Ponto de Vista de Diana
— Você não deveria fazer sempre o que os outros mandam.
Diana ergueu a cabeça e encontrou o olhar de Reginald, ligeiramente surpresa. Era a primeira vez que ele dizia algo que soava como se estivesse do lado dela.
Mas, antes que pudesse compreender completamente o que ele queria dizer, Reginald se aproximou sem mudar sua expressão fria.
— Não deixe que tratem você como uma empregada. Você faz parte da família Reinard.
Diana rapidamente baixou o olhar, entrelaçando os dedos.
— S-sim, Reginald — murmurou, quase inaudível.
Reginald deu mais um passo à frente, o suficiente para fazer o coração de Diana disparar. Ela prendeu a respiração.
O olhar de seu cunhado era tão frio e penetrante que parecia capaz de enxergar através de cada segredo que ela tentava esconder.
— Você está bem? — Reginald perguntou.
A pergunta foi breve. Não havia nada de gentil em seu tom, mas, de alguma forma, isso tornou suas palavras ainda mais impactantes.
Diana balançou a cabeça rapidamente, mas seus olhos levemente inchados a denunciaram.
Reginald estreitou os olhos, com uma expressão quase impossível de decifrar.
— Você estava chorando.
Não era uma pergunta. Era uma afirmação. Ela realmente estivera chorando.
Diana ficou imóvel, prendendo a respiração, com medo de dizer a coisa errada. Reginald continuou observando-a, com seu olhar frio e perspicaz, mas parecia haver um mínimo sinal de preocupação escondido por trás dele.
Antes que Reginald pudesse dizer qualquer outra coisa, a voz de Irene ecoou do lado de fora, quebrando a tensão.
— Reginald, vamos! Angie vai se atrasar!
Sua voz podia ser ouvida claramente por toda a casa. Naquele exato momento, Diana viu o maxilar de Reginald se contrair, como se ele tivesse sido obrigado a engolir o que quer que estivesse prestes a dizer.
Sem dizer mais nada, ele se virou e foi embora, deixando a sala para se juntar à esposa e à filha.
No momento em que Reginald desapareceu de vista, Diana finalmente soltou o ar que estava prendendo. Era como se algo que pressionava seu peito finalmente tivesse afrouxado o aperto.
***
Ponto de Vista de Kyle
Naquela noite, toda a família se reuniu novamente à mesa de jantar, como de costume. Mas, dessa vez, havia algo diferente. A cadeira de Diana estava vazia, e sua ausência se destacava no silêncio da mesa, quebrado apenas pelo som dos talheres.
Todos na família tinham uma personalidade fria e reservada. Ninguém era particularmente alegre, exceto Diana. Infelizmente, ela raramente tinha a oportunidade de falar tão livremente quanto os outros.
— Onde está sua esposa, Kyle? — Selena perguntou ao filho mais novo, lançando-lhe um olhar incisivo.
Kyle ficou ligeiramente surpreso com o tom frio da mãe.
— Talvez ela já tenha comido, mamãe.
— Talvez? — Selena repetiu, cética, enquanto um canto de sua boca se erguia em um leve sorriso.
— Hum. — Kyle deu uma resposta breve e continuou comendo tranquilamente.
— Você é o marido dela, Kyle. Por que é tão covarde? — provocou Selena, com a voz suave, mas afiada o suficiente para ferir.
Essa era a parte que Kyle mais odiava. Sempre que a mãe começava a falar com ele daquela maneira, seu estômago se contraía.
Não era apenas porque as palavras dela o atingiam profundamente. Seus dois irmãos mais velhos, sentados por perto, pareciam lembretes silenciosos de que, aos olhos da mãe, ele sempre fora o filho que não estava à altura.
A maior parte da atenção dela sempre estivera voltada para os irmãos. E agora, até mesmo seu casamento estava sendo tratado como outro fracasso que era inteiramente culpa dele.
Inclusive o fato de ter uma esposa como Diana. Uma esposa que sua mãe acreditava vir de uma família pobre. Com pouca instrução. Uma mulher que frequentemente era tratada como empregada pelas cunhadas.
Diana sempre obedecia. Sempre ficava em silêncio. E isso fazia Kyle parecer ainda pior ao lado dos irmãos, cujas esposas vinham de famílias ricas e influentes.
Kyle fechou a mão sobre a mesa, fazendo os nós dos dedos ficarem brancos. Tentou esconder a irritação, mas era difícil quando Selena ainda não havia terminado.
— Você é o chefe da sua família — Selena continuou calmamente. — E não consegue nem controlar a própria esposa. Aprenda alguma coisa com seus irmãos.
Os dois irmãos aos quais ela se referia, Reginald e Sebastian, apenas olharam para Kyle antes de voltarem ao jantar.
Enquanto isso, Irene e Felicia permaneceram em silêncio. Nenhuma das duas disse uma palavra, claramente cientes de que era melhor não se envolver quando a conversa assumia um tom tão delicado.
Kyle abaixou ligeiramente a cabeça, com o maxilar tenso.
— Sim, mamãe — respondeu sem emoção.
Quinze minutos depois, o jantar terminou.
Um a um, os membros da família voltaram para seus quartos para descansar após um longo dia, incluindo Kyle.
Assim que abriu a porta do quarto, seus olhos pousaram em Diana, sentada no sofá. Ela olhava para o celular, tentando acalmar os pensamentos que a perturbavam.
Os passos de Kyle eram pesados enquanto ele atravessava o quarto. Sem dizer uma palavra, ele arrancou o celular da mão de Diana e o jogou no chão.
CRASH!
— Kyle! — Diana se sobressaltou e se levantou de repente. Seus olhos se arregalaram e ela prendeu a respiração.
— Meu Deus. O que aconteceu? — ela perguntou baixinho, quase num sussurro.
Kyle não respondeu. A expressão dele permanecia vazia, mas seus olhos estavam tomados por uma fúria fria que fazia o ar do quarto parecer sufocante.
Ele tirou um cartão de visita do bolso e o jogou no colo de Diana.
— Vá procurar aquele homem — ele disse com a voz baixa e cortante. — E durma com ele até engravidar.