Mundo de ficçãoIniciar sessãoO salão do leilão era um inferno disfarçado de luxo, com as luzes ofuscantes destacando o palco onde eu havia sido vendida como um objeto. Meu coração ainda batia descontrolado, o eco do martelo do leiloeiro ressoando na minha cabeça como um veredicto final.
Um milhão. Aquele homem pagou um milhão por mim. O homem de terno cinza, com olhos castanhos intensos e um ar de confiança que me deixou dividida entre alívio e medo. Ele não era o velho gordo que disputou como se eu fosse um troféu, mas ainda assim era um estranho, alguém que achava normal comprar pessoas.
Eu mal conseguia respirar enquanto era levada pelos bastidores, o vestido prateado colando em minha pele suada, as pernas trêmulas ameaçando ceder a cada passo.
Quando alcancei minhas amigas abracei elas com força, me apoiando e me despedindo, porque era isso que estávamos fazendo ali, estavamos prestes a enfrentar um futuro incerto, era um abraço cheio de emoção, medo, amor e saudades, mesmo que rápido e desesperado antes que os seguranças nos separassem e me fizessem ir embora.
— Seja forte — sussurrei para Alice, as lágrimas escorrendo enquanto nos agarrávamos. — Vamos nos encontrar de novo. Prometam.
— Prometo — respondeu ela com as lágrimas escorrendo sob a maquiagem pesada. — Não desista, Becca. A gente vai fugir disso.
Jenny nos puxou para o abraço, os olhos cheios de determinação apesar do medo.
— Na primeira chance, a gente escapa e nos encontramos — ela disse, com a voz baixa para não ser ouvida. — Não importa o que aconteça!
Os seguranças nos separaram, as mãos firmes nos nossos ombros, e eu fui levada para fora, com o coração apertado como se estivesse sendo rasgado. Elas eram minha família, as únicas que eu tinha desde que perdi meus pais. E agora, estávamos espalhadas, vendidas como mercadoria.
Mas não tive tempo de processar, porque o homem de terno cinza me esperava do lado de fora, ao lado de um carro preto luxuoso, com um motorista esperando com a porta aberta. Ele sorriu, parecendo ainda mais encantador, o que me fez recuar instintivamente.
— Vamos? — disse ele com uma voz suave, estendendo a mão em minha direção, como se fôssemos velhos amigos.
Eu hesitei, sentindo o medo me paralisando. Quem era ele? O que faria comigo? Mas as palavras de Lara voltaram a minha mente “sejam arrematadas no leilão e saiam daqui, ou vão virar prostitutas nas ruas”. Não havia uma escolha ali, ele era a minha melhor opção de dar o fora dali.
Aceitei a mão sentindo o calor emanar dele acertando meu corpo trêmulo. Ele apertou levemente meus dedos entre os seus antes de me guiar até o carro, que eu entrei sentindo o couro frio contra a pele, antes que ele se sentasse ao meu lado.
Todo caminho pra mim foi como um borrão de ruas iluminadas e sombras da noite. Não consegui prestar atenção em nada, nem mesmo raciocinar, meu corpo ainda sentia os resquícios da droga, a náusea voltando com o balançar do carro, enquanto minha mente temia pelo que aconteceria depois. Eu tentei memorizar o caminho, os prédios, qualquer coisa que pudesse me ajudar a fugir mesmo no escuro da noite.
Ele não disse uma palavra no caminho, o que eu agradeci, estava nervosa demais para qualquer pergunta, conversa ou toques. O homem ao meu lado claramente era rico, o carro, terno, até o jeito que falava com o motorista, isso sem falar de todo o dinheiro que gastou me comprando.
Mas rico significava poder, e poder significava que fugir seria mais difícil. Meu coração batia forte, o pânico subindo e fazendo minhas mãos suarem no colo. E se ele fosse como os monstros que me pegaram?
Não, eu não podia ficar pensando assim, precisava focar e encontrar uma saída.
O carro passou pelos portões enormes, entrando em uma propriedade cercada por muros altos, com um jardim impecável que exibia uma fonte na frente da mansão. A casa em si era como algo saído de uma revista, colunas brancas, janelas altas, luzes acesas como se esperasse uma festa.
Meu estômago revirou de novo. Essa era a casa dele? O que aconteceria agora? Ele me levaria para o quarto, me forçaria a... Não, não eu não podia pensar nisso. Tinha que ganhar tempo para fugir.
O homem saiu do carro oferecendo a mão para me ajudar, mas eu ignorei e desci sozinha mesmo com as pernas trêmulas.
— Bem-vinda à minha casa — disse ele, em um tom casual como se isso fosse um encontro normal. — Pode me chamar de Benjamin. E você é...?
— Rebecca — respondi tentando não mostrar o medo, mas não tendo muita certeza se consegui.
Ele sorriu se virando para me guiar para dentro. O hall de entrada enorme e chamava a atenção para as paredes com um quadro que atraia toda a atenção em direção a longa escada.
— Rebecca. Lindo nome — ouvi ele atrás de mim, falando com uma voz amigável, mas eu podia sentir o olhar dele me avaliando. — Não precisa ter medo. Eu não sou como os outros homens que estavam lá, desesperados para levar as garotas para a cama. Vamos conversar sobre o acordo que quero fazer.
— Acordo? — Meu coração acelerou, o medo se misturando a confusão.
Mas antes de me responder ele continuou a andar esperando que eu o seguisse até uma sala de estar, com sofás de couro e uma lareira crepitando. Benjamin andou até uma poltrona e eu me sentei na ponta do sofá ao lado, longe o suficiente para conseguir correr, mas perto de uma forma que não entregasse todo o pavor que eu estava sentindo.
Coloquei as mãos no colo, o vestido prateado que não protegia nada subiu ainda mais, deixando minhas coxas à mostra, assim como as costas e meus seios aparecendo quase completamente.
— Eu comprei você por um milhão porque preciso de uma esposa falsa — disse indo direto ao ponto, como se estivesse falando de negócios e puxou alguns papéis de uma pastar. — Meu pai está doente, teve um infarto recente e precisa de paz e felicidade. E como ele está obcecado por me ver casado e com netos a caminho, preciso de você para acalmá-lo, dar paz antes... antes do pior. Você finge ser minha esposa por um ano, eu te pago o que quiser, e depois você está livre.
Pisquei rapidamente com o cérebro tentando processar tudo o que ele tinha dito. Esposa falsa? Não era o que eu esperava, não era um monstro, mas sim um homem desesperado pelo melhor para a família, por querer o bem do pai.
Ainda assim, o medo não ia embora. Ele era rico, poderoso, e eu estava presa aqui. Meu coração batia disparado, minha mente correndo com os pensamentos enquanto meu corpo estava em conflito sobre o que pensar, o que sentir naquele momento, com aquele homem ao meu lado.
— E se eu não quiser? — perguntei com a voz tremendo. Sabia que era arriscado, eu estava testando os limites ali, mas precisava saber realmente o que ele faria comigo se me negasse a fazer o que quisesse. Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo.
— Você pode recusar, mas o contrato que assinei com a casa de leilão diz que eu teria que devolvê-la se o acordo não desse certo. Sei que pode estar assustada depois dessa noite, mas não sou um monstro. Pode conferir aqui — ele se apressou em dizer, me passando os papéis com termos claros: um ano de casamento de fachada, quarto separado, sem toques íntimos quando um pagamento generoso no final. Liberdade total depois. — Pode ficar aqui, descansar e analisar o contrato com calma. Você ganha o dinheiro, eu consigo que meus pais fiquem felizes, nós dois conseguimos o que queremos. Sem obrigações além de fingir.
Ele achava mesmo que eu queria estar ali? Que estava nisso por dinheiro? Li o contrato com as mãos tremendo, o medo ainda me corroendo enquanto conferia tudo o que ele tinha dito. Mas havia uma única verdade que não podia ser mudada, ali ao menos eu teria uma chance de fugir, conseguir procurar ajuda para as minhas amigas e salvá-las antes que o pior acontecesse, se ele me devolvesse eu não poderia fugir com todos os seguranças e podia acabar como Lara disse, sendo forçada a trabalhar na rua e dormir com inúmeros homens por dia.
— Só preciso fingir? Tudo não passará de uma mentira? — perguntei e ele concordou com a cabeça. Então se fosse preciso fingir, ganhar tempo, eu ia até encontrar uma saída. — Eu aceito!







