Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla correu e trancou a porta do quarto. Se ele entendesse, saberia que com ela, não dormiria, além de ter estranhado pois ele nunca a machucou.
Mas Leon foi atrás, quando chegou na porta e girou o trinco viu que estava fechado, gritou revoltado, mas desceu e ficou na sala. Ligou a TV e acabou dormindo ali. No dia seguinte seria um churrasco na casa da prima que casou e depois ela seguiria para a lua de mel com o esposo. Leila não queria ir e Leon foi chamar por ela que não tinha saído do quarto ainda. - Leila, temos o churrasco. Esqueceu? - Leon, eu estou cansada, não vou a lugar nenhum. - Abre essa porta, preciso de roupas. E você vai sim, senão vão ficar enchendo o meu saco lá, e vão te ligar também. A gente não pode ficar assim Leila. Eu sei que ontem agi mal, abre e vamos conversar. - Você inventa uma desculpa e ninguém vai achar nada. E nem vem com essa agora. Foi você quem quis assim. Ela levantou e abriu a porta para ele. - Pega a sua roupa e sai. Quando Leon entrou a viu só de camiseta e calcinha, ficou excitado pois na verdade ele sentia muito desejo por ela, estava distante, mas isso não mudou. Foi até Leila, a encurralando sentada na beirada da cama. - Vamos namorar um pouco Leila. Depois tomamos um banho juntos e vamos para casa da tia Margarete. - Sai Leon, tá maluco? Eu não tô afim nem de sexo e nem de ir para casa da sua tia. Me deixa em paz. - Você nunca me recusou Leila. Depois você reclama. Olha aí, como está tudo bem entre a gente? Nem ficar comigo você quer mais, depois não reclama. - Não reclama de que? Você não acha que já pensei que tem outras? Faça me o favor Leon. Tem tempo que não me procura e vem com essa agora. Eu não vou ser a sua privada mais não. - Eu nunca trai você. Não pode dizer uma coisa dessas. E eu nunca tratei você como uma privada. De onde tirou isso? - Eu sei que eu nunca traí você. Você vem quando dá vontade, abre as minhas pernas e ... Cansei, Leon. - Que palavras são essas Leila? Você nunca foi disso. - Talvez porque nunca precisou dizer nada. Mas me responde, eu tô mentindo? Quanto tempo tem que você me procurou? Mas eu? Quando eu neguei fogo a você? Nunca! Nem nessa sua procura quando você bem quer. Leon sai e me deixa em paz. Ele pega uma roupa e sai batendo a porta. Ficou chocado com as palavras dela e se sentindo ofendido. Ela chora no travesseiro e adormece novamente. Leon foi para a casa da tia sem ela, mas chegando lá todos perguntaram por Leila, que foi obrigado a ligar e dizer a ela que estavam reclamando por que não foi e foi quando a sogra veio buscar Leila. Ela não teve escapatória. O som do churrasco, as risadas e o estalar da carne na brasa tornaram-se um ruído branco e distante. Leila caminhava em direção ao grupo de homens para buscar um prato, mas parou atrás de uma pilastra quando ouviu a voz de Leon, alterada pelo álcool e pelo ressentimento. - Se ao menos tivesse me dado um filho, talvez a gente estava resolvido. Leon disparou para um dos primos e amigo, com uma frieza que congelou o sangue de Leila. - Mas nem isso a Leila me deu. E agora fica me ofendendo, dizendo que não a procuro mais... trato como privada mesmo. Leila sentiu como se o chão tivesse desaparecido. Não era apenas a grosseria da última frase, era a crueldade de transformar a dor mais profunda da vida dela, a perda do bebê e a luta física para engravidar em uma "falha de entrega". Ele não falava de um filho como um fruto de amor, mas como uma mercadoria que ela não fora capaz de fornecer para "resolver" o casamento. Por alguns segundos, Leila ficou imóvel. As memórias das consultas médicas, das injeções, do luto silencioso e das noites em que ela chorava sozinha enquanto ele trabalhava passaram como um filme de terror. O desrespeito de ser chamada de "privada", de ser reduzida a um objeto descartável por não ser mãe, foi o estalo final. Ela não recuou. Em vez de fugir para chorar no banheiro, Leila deu um passo à frente, saindo de trás da pilastra e entrando no círculo de conversa. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Os primos de Leon baixaram os olhos, envergonhados pela baixeza que acabaram de testemunhar. - Leon... Repete, Leon. A voz dela soou num tom tão baixo e firme que cortou o ar como uma navalha. - Repete na minha frente o que você acha que eu não "te dei". - Meu filho... Dessa vez a mãe dele chegou. - Leila, mãe... Leon empalideceu, o copo tremendo levemente na mão. Ele tentou buscar o refúgio da arrogância, mas o olhar de Leila agora era o de uma mulher que já não tinha nada a perder. - Você estava ouvindo atrás da porta agora? Ele tentou atacar, a voz falhando. - Eu estava apenas desabafando sobre como as coisas... - Desabafando? Leila o interrompeu, dando um passo em sua direção. - Você me culpou pela nossa perda. Você me reduziu a um nada e que falhou, enquanto eu carregava o luto por nós dois. E ainda tem a coragem de me desumanizar dessa forma para os outros? Ela olhou para os homens ao redor, que se dispersaram rapidamente, deixando os dois sozinhos e a mãe dele sem acreditar no que ouvia entre eles, sob o sol do meio-dia. - Por quinze anos, Leon, eu protegi a sua imagem. Eu segurei a barra desse casamento enquanto você se escondia atrás de viagens e sonhos profissionais. Mas hoje, você não apenas me ofendeu. Você matou o último resto de respeito que eu tinha por você. O "depois" que você tanto prometeu acabou de chegar, Leon. E ele não tem lugar para você. Leila virou as costas sem esperar resposta. Pela primeira vez em quinze anos, o peso que ela carregava não era de tristeza, mas da liberdade de quem finalmente viu a face real do monstro que tentava agradar. Depois resolver deixar um recado com ele: - Leon, meu sonho é ser mãe, se não pude realizar com você não foi permissão de Deus. E graças a Ele por isso porque filho não segura casamento. - Leila, espera. Não é assim... Eu, eu...






