Desassombro

DesassombroPT

Paula Albertão  Em andamento
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Resumo
Índice

Ully vive na floresta com seu povo e não tem permissão para ir sozinha para a cidade, mas é justamente para lá que ela gosta de escapar quando ninguém está olhando. Certa noite, acompanhada por Anton – um amigo que a segue contra sua vontade para que não tenha problemas -, ela presencia uma atitude drástica de um rapaz desconhecido e decide que não irá se perdoar se não o salvar. Ignorando todos os avisos de Anton sobre os perigos das pessoas da cidade, Ully se aproxima demais desse rapaz, acaba expondo todo seu povo e destrói todo o sistema em que eles viveram por anos. Tomada pela culpa, ela se vê lutando para encontrar uma pessoa importante que foi a mais prejudicada pelos seus erros, mas não sabe que esse será só o começo da luta.

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56 chapters
1
PRIMEIRA PARTEULLY            Aterrissei no parapeito do prédio, sem que meu equilíbrio vacilasse por nenhum segundo, e me agachei para olhar a rua escura e deserta lá em baixo. Meus dedos se fecharam na borda estreita automaticamente.            - Você tem um corte no braço. – me disse um vulto saindo das sombras.            Sorri em silêncio. Será que não se pode ter um segundo de paz?            - O que quer, Anton? – perguntei sem me mover para olhá-lo.            - Nada. – respondeu displicentemente enquanto se aproximava ai
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2
ULLY            - Vamos, Ully... – acordei com batidas na porta.            Abri os olhos, que estavam ardendo, e vi que o sol já entrava pela janela. Ainda era bem cedo, eu não devia ter dormido muito.            - Ully! – minha mãe bateu mais uma vez e abriu.            - Já acordei. – respondi tentando soar o mais desperta possível.            - Ótimo. – ela fechou a porta novamente.            Me levantei e espreguicei. Estava terrivelmente cansada, o corpo parecia pesar uma tonelada. A madrugada anterior pare
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3
ULLY            Anton não apareceu na minha janela nos três dias seguintes e, apesar de ter gostado um pouco da liberdade, me senti com um peso no peito porque acreditava que ele estava magoado com as minhas palavras.            - Você tem visto o Anton? – minha mãe perguntou enquanto eu lavava a louça do jantar.            - Não. – respondi tentando soar despreocupada.            - Estranho ele não aparecer... – ela comentou distraída antes de ir para seu quarto.            Foi a última gota para mim. Irritada, fui até meu quarto e passei pela janela. Se
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4
ULLY            Durante alguns dias Anton não apareceu, então resolvi ficar esperando por ele, sentada no chão de terra da floresta com as costas apoias no tronco de uma árvore. Ele devia ter entendido o que minha mãe tinha pensado antes de mim.            Fiquei em pé assim que ele surgiu entre as árvores, parecendo cansado, com uma calça jeans rasgada e uma camiseta desbotada, e parou assim que me viu ali.            - Ully... – seus olhos se arregalaram minimamente.            - Anton, eu estava ansiosa para ver você!            - Mesmo? – mesmo surpreso com a minh
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5
ULLY            Tendo o cuidado de deixar minha janela bem fechada, escapuli silenciosamente pelas árvores na noite seguinte. Estranhamente agitada com o encontro com Luca, e incomodada por fazer algo que Anton julgava errado.            Jantamos juntos em casa e tentei soar o mais normal possível, principalmente quando simulei o sono e disse que ia me deitar mais cedo. Ele não pareceu notar, e pude escutar sua conversa com minha mãe por mais uma hora antes que fosse embora. Se tentou falar comigo após isso não percebi, talvez a janela fechada tenha deixado a situação mais realista e ele tenha ido para a própria casa dormir.            Meus passos acelerados no escuro só aumentavam minha empolga
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6
ULLY            Minha rotina tinha uma nova forma agora. Eu encontrava com Luca a cada dois dias e saia com Anton uma noite, o que simplificadamente significava: Luca, Anton, dia livre, Luca, Anton, dia livre e assim sucessivamente.            Era uma rotina particularmente excitante, eu não podia negar, porque pular de prédios era tão incrível quando me afundar nos bancos sujos do cinema abandonado enquanto Luca e eu perdíamos o fôlego e a noção de tempo.            A única coisa que me impedia de ser plenamente realizada era a culpa que pesava na minha cabeça todas as vezes que Anton estava presente. Sempre me pegava pensando que ele me trancaria e colocaria correntes nos meus pulsos se desconf
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7
ULLY            - Sério, precisamos nos afastar por alguns minutos. – falei pela terceira vez, afastando meu corpo de Luca.            - Certo. – ele riu e sentou na poltrona em frente.            Seu rosto ficava adorável quando estava corado, e os olhos brilhavam sempre que estávamos juntos. Será que minha expressão era assim também?            - Você me perguntou sobre ... – talvez fosse uma boa ideia não dar nomes – meu amigo aquele dia.            - Sim, o grandão.            - Nós
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8
ULLY            Assim que as pessoas saíram para trabalhar, sem que Anton aparecesse para tomar café da manhã, fui até a cidade e comprei algumas roupas e comida para Luca. Não tanto o quanto eu gostaria de poder comprar com o dinheiro roubado da minha mãe, apenas o suficiente até ele conseguir pegar seu novo cartão para sacar seu próprio dinheiro.            Era estranho entrar no cinema quando ele não estava, precisei me certificar de que não havia ninguém observando, e depois fiquei insegura em sair. Eu teria que voltar a noite e ver se tudo estava em ordem.            Meu coração batia acelerado porque eu não podia andar rápido demais com a luz de so
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9
ULLY            Anton abriu a janela com uma velocidade alarmante, fazendo as duas partes da janela se despregarem da parede, e eu puxei Luca com tanta força que ele arquejou de dor. De qualquer forma, em questões de segundos, nós estávamos do lado de fora.            Demos de cara com dois homens altos, vindo na nossa direção e, pela primeira vez, vi Anton se preparar para lutar. Ele agachou e saltou, derrubando os dois rapidamente, depois olhou ao redor. Houve uma agitação dentro do escritório no mesmo instante e mais passos.            Puxei Luca para perto, ele não conseguiria fugir como nós, eu teria que carregá-lo e isso não seria problema algum, mas para onde ir?
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10
ULLY            Acordei com dor pelo corpo todo e com a mente ainda muito cansada. Não tinha sido um sono muito restaurador, e nem durado o tempo necessário para que eu me recuperasse.            - Você precisa ir para casa. – Anton disse secamente depois de me cutucar até que eu parasse de resistir.            Parado no quarto, de costas para mim enquanto vestia uma camiseta, ele emanava irritação, cansaço e mais alguma coisa que eu não conseguia perceber com a mente lenta daquele jeito. De toda forma, sua posição não mudaria.            Me levantei imediatamente, sem coragem para dizer qualquer coisa. Não dava pa
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