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Autora: Edivania Rios Romance de Época – Anos 1950 Protagonistas: Leonardo e Linda Todos os direitos autorais reservados à autora citada acima. Qualquer uso parcial ou total sem autorização será considerado infração legal, nos termos da LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Eu amei ter feito amor com Linda — foi maravilhoso! Se pudesse, faria tudo de novo. Aquela menina, que eu sempre achara tão bela, foi minha, foi minha de verdade! Amei como se não houvesse amanhã, fui o primeiro homem em sua vida. Nunca pensei que isso pudesse acontecer, mas a tive em meus braços, tremendo e gemendo baixinho, como se tentasse esconder o quanto estava gostando. Quis que o tempo parasse ali, que nunca mais avançasse. Quis dizer a ela que aquilo fora especial. Toquei-a no dia seguinte com todo o cuidado, desejando que ela fosse minha para sempre — foi a única mulher que me deixou diferente depois de estar com ela. Mas então lembrei: não sou homem de uma só mulher. Quis provar para mim mesmo que gostava dela, de quem ela é, que teria ficado com ela se as coisas fossem diferentes... mas nós somos complicados demais. E para quê querer, se ela ama outro e eu vivo uma vida sem rumo? Quis ser o último em sua vida, mas ao menos fui o primeiro. Gostei tanto de ver suas dúvidas, sua inocência se transformando em desejo — isso alimentou o meu ego, sim, mas também tocou o meu coração de um jeito que não esperava. Vinte dias depois... Agora estou deixando a cidade. Meu pai decidiu não arriscar me deixar aqui, pois há muita gente querendo a minha cabeça. Criei muitos problemas: depois que Rick me bateu, e depois de ter ajudado Linda naqueles planos, não voltei mais lá. Fiz de tudo para evitar encontrar com eles, e vou fazer de tudo para tentar esquecê-la — mesmo que ela tenha sido muito especial para mim. E mesmo que as moças se ofereçam, eu nunca consigo dizer não; sempre acabo cedendo. Agora tenho que ir, quase fugindo. Moanizia tanto quis que eu lhe tirasse a virgindade, e depois passou a ir até a empresa me procurar — isso só trouxe problemas para nós dois. Ela acabou sendo obrigada a se casar com um homem que o pai arranjou, e eu estou aqui, partindo, indo embora. Será que Linda, quando estiver com Rick, vai lembrar de mim? Fiz tudo com todo o meu gosto. Você está apaixonado, Leonardo. E isso não é nada bom. Você já disse que vai esquecê-la — esqueça! Você já arrumou confusão suficiente na vida, e mesmo que não queira, as tentações sempre vêm ao seu encontro, e você sempre acaba aceitando todas. Agora, já dentro do trem, começo a pensar com mais clareza. Compadeço-me daquelas mulheres com quem me envolvi — elas estavam apenas cheias de desejos, querendo provar o sabor do proibido. Eu poderia ter dito não... mas a verdade é que eu também tenho desejos, e muitos, muito pecaminosos. Rick ter me batido pareceu pouco para mim. Não que eu goste de apanhar, mas ele fez o que achou certo para defender a honra da mulher que ama — mesmo que eu só tivesse mentido para cumprir uma promessa feita a Linda. Minha palavra vale ouro, e eu cumpri o que prometi. Dois anos depois... Particularmente, amo os bordéis. E aqui na França, as mulheres não têm vergonha nenhuma, mostram tudo — e eu amo esse descaramento. Depois que ganhei asas, aprendi tudo o que há para aprender; sou um boêmio de coração. Curto as noitadas e sempre volto ao ponto de partida ao amanhecer. Amo fumar, beber... até mulheres casadas já vieram atrás de mim. Eu não gosto disso, mas já cedi a ameaças de que iriam contar tudo aos maridos se eu recusasse. Sempre me coloco no lugar do outro homem, mas isso não vai mais acontecer — saí da cidade daquela mulher, e na hora certa. Tudo serve de lição. Essa vida livre que o Leonardo de São Paulo sempre quis está finalmente desabrochando. Lá no Brasil eu ainda era apenas um menino querendo viver coisas de gente grande. Antes, amava fazer tudo escondido; agora não preciso mais de cuidados, não tenho ninguém por perto para julgar o que faço ou deixo de fazer. Aquela maldita madrasta vivia me sufocando — sem ela, o ar é muito mais leve. Estou bebendo com algumas moças, mas elas são tão sérias... o povo daqui é antipático, não tem o calor que as brasileiras têm. Que saudade de quando eu despertava o desejo nas mocinhas inocentes. Aqui até faço o mesmo, mas sempre longe das casas delas — odeio quando tentam me prender. E também longe da minha própria casa, para não ter problemas. Não faço por fazer, mas elas me olham daquele jeito, como se pedissem “faz de mim o que quiser”, e eu acabo cedendo. Essa tentação me persegue, meu Deus! Não vivo de aparências: quando gosto, gosto de verdade. E mais uma vez, sem querer, lembro-me de Linda. Apaixonei-me por ela, mas fiz de tudo para esquecer — foi em vão. Nem sei como ela está hoje. Meu pai pensa que estou nos Estados Unidos; ele pagou toda a minha faculdade lá. Mas resolvi fazer o curso aqui na França, e terminei. No caminho para a América, mudei de rumo — eu precisava de liberdade de verdade. Cinco anos depois... Agora terei que voltar para casa. Meu irmão, sua esposa e os dois filhos caíram num buraco e morreram. Estou aqui nos Estados Unidos, arrumando o apartamento que meu pai comprou para mim. O acidente faz um ano; olho para todas as cartas acumuladas do Brasil, cobertas de poeira, e um sentimento estranho toma conta de mim. Começo a chorar — ele era o meu único irmão, e os meus sobrinhos, que nunca cheguei a conhecer... Minha madrasta tanto desejou a minha morte, e foi o filho dela quem se foi. Começo a arrumar minhas coisas para voltar ao Brasil. Chegando à casa do pai... — Senhor Leonardo? — ouço uma voz atrás de mim. Viro-me e vejo a velha empregada. Abraço-a, chorando. — Onde está o meu pai? — Ele levou a patroa para o Rio de Janeiro, menino Leonardo. Talvez amanhã ou a qualquer momento eles voltem. Desde a morte do filho, ela não está mais sã. — Imagino... — Seu pai tinha esperança de que você aparecesse. Deixou um recado: se você chegasse, era para ligar para esse número que está dentro do copo, na estante. — Obrigado. Vou fazer isso agora. Fico ali, atônito, sem saber por onde começar. Liguei para ele; ele ficou tão feliz, mas ao mesmo tempo furioso comigo. Eu sorri. — Filho ingrato! O que eu fiz para merecer um filho como você? — Pai, se já queriam me matar antes, por que o senhor acha que não vão querer agora? — Porque o líder disso tudo morreu — o pai de Moanizia. E você ainda fica com esse maldito instinto dentro das calças, Leonardo, por favor! Você foi embora, mas deixou muita sujeira para trás. — Está bem. Por onde começo a arrumar tudo? — Você vai se humilhar e pedir perdão a Rick. Diga a verdade: o filho que Marisa espera não é dele, é seu. — Claro que não, pai — respondo firme. — Mas vou sim consertar o meu passado. Vou buscar redenção, pode deixar que vou acertar cada coisa. Despedi-me do pai e fui atrás do que ficou para trás. Nunca disse a ninguém, mas eu não posso ser pai — fui operado na China, a vasectomia deu certo, não tenho filhos e nunca terei. Bati palmas na porta da casa de Rick, chamando sem parar. — Ô de casa! Ô de casa! A porta se abre e ele mesmo aparece. — Seu safado! O que faz aqui? — Vim te pedir perdão. — Perdão de quê, seu pervertido? — Ele está furioso como um cão brabo. — Eu menti. Nunca fiquei com Marisa. Vim dizer que só falei aquilo porque estava pagando um favor a alguém. — Eu sei. E essa pessoa pagou muito caro por isso. Cai fora daqui, seu desonrador de moças! Vá cuidar dos seus filhos! Arregalei os olhos, sem entender. — Espera... o que está dizendo, Rick? De quais filhos você fala? — Solte-me! Estou avisando: converse com a cidade, e com a sua consciência também. Não somos mais amigos. Voltei para casa sem entender nada. Entrei no escritório do meu pai, peguei os seus charutos e o uísque — tudo de primeira qualidade. Se não sei o que fiz, não preciso me preocupar. Vou aproveitar o que a vida tem de melhor para me dar. E vou evitar mulheres — tomara que nenhuma apareça me perseguindo. Ao passar pelo corredor, ia entrar no meu quarto, mas parei de repente: uma empregada muito bonita estava arrumando a minha cama. Sai daqui, Leonardo, é cilada! Corri de volta para o escritório — a tentação não vai mais me vencer. Muitos homens têm medo de fazer a cirurgia, acham que deixa de ser homem. Mas eu sou diferente: os ricos têm essa vantagem de ter a ciência ao lado, mas é preciso coragem para não ter filhos. E eu tenho coragem para tudo, só não para a violência. Acho que Linda não conseguiu o que queria — pelo que vi, Rick continua com Marisa. Linda, menina tola, como pôde acreditar nos seus próprios planos tão frágeis? Ela me deu de graça... fechei os olhos ao lembrar, sentindo o prazer daquela memória. Foi uma das melhores vezes que já tive, maravilhosa! Nunca fui bom com questões do coração, por isso não me envolvo. E essas moças solteiras têm um fogo que eu amo, mas vou me controlar — não quero confusões. Vou trabalhar, isso sim: na empresa e nas fazendas. Dez dias depois... Resolvi muitas coisas. Meu pai chegou hoje e está me ajudando em tudo. — Agora você é o único herdeiro de tudo, meu filho. — Ele está chorando, e eu começo a chorar também. Não devia ter sido desse jeito. — E filho... você tem quatro filhos com Linda. A madrinha dela, aquela velha fofoqueira, me contou. Eu vi as crianças, são a nossa cara. Como eu vivia na capital, não pude resolver isso antes, mas amanhã volto para ficar por aqui. — Não são meus, pai, não se preocupe. — Não há nenhuma chance de serem seus? Pensei... pensei bem fundo. — Quatro? Deus me livre, não quero filhos nenhum! E não tem chance nenhuma de serem meus. Logo depois de mim, ela ficou com Rick. A própria Marisa veio me contar isso. Até apanhei de uma mulher, pai! — Nós dois começamos a rir. — Você não presta mesmo, filho. Mas Rick é mesmo esperto — fez uma prole inteira de uma vez só.






