Uma dívida com o CEO
Uma dívida com o CEO
Por: Laura Ivanish
Capítulo 1

ISABELLA

Acordo com um aperto estranho no peito. Algo como um mal pressentimento.

Ainda não tinha nenhum sinal do meu pai. E eu estava ainda mais angustiada. Mesmo depois anos com ele ficando dias fora de casa, eu acho que nunca me acostumaria.

Tento desviar os meus pensamentos, e preencher o meu dia com tudo que eu havia planejado.

Por sorte Emma e Emilie saíram cedo, indo em uma excursão do colégio ou algo do tipo. Elas estavam no último ano, e não queria pensar em como faríamos para arcar com a faculdade das duas.

Decido começar cuidando do pequeno jardim que fiz no quintal, enquanto Tomas toma café da manhã. Sou apaixonada por plantas, por flores para ser mais especificas, paixão essa que herdei da minha mãe. Quando eu era criança ela sempre dizia que o seu sonho era ter um enorme jardim, onde ela pudesse plantar rosas de todas as cores.

Queria ser capaz de realizar os sonhos dela.

Termino de regar as plantas, e vejo Ben do outro lado da rua. Ele dá um tchauzinho e eu não tenho outra escolha se não responder.

Noto que ele pretende vir até mim e me apresso em entrar batendo com a poeta praticamente na cara dele.

Não quero mais ouvir ele dizendo que gosta de mim nunca mais. Só consigo pensar em como Eden ficaria magoada, se eu se quer pensasse em aceitar o convite dele para sair.

Eu não estou pensando. Eca, ele é como um irmão mais velho.

Me pergunto se ele chegou a falar sobre isso com meu pai. Espero que não, porque na cabeça do meu pai ele é o homem perfeito, e com certeza seria o genro perfeito.

Reviro os olhos fazendo uma careta, indo na ponta do pé na janela espiar se ele já tinha ido embora.

Respiro aliviada ao vê-lo saindo na sua viatura.

Ouço a notificação de mensagem no meu celular e abro vendo a mensagem de Eden dizendo para eu ficar pronto as seis. Aparentemente ela não está chateada.

Aproveito e tento novamente falar com meu pai.

— Bella estou com fome — Tomas diz atrás de mim e dou um pulo assustada.

Como não ouvi ele chegar?

— Com fome? Você não acabou de tomar café da manhã? — pergunto franzindo as sobrancelhas.

— Estou com fome de almoço.

Dou uma gargalhada. Tenho sorte por Tomas não ter nenhuma seletividade alimentar, ele come de tudo e come muito.

— Então o que acha de me ajudar com o almoço? — pergunto e ele dá um sorrisinho concordando.

A geladeira e a dispensa estavam praticamente vazias, mas eu daria um jeito de fazer o suficiente para pelo menos Tomas comer. Comeria as sobras do jantar.

Aproveitaria para ficar Tomas , e depois desenharia um pouco, me distrair para não pensar no sumiço do meu pai. Ele já havia sumido outras vezes e em todas elas estavam em encrenca. Ele parecia tão feliz com o emprego novo, eu não devia ter criado expectativas.

***

Precisava de sapatos novos. Os scarpins da minha mãe estavam machucando os meus pés. A pequena caminhada até a casa de Eden e Silvie foi o suficiente para deixá-los com calos e latejando. De acordo com Eden, o ligar onde iremos trabalhar essa noite é extremamente chique e não dá para eu trabalhar com tênis ou sandálias sem salto usando o uniforme. E não sou nem boba de não a ouvir, quanto mais chique o evento, mais eu ganho.

Martha ficaria com Tomas até que ele dormisse.

Depois de ontem não iria nem cogitar pedir algo a minhas irmãs. Elas se quer notaram a falta da presença do nosso pai. Também elas só falavam com ele para pedir dinheiro ou ofendê-lo.

Avisto a casa das minhas amigas e tento caminhar mais rápido, mas não obtenho sucesso e quase me espatifo no chão.

Chego na porta, a van que usam para ir para os eventos está estacionada, espero que não esteja atrasada.

Envio uma mensagem para as meninas e me sento na calçada tirando os sapatos para ter um alívio momentâneo, ainda precisava me trocar e colocar o uniforme que usaria durante o trabalho.

Estou cansada. Se meu pai tivesse voltado para casa, eu até pensaria na possibilidade de ficar em casa e descansar, mas agora se quer tenho certeza de que ele ainda tem trabalho. Temia ter que tirá-lo de algum problema, e justo agora que estamos quase sem nenhum dinheiro.

***

O local onde iriamos trabalhar era completamente afastado. Era uma espécie de castelo medieval, em uma estrutura de pedra, consigo imaginar o quanto aquele lugar deveria ser lindo durante o dia. Sempre fui encantada por esse tipo de arquitetura.

As vezes passa pela minha cabeça o desejo de ter nascido na época em que castelos, carruagens e espartilhos, mas daí me lembro que a mulher não era tratada com o mínimo de respeito, que não tinha privada e o quanto espartilhos parecem ser são desconfortáveis, o desejo para em um piscar de olhos. Os séculos passados só são bonitos nos romances de época.

O deslumbre pelos séculos passados que Julia Quinn construiu Diana Gabaldon destruiu. Mesmo assim sigo amando Outlander.

Prefiro encontrar o meu príncipe nesse século.

Assim que entro na cozinha do lugar, quase caio para trás, nunca vi algo tão magnífico. Tenho certeza de que só a cozinha é maior que toda minha casa.

— Esse lugar parece o castelo do drácula! — Silvie faz uma careta, ajeitando a gola da camisa.

— Meninas fique na cozinha. Só saiam daqui quando for solicitado — Penélope mãe das meninas diz em uma expressão fechada.

Eden me toca com o ombro, me fazendo olhar para ela.

— Eu disse que eles são estranhos.

— Não vamos ter servir? — a pergunta de Silvie soa como uma comemoração.

— Eles terão pessoas para isso — Penélope responde e vejo algumas mulheres vestidas em sensuais lingeries pretas de renda, todas pareciam ter saído de um desfile da Victoria Secrets, ao todo são dez, não conseguiria dizer qual delas é a mais bonita.

Um milhão de perguntas fervilham na minha cabeça, e não posso negar que estou um pouco assustada.

— As garotas irão servir as bebidas — Penélope se dirige às moças e enquanto Arturo o pai das meninas e seu marido tenta controlar uma crise de tosse, depois de levar um olhar fuzilante da esposa.

Elas iriam servir as bebidas seminuas? Que tipo de evento é esse?

— Sim! — Eden diz baixinho.

— O que?

— O que você pensou. Elas vão servir as bebidas “assim” — frisa o assim. Com tanto tempo De amizade criamos uma conexão que as vezes sabíamos o que a outra pensava.

Abro a boca e não faço menção nenhuma de fechá-la ou disfarçar meu espanto.

— Eu disse que são excêntricos — dá de ombros.

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