIO DE AVENTURAS LOCALIZADO NO RIO MADEIRA EM RONDÔNIA, POR OCASIÃO DA ENORME MIGRAÇÃO INTERNA OCORRIDA NOS ANOS 90. O LIVRO APRESENTA A REGIÃO, A INVASÃO POR PARTE DE MILHARES DE GARIMPEIROS VINDOS DE DIVERSAS PARTES DO PAIS E PARTICULARMENTE DO GARIMPO DE SERRA PELADA. JUNTAMENTE COM ELES, O LEITOR TOMA CONHECIMENTO DO QUE FOI ESTE FENÔMENO MIGRATÓRIO E O IMPACTO QUE PROPORCIONOU ÀQUELA REGIÃO. A PAR DA HISTÓRIA QUE É EMOCIONANTE, TODA REGIÃO É DESVENDADA E OS COSTUMES SÃO PRESERVADOS POR MEIO DE UMA LINGUAGEM PRÓPRIA E SEM IGUAL.

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OURO E ILUSÃO NA AMAZÔNIA
Hoje, peguei um recorte de jornal que trouxe de Rondônia, onde havia a descrição de uma tragédia ocorrida no rio Madeira. Foi uma verdadeira batalha naval, entre grupos de garimpeiros fortemente armados, que se enfrentaram numa luta cruel, com saldo de mais de cinquenta vítimas fatais. O mais importante de tudo, é que fui a principal pessoa envolvida na luta, impulsionada pelas circunstâncias a que me refiro neste livro. Lutei contra um homem de mau caráter, um traficante, que não mediu esforços em matar e que me causou muitos prejuízos, tanto materiais como emocionais. Transcrevo aqui a nota do jornal, que trouxe a notícia:   TRAGÉDIA NO GARIMPO NA TARDE DE ONTEM, UMA VERDADEIRA TRAGÉDIA NA REGIÃO DO CALDEIRÃO DO INFERNO, ZONA DOMINADA PELOS GARIMPEIROS, DENTRO DO RIO MADEIRA. SEGUNDO AS TESTEMUNHAS QUE APRESENTARAM A CENA, REUNIRAM-SE DUAS AULAS DE DRAGUEIROS, ENVOLVENDO-
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CONHECENDO A REGIÃO
Enquanto estive no hospital, recebi vários folhetos, com explicações sobre a malária e como ela evolui, até para saber como cuidar.Na minha recuperação, pude visitar uma biblioteca pública e pesquisar a história e a geografia da região, por saber que poderia aproveitar ao máximo o lugar.Sobre a malária, era uma coisa desconhecida e perigosa para mim, mas depois de conhecer o tratamento e saber que, se seguisse as recomendações médicas, não abuse dos horários e locais mais infestados, foi possível controlar e sobreviver em boas condições.Na mineração, ela é vista como companheira inseparável do garimpeiro e assume várias formas, sendo as mais comuns na região o vívax e o falsíparum.A malária é transmitida pela fêmea do mosquito anofilis, qu
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UMA PEQUENA GEOGRAFIA DA CIDADE
GEOLOGIA   Na margem esquerda do rio Madeira, no extremo noroeste do Estado - na região do município de Porto Velho, ocorrem afloramentos de quartzitos associados a filitos, que fazem parte da formação Mutum-Paraná. Os sedimentos formados por arcos e conglomerados, que formam a formação Palmeiral, apresentam uma faixa Leste-Oeste, entre Mutum-Paraná e o rio Candeias. As rochas do embasamento foram submetidas a abundantes movimentos diaclassificados e foram responsáveis ​​pela adaptação de diversos cursos d'água a essas linhas de fraturas e falhas, resultando na presença de níveis de bases locais que favorecem a formação de cachoeiras, como a do Teotônio, no rio Madeira e Samuel, no Jamari no meio de uma área granítica. Segundo Gross Braun, a extensão do vale do rio Madeira, que vai da cidade de Porto Velho até a cidade de Jaciparaná, repousa sobre terrenos sedimentares e não sobre subsolo. Em áreas muito
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PREPARANDO-SE PARA O GARIMPO
Cheguei blefado, duro e ainda por cima, chamado pelo mais experiente do garimpo do rio Madeira, de brabo. Como todo recém-chegado que chega, cheguei sem saber nada de mineração fluvial, totalmente diferente do tradicional. No rio, o principal elemento é a água e, o grande sacrifício, é enfiar a ponta da lança no fundo, por meio de um mergulho perigoso e incerto. Nas águas lamacentas e perigosas do rio Madeira, que tem uma corrente que é um verdadeiro tormento para os garimpeiros, estão instaladas as jangadas e dragas; onde os garimpeiros vivem e trabalham. Dos mil e quatrocentos quilômetros do rio Madeira, quase mil quilômetros são navegáveis. Nos quatrocentos quilômetros restantes entre Porto Velho e Guajará-Mirim existem cerca de vinte cachoeiras, formando uma das mais belas obras da natureza. O rio Madeira é formado pela união dos rios Bení e Mamoré com nascentes na Bolívia. O garimpeiro geralmente não tem capital, sua bagagem é a rede e el
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VIAGEM AO GARIMPO
Procurei o Felipe, que havia me convidado para trabalhar com ele na mineração, para saber quando partiríamos e, ele me disse, partiríamos na manhã seguinte. O seu plano era ir de carro até Abunã, onde o esperava o seu ferry, e subir o rio até Araras, que ficava a cerca de cinquenta quilómetros, aproveitando o fato de o rio estar cheio. Era abril do ano mil novecentos e oitenta e cinco, e até junho o rio baixava muito, então teríamos pouco mais de dois meses para ficar ali, quando então desceríamos o rio, levando melhor aproveitamento das atividades de mergulho. Na região amazônica, o período de chuvas começa de outubro a março, quando ocorrem as maiores enchentes. É o chamado inverno amazônico, porque quando não chove o dia todo, chove todos os dias. De abril a setembro as chuvas param e o volume dos rios cai muito, mostrando as diversas cachoeiras. Este período também é conhecido como verão. Apesar disso, ocorre algum frio nesta época, causad
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BATISMO NO GARIMPO
Na manhã seguinte, acordamos assim que o sol apareceu, anunciando um novo dia. Assim que nos levantamos, encontramos o café quente, preparado pelo Chico, que havia acordado mais cedo. Ainda viajamos muito, com muita poeira pelo caminho, até que as primeiras casas, as cantinas, começaram a aparecer, indicando a proximidade de uma comunidade. Logo estávamos entrando na aldeia de Abunã, passando pelo cemitério, igreja, armazém seco e úmido, delegacia, posto de saúde e estação de trem. No rio Madeira, havia milhares de balsas por toda parte, formando uma enorme corrutela. Pessoas de todos os tipos circulavam por terra e pelo rio, barcos voadores iam e vinham, parecendo um enorme ninho de vespas. Assim que chegamos, Felipe nos levou até sua jangada, que ficava rio acima, ainda na orla de Abunã. Uma vez lá, encontramos a cozinheira, Dona Maria, a da história do Chico, que tinha caído na água. Eles também esperavam pela nossa chegada,
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O PILOTO
Já se passaram três meses desde que comecei a escrever este livro. Ainda estou aqui em Boa Vista, agora trabalhando como funcionária em um depósito de artigos diversos, que vende principalmente ferramentas, utensílios domésticos e materiais para a vida na selva. Desta forma, estou sempre em contacto com os garimpeiros, que partem daqui para a sua aventura na selva. Tive a oportunidade de conhecer vários companheiros de outras minas, inclusive Serra Pelada. Muitos me convidaram para ir com eles, mas ainda não é chegada a hora de partir, porque me comprometi com o Jonas e os índios. Depois de terminar de contar minha história, com certeza estarei seguindo meu destino em busca de ouro. Ainda não contei o que aconteceu comigo no rio Madeira, porque estou nessa situação, mas aos poucos você poderá entender melhor a minha vida. As memórias que guardo são o meu tesouro e, por onde vou, levo os meus sonhos, que um dia se tornaram realidade e depois se
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REALIZANDO UM SONHO
  Porto Velho para mim parecia uma cidade linda, comparada às palafitas. Suas ruas organizadas e seu comércio regular eram muito diferentes das estradas de terra, das favelas ribeirinhas. Meus olhos se acostumaram com o verde da mata e, meus sentidos, com o equilíbrio das águas, tudo era diferente agora, comecei a ver principalmente, os rostos das pessoas que passavam. Eu estava muito carente e ansioso para encontrar aquele que roubou um pedaço do meu coração. A incerteza sobre sua reação me deixou ainda mais tenso. Dúvidas surgiram em minha mente. Fiz perguntas como estas: - Ela vai me reconhecer? - Não foi tudo apenas uma ilusão?  minha cabeça criou uma fantasia? Como não tinha muito tempo a perder, tentei me preparar para ir ao banco. Tomei um bom banho, coloquei minhas melhores roupas, fiz a barba e cortei o cabelo, que estava muito grande e mal cuidado. Aproveitei que ganhei ouro suficiente para depositar na minh
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FOFOCA/REUNIÃO
Na hora marcada, fui ao campo de pouso do aeroclube de Porto Velho e Alberto, o piloto, esperava por mim, aquecendo o motor de aço duro, um monomotor Cesna de seis lugares, que nos levaria até Abunã. Como tínhamos muita bagagem para carregar, ele só permitiu mais dois passageiros além de mim. Durante o vôo, ele me contou sobre sua vida como piloto de mineração de ouro, o que aparentemente foi bom, mas na prática havia muitos inconvenientes. Ele citou sua família como exemplo, que ficou muito tempo sozinha durante a viagem e não tinha certeza de vê-lo voltar com vida. Os constantes perigos enfrentados, principalmente devido às condições precárias das pistas, ao clima instável e às grandes distâncias sem pontos de apoio, foram os maiores problemas que sofreu diariamente. Ainda havia o risco causado por passageiros desconhecidos, muitas vezes psicóticos ou violentos, que ele tinha que carregar. O preço cobrado de trinta gramas de ouro, mais o vol
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BOA VISTA
Já fazem quase seis meses que estou aqui em Boa Vista. Nesse período, além de escrever este livro, já visitei algumas vezes os garimpeiros. A mineração aqui cobre uma vasta área de terras e florestas, ao longo da fronteira com a Venezuela. São terras pertencentes à reserva florestal indígena, onde, na realidade, existem poucos índios. Porém, em cada trilha, em cada rio, que desce do maciço venezuelano, encontramos tribos espalhadas e, distantes umas das outras, por milhares de quilômetros. As expedições terrestres são as que mais sofrem para chegar aos locais de extração de ouro, pois são constantemente obrigadas a pagar pedágio aos índios, para passarem por suas terras. São mantimentos, ferramentas, armas e, claro, cachaça, o que deixa os moradores felizes. Devido à imposição da tarifa indígena, por ter sido institucionalizada e, os garimpeiros tiveram que transportar mais cargas, muitas pistas clandestinas foram abertas e a rota para a mineração passou a se
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