Ponto de Vista de Diana
— Encontre outro homem para engravidá-la, Diana.
As palavras de Kyle Reinard naquela manhã atingiram Diana no peito como uma marretada. Os olhos da jovem se arregalaram, chocados.
Como seu próprio marido podia pedir, com tanta calma, que ela engravidasse de outro homem?
— V-você... está falando sério, Kyle? — Diana sussurrou, incrédula, com a voz embargada. — Você está brincando, não é? Por que eu tenho que engravidar de outro homem?
Kyle soltou um suspiro pesado.
— Estou cansado disso! Mamãe não para de me pressionar por um herdeiro. Estou cansado de toda essa pressão. E ela continua perguntando quando você vai engravidar.
Diana engoliu em seco.
— Então... por que eu não engravido de você? Você é meu marido. Por que eu tenho que engravidar de outro homem? — perguntou, confusa.
— Você? Não seja ridícula! Não vou sacrificar minhas noites com você!
As palavras de Kyle feriram Diana profundamente. Sua boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu.
— Encontre um homem respeitável, se puder. Se não conseguir, eu encontro um para você — Kyle disse, mantendo a voz fria, como se sua decisão já estivesse tomada. — Não estou negociando.
O peito de Diana apertou, como se uma mão invisível estivesse espremendo seu coração. Suas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo, até os nós dos dedos ficarem brancos.
Ela abriu a boca, pronta para protestar. Mas Kyle foi mais rápido, e sua voz cortou o ar antes que ela pudesse falar.
— Você precisa engravidar. Não me importa como vai fazer isso! Casar com você já foi humilhante o bastante diante dos meus irmãos, e agora você vai me humilhar de novo por ser incapaz de me dar um herdeiro?
Kyle cruzou os braços sobre o peito, com uma expressão impassível, mas intimidadora.
— Então faça isso, ou vou parar de pagar as despesas hospitalares do seu avô!
Diana balançou a cabeça imediatamente, incapaz de aceitar a ameaça.
— Não. Por favor, não faça isso com o vovô! Ele ainda precisa de tratamento. Ainda não se recuperou.
Kyle soltou um suspiro pesado, mas não houve hesitação em sua voz.
— Então tome sua decisão hoje. Assim, não precisarei parar de pagar as despesas médicas do seu avô.
Sim ou não. Era a decisão mais difícil que Diana já havia enfrentado. Principalmente quando a vida de seu avô estava em jogo.
Eles estavam casados havia um ano inteiro. Só agora Diana percebia que seu marido nunca a havia amado.
Ele havia se casado com ela contra a própria vontade. Kyle fora obrigado a se casar com Diana por causa do último desejo de seu avô. O avô dele era amigo próximo do avô de Diana, e os dois homens haviam decidido arranjar um casamento entre os netos.
Se Diana soubesse disso desde o início, jurava que jamais teria aceitado se casar com Kyle. Mesmo assim, durante todo aquele tempo, ela havia tentado amar o marido.
Mas o homem nunca havia retribuído nem o menor sinal de seu afeto.
— E então? — Kyle arqueou uma sobrancelha, esperando a decisão da esposa.
Diana engoliu em seco.
— Eu... vou pensar.
O olhar de Kyle permaneceu frio.
— Está bem. Vou lhe dar três dias, a partir de agora.
Dito isso, Kyle saiu do quarto.
Enquanto isso, Diana permaneceu imóvel no meio do quarto. Suas pernas ficaram subitamente fracas depois de descobrir aquela verdade chocante.
E aquilo nem sequer era o pior. A exigência do marido era completamente absurda.
Diana soltou o ar devagar.
— Onde vou encontrar um homem respeitável? E, além disso... essa criança vai se tornar o herdeiro da família Reinard — murmurou, confusa e desesperada.
Diana se sobressaltou quando seus olhos caíram sobre o relógio na parede. Já eram seis e meia da manhã. O café da manhã começaria em breve.
— Meu Deus!
Uma onda de pânico apertou seu peito. Diana saiu imediatamente do quarto, quase correndo em direção à cozinha.
Sua rotina diária já a esperava. Ela precisava preparar o café da manhã para toda a família Reinard, incluindo sua sogra, seus cunhados e seus sobrinhos.
A família Reinard era rica e tradicional e seguia rigorosamente uma hierarquia patriarcal. Todos viviam sob o mesmo teto: pais, filhos e noras. A hierarquia nunca era declarada abertamente, mas sua pressão podia ser sentida o tempo todo.
E, como a nora mais nova, que não trabalhava fora de casa como as outras duas noras, Diana havia se tornado automaticamente a principal responsável pelos cuidados da casa. Cozinhar, limpar e garantir que tudo funcionasse perfeitamente.
Ela não estava sozinha. Havia outras empregadas para ajudá-la. Com uma casa tão luxuosa e enorme, ter funcionários tornava tudo muito mais fácil. Mas, para Diana, nunca era fácil quando esperavam que ela fizesse tudo sem cometer um único erro.
Um cômodo após o outro parecia não ter fim, e cada canto exigia perfeição.
Cerca de meia hora depois, Diana e as outras duas empregadas finalmente terminaram de preparar o café da manhã. Agora, cabia a Diana servir sua sogra e seu marido, Kyle.
— Aqui está o seu chá verde, mamãe.
Diana colocou o chá quente diante da sogra, Selena.
— Obrigada — Selena respondeu secamente, sem sequer olhar para ela.
Agora era hora de Diana servir o marido. Mas, assim que ela estava prestes a colocar a torrada diante de Kyle, ele puxou o prato para perto de si.
— Eu mesmo faço isso. Apenas se sente — Kyle disse friamente.
Diana lhe deu um pequeno sorriso antes de se sentar à sua esquerda.
Sua mão acabara de alcançar a torrada quando a voz áspera de Selena quebrou o silêncio à mesa do café da manhã.
— Um ano. Faz exatamente um ano que Diana se tornou nora da família Reinard.
Selena se virou, fixando o olhar diretamente na nora mais nova.
— E você ainda não engravidou.
Lentamente, Diana baixou a mão que estava estendendo para pegar a torrada e a colocou novamente no colo.
Ela abaixou a cabeça e entrelaçou os dedos com força. Não ousava olhar para ninguém, especialmente para a sogra.
Ela conseguia até sentir os olhares de deboche das cunhadas dos dois lados da mesa, fazendo seu peito apertar.
Envergonhada? É claro que estava. A família de seu marido era uma das mais prestigiadas dos círculos da elite, com sangue javanês e holandês puro correndo em suas veias.
Selena Ayunda Reinard era javanesa, enquanto seu falecido marido, Derrick Von Reinard, havia sido um bilionário holandês.
Derrick era dono do Reinard Group, que atuava tanto no mercado nacional quanto internacional. A empresa também possuía inúmeras subsidiárias, incluindo empresas industriais, hotéis e hospitais.
Toda aquela imensa fortuna havia sido herdada por seus três filhos: Reginald, o mais velho; Sebastian, o segundo; e Kyle, o caçula.
— Já marquei uma consulta com o melhor ginecologista — Selena continuou, empurrando um cartão de visita na direção de Kyle, sentado à sua esquerda, para que ele o entregasse a Diana.
O homem o pegou displicentemente e entregou à esposa sem sequer olhar para ela. Seus movimentos eram lentos, como se não se importasse nem um pouco.
Então Selena acrescentou:
— Não quero saber o que você tem a dizer! Você precisa fazer exames imediatamente.
— Talvez Diana seja estéril, mamãe! — interveio Irene, esposa de Reginald.
Suas palavras fizeram todos à mesa se virarem para ela, enquanto Reginald apenas lançou um breve olhar à esposa.
— Isso pode ser verdade, Irene. Talvez Diana realmente seja estéril, mas tenha escolhido esconder isso deliberadamente da mamãe e de Kyle. Provavelmente está com medo de que eles se divorciem dela! — acrescentou Felicia, esposa de Sebastian, colocando ainda mais lenha na fogueira.
As duas cunhadas de Diana sempre a haviam menosprezado, pois a diferença entre suas posições sociais era como o céu e a terra.
Irene havia obtido um mestrado em design em uma universidade prestigiada. Além disso, era filha de um empresário rico e agora administrava uma grande boutique.
Já Felicia, esposa de Sebastian, havia obtido um mestrado em direito e agora trabalhava como advogada. Ela também era filha do proprietário do maior escritório de advocacia do país.
E Diana? Ela não passava de uma mulher que tivera a sorte de se tornar uma possível nora de uma família tão prestigiada. Sua única ligação com eles era o fato de seu avô ter sido um velho amigo do pai de Selena, que era o avô de Kyle.
O casamento havia acontecido por causa de um último desejo do avô de Kyle, que falecera cerca de um ano antes, de Diana e Kyle se casarem oficialmente.
A palavra "estéril" atingiu Diana como um tapa no rosto. A acusação perfurou o pouco de dignidade que ainda lhe restava, principalmente porque Kyle jamais a havia tocado.
Diana sentiu o rosto empalidecer. Ela olhou para Kyle ao seu lado, mas o homem encarava o prato com uma expressão entediada, como se estivesse ouvindo um discurso que já tivesse escutado centenas de vezes.
Como sempre, Kyle não a defenderia diante da mãe. Não diria uma palavra, simplesmente deixando Diana ser repreendida e humilhada diante de toda a família.
Diana ergueu os olhos para a sogra.
— Mamãe, eu... não tenho nada de errado — disse, tentando se defender, com a voz trêmula.
Bum!
Selena bateu o cabo da faca de manteiga que segurava contra a mesa, fazendo todos à mesa se sobressaltarem. Seu olhar era frio e penetrante.
— Não existe isso de estar "perfeitamente saudável", Diana! Faça o que mandei e me entregue os resultados. Quero vê-los pessoalmente!
— Apenas faça o que mamãe está dizendo, Diana... — Kyle finalmente falou, depois de permanecer em silêncio por tanto tempo.
Mas, em vez de defendê-la, ele se juntou à mãe para intimidar a esposa.
Diana engoliu em seco. Seus olhos, já vermelhos por conter as lágrimas, ficaram marejados quando o homem que deveria protegê-la simplesmente se voltou contra ela.
— Além disso, estou convencido de que o problema é você — Kyle continuou. — Qual é o problema de consultar um médico? Assim, saberemos se você é estéril ou não.
As mãos de Diana tremiam em seu colo enquanto ela lutava para conter as emoções. Ela as apertou com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
Como seu próprio marido podia dizer uma coisa dessas à mesa do café da manhã, na frente de toda a família?
— Escute com atenção — Selena disse novamente, com a voz firme e autoritária. — Estou lhe dando três meses a partir de hoje. Você precisa engravidar.
Cada palavra carregava uma pressão imensa, tornando difícil para Diana respirar. Mas Selena ainda não havia terminado. Sua voz ficou ainda mais dura.
— Se não engravidar, eu mesma vou pedir a Kyle que se divorcie de você.
A voz de Selena assumiu um tom cortante e impiedoso.
— Depois disso, você pode voltar para a sua casinha e passar o resto da vida cuidando do seu avô doente.