Capítulo 2

Esther Hawthorne

Eu quase não dormi naquela noite.

Na verdade, não dormi.

Passei horas rolando na cama, com o corpo encolhido e o coração quebrado, tentando imaginar algum motivo… qualquer… que explicasse o que meu tio fizera. Mas nada fazia sentido.

Eu chorava.

Me escondia debaixo das cobertas.

Me abraçava, tentando me sentir inteira de novo.

Mas eu estava falhando.

Os dias seguintes não foram melhores.

Eu continuava presa naquele quarto enorme, frio, silencioso demais. A porta é sempre vigiada por dois seguranças. As janelas eram de vidro blindado, impossíveis de quebrar. Os corredores, quando eu os ouvia de longe, pareciam intermináveis, como se a casa toda fosse uma prisão planejada nos mínimos detalhes.

Eu estava viva. Mas não livre.

E isso me destruía um pouco mais a cada dia.

No terceiro dia, quando meu corpo já não tinha forças para chorar, ouvi batidas na porta.

Meu coração disparou.

— Senhora Hawthorne. — A voz era firme, masculina, sem emoção. — Abra a porta.

Eu me levantei devagar. Minha mão tremia enquanto segurava a maçaneta. Quando abri, só um pouco, vi um dos homens do Don parado ali, enorme, sério, usando preto da cabeça aos pés.

— Você precisa se alimentar. — Ele disse, estendendo um prato. — O Don vai querer vê-la em breve.

Meu estômago se revirou só de ouvir aquilo.

Mas eu peguei o prato, murmurando um “obrigada” quase inaudível, e fechei a porta rapidamente.

O prato tinha frutas, pão e uma vitamina. Eu bebi tudo devagar, tentando não enjoar.

Foram os primeiros alimentos decentes desde que cheguei. Eu sobrevivi só com água e algumas frutas. Meu corpo estava fraco, minha cabeça, pesada. Mas eu precisava recuperar alguma força… mesmo sem saber para quê.

Algumas horas se passaram, e eu me aproximei da janela, única coisa que me conectava ao mundo lá fora. Foi aí que o vi.

O Don.

Damian Moretti saiu de um carro importado preto, impecável. Passou a mão nos cabelos, empurrando-os para trás, enquanto dois de seus homens o acompanhavam. Ele tinha aquela presença… aquela forma de caminhar como se nada pudesse atingi-lo.

Meu peito apertou. Em breve, ele viria até meu quarto. E eu estava apavorada.

Foi então que a ideia surgiu. Eu precisava fugir.

Abri a porta devagar, com medo de encontrar alguém ali. Mas os seguranças não estavam na entrada. Talvez tivessem descido para acompanhar Damian. Aquela era com certeza minha única chance.

Meu coração batia tão rápido que parecia sacudir o meu corpo inteiro.

Eu saí para o corredor, respirando fundo, tentando não fazer barulho. Cada passo ecoava nos meus ouvidos, mesmo que não fizesse som algum. Eu precisava ser rápida.

Ouvi vozes. Passos.

Me escondi atrás de um armário no fundo do corredor, apertando o corpo contra a parede, como se pudesse desaparecer ali. As vozes se aproximaram.

— Ela não está no quarto. - disse um dos homens. 

— Como assim? Quem estava na porta? - outro disse. 

— Abram busca no corredor. Agora! - ordenou um deles. 

O pânico subiu pela minha garganta. Eu não podia ser pega. Não ali. Não daquele jeito. Senti minhas mãos suarem enquanto olhava para os lados. Foi quando vi: uma janela do outro lado do corredor. Era alta, mas era minha única saída. Corri até ela. Sem pensar. Sem respirar.

Quando minhas mãos tocaram a janela e eu consegui destravá-la, uma voz cortou o ar atrás de mim.

— Ora, ora… — A voz dele era baixa, grave, iminente. — A coelhinha se cansou de se esconder e resolveu fugir de mim?

Meu coração quase explodiu.

Virei devagar, sentindo meu rosto queimar. Ele estava ali, Damian Moretti, parado no fim do corredor. O sorriso dele era curto, perigoso. Seus olhos escuros estavam fixos em mim como se eu fosse uma brincadeira pessoal.

Ele começou a andar na minha direção. Um passo. Depois, outro. Cada movimento firme, decidido.

Eu não conseguia me mexer.

Quando ele chegou perto o bastante, avançou sem hesitar. Sua mão segurou minha cintura e me prendeu contra a parede com força. A outra segurou meu rosto, guiando meu olhar para o dele, não havia distância entre nós. Eu podia sentir sua respiração quente na minha pele. Seu cheiro masculo, sua colonia, ele era tão quente, tão forte. 

— Você realmente achou que podia fugir de mim? — Ele perguntou, a voz baixa, carregada de ironia e irritação mascarada.

Os homens dele apareceram no corredor, mas pararam ao ver a cena. Era claro: quando o Don estava envolvido, ninguém interferia.

Eu respirava rápido demais.

— Eu… eu não quero ficar aqui. — Eu disse, com a voz falhando. — Esse lugar não é meu… eu não pertenço a isso… por favor, me deixe ir embora, você não precisa de mim, eu não valo nada. 

Os olhos dele pareciam queimar. Era raiva? Desejo? Eu não entendia. 

— Não pertence? — Ele repetiu, inclinando o rosto até quase encostar no meu. — Você pertence a mim, Esther. E nunca vai sair daqui. Você é minha, toda minha, todo seu corpo... é tudo meu. - senti seu halito sobre meu rosto, cheiro de whisky, forte, alcool puro. 

Minhas pernas fraquejaram, meu corpo tremia, mas eu não ia desistir, eu queria sair dali, aquele lugar não pertencia a mim, com esforço forcei minha voz a sair.

— Eu não escolhi isso. Eu não sei por que meu tio me vendeu… mas, eu não valo nada para você, nada. 

O sorriso dele desapareceu. Foi substituído por algo mais frio.

Damian aproximou ainda mais o rosto do meu, como se estivesse prestes a me beijar, mas parou um segundo antes.

— Seu tio era um homem miserável. — Ele disse. — Se você ainda não sabia disso, creio que vai descobrir agora. Você vai saber em breve o porque dele ter feito isso e vai dar graças a Deus por estar aqui, na minha mansão, sobre minha proteção, Esther. - A voz dele ficou mais baixa, mais ameaçadora. 

— E se você ousar fugir de novo… eu não serei gentil, é meu ultimo aviso, eu não sou tão paciente.

Ele se afastou de repente, como se tivesse encerrado o assunto. Olhou para os homens dele.

— Levem-na de volta ao quarto.

Eu fiquei parada, tremendo, enquanto o corredor se enchia de olhares ferozes dos capangas, como se eu fosse uma criminosa que merecia punição.

Meu corpo encolheu sozinho. Não havia saída. Não havia salvação. Então eu voltei para o quarto em silêncio, com a cabeça baixa e as mãos tremendo. Eu não tinha outra opção.

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