Ponto de Vista de Diana
Depois que o café da manhã terminou em um clima tenso, Diana começou a lavar a louça deixada por toda a família.
Ela pressionava a esponja contra cada prato com força excessiva, como se pudesse remover as manchas da louça e, de alguma forma, apagar da mente as palavras cruéis da sogra.
Suas lágrimas caíam na água com sabão, misturando-se às bolhas enquanto ela soluçava baixinho. Seus ombros tremiam sob o peso da pressão e do ultimato de três meses para engravidar.
De repente, um toque gentil pousou em suas costas. Diana se assustou e rapidamente enxugou as lágrimas com o braço.
— Senhora Diana... — Evelyn, uma das empregadas da casa, disse com carinho e compaixão enquanto esfregava delicadamente o braço de Diana.
— Por favor, senhora. Não chore. Suas lágrimas são preciosas demais para serem desperdiçadas com as palavras deles, inclusive com as da senhora Selena — Evelyn sussurrou enquanto tirava delicadamente o prato das mãos de Diana.
— Deixe que eu termine isso — ela disse, assumindo a tarefa.
Mas Diana estendeu a mão para pegar o prato novamente.
— Está tudo bem, Evelyn. Eu termino.
— Não, senhora. Deixe que eu faça — insistiu Evelyn. — Deixe isso comigo. Eu termino depois. A senhora deveria descansar um pouco. Deve estar exausta — ela disse baixinho.
Por fim, Diana deixou a louça de lado e enxaguou bem as mãos na pia da cozinha.
Evelyn se aproximou e ajudou Diana a secar as mãos com uma toalha limpa. Depois, puxou a jovem para os braços, abraçando-a como se fosse sua própria filha.
Diana ainda conseguiu sorrir docemente, como sempre fazia, fingindo que nada havia acontecido. Mas Evelyn sabia exatamente o que havia acontecido à mesa do café da manhã.
— Relaxe, está bem? Não leve as palavras deles a sério — Evelyn disse.
Diana se forçou a sorrir, determinada a não deixar que percebessem o quanto aquelas palavras a haviam magoado.
— Eu vou, Evelyn. Não se preocupe. Estou bem.
Não era a primeira vez que Evelyn via Diana ser insultada, encurralada e até tratada como uma empregada naquela magnífica casa.
Afinal, Diana ainda era uma nora da família Reinard, por mais que a considerassem muito inferior às outras duas noras da família.
— A senhora Selena sempre teve a língua afiada. Um dia, ela vai receber o que merece — Evelyn sussurrou. — Lembre-se de que você não está sozinha. Você tem a mim.
Diana assentiu levemente enquanto Evelyn apertava sua mão com firmeza, como se lhe transmitisse a força necessária para suportar a vida naquela casa.
— Aguente firme, senhora Diana — ela continuou baixinho. — Acredito que, se algum dia a senhora der à luz um menino, a senhora Selena finalmente vai vê-la como uma nora mais digna.
Confortada pela bondade genuína de uma empregada que não tinha nada a oferecer além disso, Diana abriu um sorriso ainda maior.
Mas, por algum motivo, as palavras de Evelyn sobre ter um filho não fizeram nada para melhorar o ânimo de Diana.
Ela sabia que Evelyn só queria confortá-la. Na verdade, Evelyn não estava exigindo que Diana desse à luz o herdeiro da família.
Mesmo assim, Diana ainda sentia o peito apertado. Afinal, mesmo agora, ela não fazia ideia de como poderia ter um filho.
Seu marido nunca estivera disposto a tocá-la.
— Tudo bem. Vou terminar de lavar a louça agora. A senhora vá descansar, senhora Diana. O que você precisa neste momento é descansar e ter um pouco de tempo para se acalmar — Evelyn disse.
Diana abaixou ligeiramente a cabeça, sua voz ficando mais suave.
— Desculpe... se acabei tornando as coisas ainda mais difíceis para você.
— Por que está se desculpando? — Evelyn olhou para ela com carinho. — É meu trabalho, querida. Agora vá descansar. Se continuarmos conversando, quando você vai conseguir descansar?
Diana sorriu e, pela primeira vez naquela manhã, o aperto em seu peito finalmente começou a diminuir.
— Então vou deixá-la por enquanto. Muito obrigada por me ajudar.
— De nada. Descanse bem.
Diana apenas assentiu antes de sair lentamente da cozinha bagunçada e seguir em direção ao quarto, passando pela sala de estar.
Ali, Diana viu Irene com a filha mais velha.
— Mamãe...
A voz veio de Angela, que corria em direção à mãe, Irene, carregando as meias e os sapatos.
— Preciso de ajuda com minhas meias.
Irene estava sentada no sofá da sala, olhando para o tablet, que exibia um de seus desenhos de moda. Ela lançou um breve olhar para Angela.
— Coloque você mesma, Angie! — Irene disse friamente.
— Eu não consigo, mamãe... — a menina de cinco anos reclamou.
Tsc.
Irene estalou a língua, irritada, e lançou um olhar frio para a filha. Então viu Diana, que acabara de sair da cozinha.
— Diana — chamou com rispidez, fazendo Diana parar e se virar. Irene fez um gesto para que se aproximasse. — Venha aqui.
— O que foi, Irene? — Diana perguntou ao parar diante dela.
A mulher lançou um breve olhar para a filha.
— Coloque as meias e os sapatos de Angela — ordenou friamente, como se estivesse dando instruções a uma empregada.
Diana ficou atônita. Depois de acusá-la de ser estéril à mesa do café da manhã, Irene agora simplesmente ordenava que ela cuidasse da filha.
Aquela mulher não tinha vergonha?
Diana não tinha vontade de discutir. Na verdade, ela simplesmente tinha medo demais de todos os membros da família por causa da posição que ocupavam. No fim, não protestou nem se recusou.
— Está bem — respondeu por fim, enquanto Irene continuava concentrada no tablet. — Venha aqui, querida. Me deixe ajudá-la a colocar as meias e os sapatos.
Diana sorriu e estendeu a mão direita, segurando Angela pelo braço para levá-la até o sofá. Ela fez a menina se sentar antes de se agachar diante dela.
A cena fez Irene, que observava pelo canto dos olhos, curvar os lábios em um sorriso presunçoso. Ela estava satisfeita com a facilidade com que conseguia transformar aquela garota em uma empregada.
Irene pigarreou e lançou um olhar de desprezo para Diana.
— Não demore uma eternidade, Diana. Por que você é sempre tão lenta?
— Pronto — disse Diana a Angela depois de calçar os sapatos nela, antes de se levantar.
Angela olhou para os próprios pés.
— Muito obrigada, tia Diana — ela disse educadamente.
Diana lhe deu um pequeno sorriso e estendeu a mão para acariciar delicadamente o topo da cabeça da menina.
— De nada, querida.
— Você tem tantos talentos, Diana — Irene zombou. — É boa em ser empregada e também é boa em cuidar de crianças. Existe alguma coisa que você não saiba fazer?
Diana permaneceu em silêncio enquanto Irene continuava.
— Ah, é mesmo. Nesse caso, você também pode ajudar Evelyn a cuidar da April mais tarde.
Irene guardou o tablet em sua bolsa cara, com um sorriso presunçoso.
— Você gosta de bebês, não é? Então é melhor começar a aprender a cuidar de crianças desde já.
Antes que Diana pudesse responder, Irene acrescentou em um tom ainda mais ácido:
— Bem... isso partindo do princípio de que você não seja mesmo estéril. Mas, se for mesmo... você só vai poder cuidar dos filhos dos outros. Das minhas filhas. Dos filhos da Felicia.
Diana ficou em silêncio. Não respondeu nada. Sua cabeça permaneceu baixa, o olhar fixo nos pezinhos de Angela. Era a única maneira, ainda que pequena, de evitar desmoronar diante delas.
Irene olhou para ela, satisfeita por Diana não estar revidando.
— Hoje à tarde, prepare uma mamadeira para April, dê a ela e troque a fralda também — Irene continuou casualmente.
April era a segunda filha de Irene e Reginald, uma bebê de seis meses cuja chegada havia sido aguardada com ansiedade por toda a família Reinard.
Eles esperavam que Irene desse à luz um menino que se tornaria o herdeiro da família. Mas o segundo filho acabou sendo outra menina.
Por isso Selena estava pressionando Diana para engravidar, esperando que ela desse à luz um menino. Não adiantava pressionar Irene a ter outro filho se ela acabasse dando à luz outra menina.
— Você aprende rápido quando se trata desse tipo de trabalho. Na verdade, odeio deixar outras pessoas cuidarem das minhas filhas. Mas vou abrir uma exceção para você — acrescentou.
Diana assentiu levemente.
— Está bem.
Irene abriu um sorriso.
— Assim é melhor! Eu realmente adoro suas respostas. Você é tão obediente, igualzinha a um cachorrinho...
— Irene.
Uma voz masculina, profunda e firme, interrompeu Irene. Reginald se aproximava da esposa.
O olhar dele passou rapidamente por Diana e pela pequena Angela antes de voltar para Irene, e sua expressão se tornou mais séria.
— O que foi que você acabou de dizer? — ele perguntou, com firmeza.
Irene engoliu em seco sob o olhar penetrante do marido.
— O-o que você quer dizer, Reginald? — gaguejou, apertando com força as alças da bolsa com as duas mãos.
— Não se faça de desentendida — Reginald disse friamente. — Você acabou de dizer algo ofensivo, não disse?
Seu maxilar se contraiu.
— Não! — protestou Irene, tentando se defender. — Eu não disse. Você é sensível demais.
— Sensível? — As sobrancelhas grossas de Reginald se franziram. — Não pense que eu não sei que tipo de pessoa você é, Irene. Tenha um pouco de respeito. Você pediu ajuda a Diana e, logo depois, a menosprezou com aquelas palavras.
Irene ficou atônita. Seu marido realmente a repreendera daquela maneira na frente de Diana, justamente a mulher que ela acabara de ridicularizar. E agora era ela quem estava sendo repreendida pelo próprio marido.
— Papai... mamãe... — murmurou Angela, que havia observado em silêncio o pai repreender a mãe.
Reginald olhou para a filha antes de voltar o olhar frio para a esposa.
— Peça desculpas a Diana — Reginald ordenou com firmeza, em um tom que não deixava espaço para discussão.
Mas Irene era muito teimosa e não tinha a menor intenção de pedir desculpas.
Irritada, Irene segurou Angela pelo braço e saiu da sala sem se desculpar, apesar da ordem do marido.
Assim que a porta da frente se fechou e o som dos passos de Irene e Angela desapareceu, um silêncio repentino tomou conta da sala. O único som era a respiração suave de Diana.
Reginald estava a pouca distância dela, com a postura ereta. O olhar frio dele, normalmente indecifrável, agora estava fixo diretamente nela. Diana mal ousava se mexer.
Então ele falou em voz baixa e serena, mas foi o bastante para fazer seu coração parar por uma fração de segundo.
— Você não deveria fazer sempre o que os outros mandam.