Mundo de ficçãoIniciar sessão— Bom dia — disse entrando no quarto e tentando manter aquele tom casual e o sorriso encantador para acalmá-la — Dormiu bem? Como você não tem roupas, chamei um estilista para te arrumar. Minha mãe vai adorar te conhecer, mas você precisa estar impecável.
Fui direto ao ponto porque não podia me dar ao luxo de perder muito tempo, tínhamos muito o que preparar antes que meus pais chegassem.
— O que você quer dizer com impecável? — ela perguntou tentando se esconder embaixo dos lençóis. Provavelmente ainda com medo que eu fosse fazer algo de ruim, não podia culpá-la depois de ser apresentada na frente daqueles escrotos na noite passada.
— Minha mãe é ex-modelo, exigente com aparência — expliquei enquanto levava a bandeja com café da manhã até a mesa em frente a varanda, era uma bela vista e eu queria que ela gostasse dali já que ia passar muito tempo naquela casa. — E ela precisa acreditar que você é a esposa perfeita, vai conehcê-la hoje.
— Hoje? — Eu assenti fingindo calma, mas minha mente corria para todos os cenários que poderiam dar errado nesse encontro. E o que mais me incomodava era pensar que meus pais podiam não gostar dela e o nosso acordo iria por água abaixo.
— Vou deixar você comer em paz. Mas não vai demorar para que o estilista chegue.
O sol da manhã iluminava o espaço amplo com uma luz dourada que fazia tudo parecer mais vivo. Eu estava sentado na poltrona de couro, fingindo ler um relatório no tablet, mas meus olhos não paravam de desviar para Rebecca.
Ela estava ali no centro do quarto com Marco fazendo todas as anotações para montar um guarda roupa digno de uma Wes, enquanto ela provava as roupas da arara que estava cheia de vestidos, blusas, conjuntos e saias que Marco selecionara com base no que eu descrevi: elegante, sofisticado, algo que minha mãe aprovaria na hora.
Mas meu foco todo estava em Rebecca, não conseguia tirar os olhos dela, na noite passada foi difícil deixá-la sozinha assim que assinamos o contrato. Eu queria conversar, passar um tempo olhando para ela, observando seus trejeitos e a conhecendo melhor. Mas podia ver o cansaço no rosto dela e havia algo em seu olhar que me dizia que ela estava com a cabeça cheia demais para conseguir conversar.
— E então o que achou? — A voz de Marco me trouxe de volta dos meus pensamentos.
Pisquei rapidamente vendo o vestido azul marinho, simples, mas que abraçava suas curvas de um jeito que me fazia prender a respiração. Ela era linda, com aquele cabelo castanho caindo em ondas suaves e os olhos que pareciam esconder um mundo inteiro.
Marco ajustava o tecido nas costas dela, murmurando algo sobre o caimento perfeito, mas foi o ajudante quem me irritou. Ele se aproximou, as mãos tocando a cintura dela para "alinhar o cinto", mas o toque durou um segundo a mais, pressionando como se testassem a curvatura de sua cintura, os dedos deslizando um pouco para cima.
Meu sangue ferveu e uma onda de possessividade me atingindo como um soco. Ela era minha, não no sentido que eu queria, mas eu a comprei para ser minha esposa e não podia deixar ninguém tocar nela assim.
— Ei, você aí — chamei me levantando e apontando para o ajudante, que deu um passo para trás com os olhos arregalados. — Saia agora. Marco pode terminar sozinho.
O ajudante piscou confuso, mas Marco assentiu rapidamente, dispensando-o com um gesto. Rebecca se virou para mim com o rosto corado e os olhos estreitados em minha direção.
— Não precisava disso — ela murmurou parecendo constrangida.
Eu cruzei os braços, tentando controlar a raiva que ainda queimava no peito e me aproximei ainda mais dela.
— Precisava sim, eu não quero você desconfortável, muito menos um desconhecido te apalpando como se fosse se dono. Isso é inaceitável!
Ela arquejou parecendo chocada, e eu percebi que soei como um namorado ciumento, não um homem em um acordo de negócios. Era ridículo, percebi tarde demais, mas não pude evitar e mesmo enxergando o que fiz não mudou como me senti quando vi as mãos dele a tocando.s
Mas escolhi rir de mim mesmo, balançando a cabeça em negação, só para aliviar o clima pesado.
— Desculpa — disse, passando a mão pelo cabelo. — Soei como um idiota possessivo, não é? Como se eu tivesse direito de decidir quem te toca.
Becca hesitou, mas um sorriso tímido apareceu nos seus lábios, suavizando a expressão quando se virou para o espelho me encarando no reflexo.
— Você pode me defender sempre que quiser.
Eu assenti voltando para a poltrona, mas o calor no peito não ia embora. Possessivo? Eu mal a conhecia. Ela era só uma garota que comprei num leilão, alguém que precisava de dinheiro tanto quanto eu precisava de uma esposa falsa. Mas ver as mãos daquele merda nela... me irritou de um jeito que não esperava.
Marco continuou sugerindo ajustes e trocas, e eu a observei escolher um vestido aqui, uma blusa ali, sempre optando por peças elegantes, nada chamativo demais. Ela tinha bom gosto, isso era óbvio.
Até que chegaram à parte das roupas íntimas, o rosto dela ficou vermelho como um tomate, mostrando o quão tímida era. Marco apresentou uma seleção de lingeries, sedas, rendas, cores suaves, algumas chamativas, e ela desviou o olhar com as bochechas coradas, murmurando algo sobre "qualquer uma está bom".
Inocente demais, pensei inclinando a cabeça para o lado sem conseguir evitar observá-la tanto. Para alguém que se vendeu em um leilão daqueles, ela parecia quase... pura. Estranho, mulheres como ela, precisando de dinheiro a ponto de se venderem, geralmente eram mais... liberais, mas Rebecca corava como uma adolescente no primeiro encontro.
Quando Marco finalmente saiu, levando as escolhas dela e as anotações do que precisaria mudar, o quarto ficou silencioso com só nós dois ali. Becca se sentou no sofá ainda vermelha e evitando meu olhar mesmo que não tivesse provado nenhuma lingerie na nossa frente.
Eu me inclinei para frente, curioso demais para ignorar tudo aquilo.
— Rebecca, posso perguntar uma coisa? — falei tentando não assustá-la, mas não esperei por uma resposta. — Por que você precisava de dinheiro a ponto de se vender em um leilão daqueles? Não estou te julgando, sério, eu quem deveria ser julgado por contratar alguém para enganar meus pais. Só quero saber já que vamos passar muito tempo juntos e pra essa farsa dar certo precisamos nos conhecer melhor.
Ela hesitou, os olhos castanhos olhando para o chão enquanto seus dentes marcavam o lábio inferior. Eu podia ver o conflito no rosto dela, como se procurasse as palavras ou a forma certa de me contar o que queria.
Levou um tempo, que eu aproveitei para observá-la, até que finalmente ela apoiou os cotovelos sob os joelhos, ficando mais próxima.
— Minha mãe morreu há alguns anos — Becca começou com a voz trêmula e incerta. — Meu pai... ele não lidou bem com isso e começou a fazer dívidas, se afundou no álcool, fez empréstimos que não podia pagar, e então sumiu no mundo deixando tudo para mim, contas, credores batendo na porta. Eu precisei de dinheiro rápido e soube daquele lugar. Parecia uma boa saída.
Meu coração apertou ao imaginá-la tendo que lidar com tudo isso, com um pai alcoólatra enquanto passava pelo luto. A culpa me atingiu como um trem ao vê-la tão vulnerável, com os olhos cheios de uma tristeza que não estavam ali um segundo atrás.
Levantei rapidamente me sentando ao seu lado, ela não parecia precisar de distancia agora, então peguei as mãos dela nas minhas, apertando para tentar passar algum conforto enquanto sentia a pele macia e fria contra a minha..
— Sinto muito, Rebecca — disse sincero, apertando os dedos dela entre os meus — Deve ter sido duro enfrentar tudo isso sozinha, mas você não precisa se preocupar com isso mais, vou fazer com que tudo suma em um segundo. Não vou deixar que gaste o dinheiro do leilão com essas dividas, é o mínimo que posso fazer.
Ela me encarou com os olhos marejados e piscou por um minuto, franzindo as sobrancelhas em confusão antes de afastar as mãos do meu toque, se sentando mais ereta e com os ombros enrijecidos.
— Que dinheiro?







