Ponto de Vista de Diana
— Kyle... — Diana murmurou enquanto se levantava do sofá, com a mão trêmula alcançando o cartão de visita. — Por que estamos falando disso de novo?
— Por quê? — O olhar de Kyle se tornou mais intenso. — Ah, então você achou que o que eu disse esta manhã era uma brincadeira? Achou que eu estava blefando quando falei das despesas hospitalares do seu avô, não é?
Diana abaixou a cabeça, apertando o cartão entre os dedos até quase amassá-lo.
— Kyle, mas... eu não posso fazer isso. — Sua voz falhou, quase inaudível. — Não posso fazer uma coisa dessas.
Kyle se aproximou. Seus movimentos eram calmos, mas havia algo ameaçador neles. Logo, quase não havia espaço entre os dois.
— Pode, sim — disse ele friamente. — Porque você não tem escolha.
Diana ergueu os olhos, marejados de lágrimas.
— Por favor. Não me obrigue a fazer isso. Se for por causa das despesas hospitalares, eu posso...
— Pare.
Uma única palavra foi suficiente para silenciá-la.
Kyle ficou olhando para ela por um longo momento, com o olhar penetrante, como se pudesse enxergar diretamente através da angústia que se acumulava no peito de Diana.
— Quer saber por que continuo tocando nesse assunto? — Sua voz ficou ainda mais fria.
— De quem você acha que é a culpa por minha mãe ficar sempre me menosprezando na frente de Sebastian e Reginald?
Kyle apontou para o próprio peito, respirando cada vez mais pesado.
— Sou eu quem é humilhado. Sou eu quem a mamãe critica o tempo todo. Toda vez que nos sentamos àquela mesa, sou eu quem é massacrado.
Sua voz baixou. Não ficou mais suave, mas mais amarga.
Kyle ergueu novamente a mão, desta vez apontando diretamente para a esposa.
— E então você ainda teve a coragem de faltar ao jantar hoje? Você me envergonhou de propósito.
Seu olhar desceu lentamente, fixando-se no rosto dela.
— Então não discuta. Apenas faça o que eu mandar.
Sua voz era baixa e autoritária. Ele pressionou o dedo indicador com força contra o peito de Diana.
— Engravide. O mais rápido possível. Essa é a única maneira de compensar toda a humilhação que seu marido teve que suportar por sua causa.
***
— Irene estava certa. Você realmente serve para quase tudo — Felicia disse com uma risadinha, mantendo os olhos fixos em Diana enquanto ela passava a ferro seu blazer.
— Não há necessidade de contratar tantas empregadas. Com você nesta casa, cada canto ficará sempre arrumado e impecável.
Seu tom parecia quase elogioso, mas as palavras eram claramente uma provocação.
Diana já estava acostumada a ser alvo de insultos e zombarias, por isso não respondeu. Quando terminou, desligou o ferro e enrolou cuidadosamente o fio.
— Terminei — disse com calma. Não havia emoção em sua voz, e ela nem sequer se virou para olhar para Felicia.
— Ah, é? Deixe-me ver.
Felicia pegou o blazer e o examinou como se estivesse procurando algum defeito. Um segundo depois, um canto de sua boca se curvou em um sorriso de desprezo.
— Está vendo? Ainda está amassado, Diana. Eu odeio qualquer coisa que não seja perfeita. Aqui. Passe direito! O que há de errado com você?
Ela jogou o blazer de volta sobre a mesa.
Diana não se mexeu. Apenas ficou olhando para ela. Não estava discutindo, nem com medo. Era mais como se tivesse simplesmente parado de sentir qualquer coisa.
Aquele olhar só deixou Felicia ainda mais irritada.
— Por que está olhando para mim desse jeito? — Seus olhos se estreitaram.
Ela cruzou os braços e se inclinou para a frente.
— O quê? Não gosta de passar minhas roupas?
Diana abriu a boca, prestes a explicar, mas...
— Felicia!
A voz de Sebastian cortou o ar tenso. Parado à porta, ele parecia visivelmente impaciente.
— Vamos logo. Vou me atrasar!
Diana também se virou, olhando para Sebastian. Ele lançou um olhar severo para ela. Durou apenas um segundo, mas foi o suficiente para fazê-la abaixar ainda mais a cabeça.
— Já vou! — respondeu Felicia bruscamente.
Sua irritação era evidente. Mas ela não descontou a raiva em Sebastian. Em vez disso, voltou-se contra Diana, que aparentemente havia se tornado o motivo de sua manhã estar indo mal.
Felicia se abaixou para pegar o blazer que havia jogado sobre a mesa e que agora estava novamente amassado, dando a Diana um sorriso frio.
— Espere só, Diana.
Então se afastou, deixando a ameaça pairando no ar.
Diana manteve a cabeça baixa até Felicia desaparecer completamente. Só então passou para sua próxima tarefa.
Ainda era cedo, mas Diana já tinha uma longa lista de afazeres esperando por ela.
Como de costume, precisava ajudar a sogra a se arrumar para o dia. Acima de tudo, precisava lembrar Selena de tomar seus medicamentos antes do café da manhã.
Toc. Toc.
Diana bateu duas vezes à porta do quarto de Selena, tomando cuidado para não fazer muito barulho. Ela segurava com as duas mãos uma bandeja contendo os medicamentos de Selena e um copo de água morna.
— Entre.
A voz firme de Selena veio de dentro.
Diana imediatamente girou a maçaneta e abriu a porta devagar. A sogra já estava vestida e sentada diante da penteadeira, observando o próprio reflexo no espelho.
— Tome seu remédio primeiro, mamãe — Diana disse baixinho, colocando cuidadosamente a bandeja sobre o criado-mudo.
Selena se virou, percorrendo Diana de cima a baixo com o olhar frio. Diana estendeu o copo de água morna e os medicamentos para ela.
— Onde você estava ontem à noite? — A voz de Selena era baixa, mas carregada de acusação. — Por que não estava à mesa durante o jantar?
A garganta de Diana secou. Ela se lembrou da raiva de Kyle na noite anterior por causa de sua ausência no jantar.
— Desculpe, mamãe. Eu não estava me sentindo bem ontem à noite, então não fui jantar com vocês.
Ela não acrescentou mais nada. Sabia que não adiantaria. Selena não gostava de explicações longas e, de qualquer forma, não acreditaria em nada do que Diana dissesse.
Depois de tomar o medicamento, Selena devolveu o copo vazio sem sequer olhar para ela.
Diana rapidamente o pegou e o colocou na bandeja que havia deixado sobre o criado-mudo ao lado da cama.
Mas Diana permaneceu onde estava. Seu trabalho ainda não havia terminado. Parada atrás de Selena, Diana penteou delicadamente os longos cabelos da sogra e os prendeu em um coque bem arrumado.
— Terminei, mamãe — Diana disse baixinho depois de prender o coque com um grampo.
Quando Diana estava prestes a sair, Selena a deteve.
— Pegue minha bengala.
Diana imediatamente foi buscá-la e a entregou à sogra antes de ajudá-la a sair do quarto em direção à sala de jantar.
Diana caminhava à esquerda de Selena, carregando a bandeja com uma mão enquanto usava a outra para apoiar o braço da sogra, para que ela não perdesse o equilíbrio.
Mas, quando se aproximaram da mesa de jantar, Selena afastou bruscamente a mão de Diana.
— Não toque em mim. Você pode decidir me empurrar e me fazer cair — Selena disse sarcasticamente, em voz alta o suficiente para fazer todos à mesa se virarem.
Todos os olhares se voltaram imediatamente para Diana. Ela ficou imóvel, sentindo o rosto empalidecer.
— Desculpe, mamãe — murmurou antes de puxar uma cadeira para Selena.
Depois do café da manhã, a luxuosa sala de jantar voltou a ficar em silêncio. Os outros membros da família saíram rapidamente, alguns deles se preparando para ir trabalhar. Apenas Diana permaneceu.
Apesar de, tecnicamente, ser a dona da casa, Diana ainda precisava continuar com sua rotina diária. Os funcionários da cozinha haviam preparado o café da manhã naquela manhã, mas agora ela assumia a tarefa de lavar a louça.
Diana arregaçou as mangas e mergulhou as mãos na água com sabão, limpando a louça da família que nunca parecia parar de menosprezá-la.
Depois de terminar na cozinha e estar prestes a voltar para o quarto, ela se lembrou. Era sexta-feira, o dia em que sempre ajudava a sogra a cortar as unhas.
Tudo o que envolvia Selena deixava Diana tensa. Ela respirou fundo, tentando convencer a si mesma de que também conseguiria realizar aquela tarefa.
Pegou o cortador de unhas e foi até a sala de estar.
Selena estava sentada em uma poltrona, lendo uma revista de moda com modelos de vestidos.
Irene estava sentada ao lado dela, segurando sua filha de seis meses, enquanto Angela, sua filha mais velha, brincava no tapete.
— Mamãe, está na hora de cortar suas unhas — Diana disse baixinho, aproximando-se com cautela.
Selena mal lhe deu atenção, mas estendeu a mão direita.
Diana se ajoelhou no chão diante dela e começou a cortar cuidadosamente suas unhas.
O som de sapatos sociais caros se aproximou.
Reginald apareceu atrás de Diana, sua presença imponente preenchendo a sala.
— Papai! — chamou Angela alegremente.
Reginald apenas ergueu uma sobrancelha para a filha antes de se juntar a elas no sofá. Sentou-se ao lado da esposa, que dava mamadeira ao bebê.
Seu olhar repousou brevemente sobre a filha mais velha, que brincava no tapete, antes de se voltar para Diana, que ainda estava ajoelhada no chão, cortando as unhas da mãe.
Clique!
— Ah!
Selena soltou um grito agudo. Assustada, instintivamente empurrou a testa de Diana.
Tum!
Diana caiu para trás, batendo com força no chão, os olhos arregalados. O cortador de unhas escorregou de sua mão.