Ponto de vista de Janice
Acordei às duas da manhã depois de ouvir o que parecia ser uma voz do lado de fora, quase como alguém gemendo. Meu primeiro pensamento foi na tia Miranda. Fiquei imaginando se o som vinha dela, então saí da cama imediatamente.
Quando abri a porta, porém, percebi que os gemidos não vinham do andar de baixo. Vinham do quarto de Roman. A porta estava novamente entreaberta, o que me permitia enxergar parcialmente o interior.
Na mesma hora, desconfiei do que ele estava fazendo. Provavelmente estava fazendo aquilo de novo. O que eu não conseguia entender era por que ele faria isso a essa hora. Eram duas da manhã.
Aproximei-me devagar do quarto e espiei pela abertura. E, de fato, vi exatamente o que ele estava fazendo.
Ele estava completamente nu. Dessa vez, em vez de estar deitado, estava em pé ao lado da cama, com o celular em uma das mãos.
O tamanho do pênis dele era absurdo visto daquele ângulo. Como estava de pé, eu conseguia enxergá-lo por inteiro. Veias grossas saltavam ao longo do membro, e a cabeça estava avermelhada.
— Aahhh... Ooohhh... Merda...
Ele parecia sentir um prazer enorme enquanto se masturbava.
Tentei ver o que estava passando no celular dele. Minha visão era boa, então estreitei os olhos e me concentrei na tela. Parecia que ele estava assistindo a um vídeo de uma mulher se masturbando.
Uau. Então era isso que ele fantasiava quando queria se satisfazer.
Como eu já tinha começado a assistir, decidi ficar até o fim. Pelo jeito que ele estava agindo, imaginei que já estivesse fazendo aquilo havia algum tempo.
Observei Roman atentamente. Mesmo sem uma única peça de roupa, ele ainda mantinha a mesma postura forte e imponente de sempre. Suas nádegas eram grandes e firmes, e sua postura fazia com que ele parecesse quase um modelo, mesmo estando apenas em pé ao lado da cama.
— Porra, isso é tão bom... Ohhh... Ahhh...
— Preciso transar com uma mulher... Mas por enquanto, vou ter que me virar com a minha mão... Ahh...
Então era assim que os homens se masturbavam. Pelo visto, eles realmente falavam e gemiam quando estavam sentindo prazer.
Roman estava incrivelmente vulgar. Era quase inacreditável. Quando estávamos juntos, ele se comportava de maneira tão correta, mas, quando ficava sozinho no quarto, falava como um verdadeiro pervertido. Era óbvio que estava desesperado para ter uma mulher.
— Eu vou gozar, vou gozar... Ohh... Merda... Porra... Ohhh... Ahhh...
À medida que se aproximava do orgasmo, sua mão se movia cada vez mais rápido pelo pênis. Um instante depois, o sêmen se espalhou pelo chão do quarto.
De novo, era uma quantidade enorme. Parecia até que ele tinha feito xixi no chão. Ele sempre ejaculava uma quantidade absurda quando se masturbava. Era loucura.
— Porra, finalmente gozei. — Disse ele enquanto pegava alguns lenços de papel.
Primeiro, limpou a ponta do pênis. Depois, pegou a cueca boxer que havia tirado no outro dia e a usou para limpar o chão. Ela já estava cheia de sêmen.
— Está na hora de me arrumar. Ainda preciso chegar cedo ao trabalho porque estamos sem pão. Mal consegui dormir. — Murmurou enquanto continuava limpando o chão.
Ele parecia completamente acostumado a falar sozinho.
Naquele momento, voltei silenciosamente para o meu quarto. Caminhei o mais devagar que pude e fechei a porta com cuidado para que ele não me ouvisse.
Deitei na cama, atordoada.
Será que ele quis dizer que tinha acabado de acordar ou que ainda nem tinha ido dormir?
Então, às vezes, ele ia para a padaria cedo assim. Pensando bem, fazia sentido. Ele precisava preparar e sovar a massa antes da manhã, porque as pessoas já estavam comprando pão no mercado àquela hora.
Pouco depois, ouvi os passos dele pelo corredor.
Provavelmente estava descendo para tomar banho. Não havia banheiros no andar de cima. Um ficava em frente à sala de estar, enquanto o outro ficava ao lado da cozinha.
O que me frustrava era que, mais uma vez, eu parecia não conseguir impedir meu corpo de tomar suas próprias decisões.
Antes que eu percebesse, já havia saído da cama e deixado meu quarto novamente.
Meus pés me levaram até o quarto de Roman. Assim que cheguei, olhei para a cama e avistei os lenços que ele havia usado para limpar o pênis. Peguei-os e voltei depressa para o meu quarto.
Tranquei a porta atrás de mim, com o coração disparado. Mesmo sabendo o quanto aquilo era tolice, ainda me sentia nervosa com o que tinha feito.
Eu não conseguia mais resistir.
Levei o lenço ao rosto e senti o cheiro do sêmen de Roman enquanto ainda estava quente.
Era tão estranho. Por que o cheiro dos fluidos dele era tão agradável para mim? Outras pessoas provavelmente achariam aquilo fedido, mas para mim, era diferente.
Eu adorava aquele cheiro.
Mesmo depois de me deitar novamente, não conseguia parar de cheirar o lenço. Era quase como se eu tivesse ficado viciada no cheiro do sêmen de Roman.
Eu ainda era normal ou havia alguma coisa errada comigo?
Acabei adormecendo com o lenço ainda na mão.
Quando acordei, o despertador do celular estava tocando. Levei um susto ao perceber que o lenço que eu segurava havia grudado na minha pele. O sêmen de Roman havia secado durante a noite e colado parte do lenço à minha mão.
Levantei-me, retirei o lenço e joguei-o no lixo. Depois, me arrumei e desci para tomar banho.
Tia Miranda ainda estava dormindo, então entrei silenciosamente no banheiro, tomando cuidado para não acordá-la.
Tomei um banho rápido, me vesti e fui direto para a cozinha ver se o café da manhã já estava pronto. É claro que não, porque Roman tinha saído cedo.
Olhei na geladeira e nos armários. Então notei algumas bananas que estavam quase passando do ponto sobre a mesa e decidi fazer panquecas de banana para não desperdiçá-las.
Fiz uma boa quantidade para que desse para minha tia e para mim. Também planejava levar algumas para Roman quando passasse na padaria mais tarde.
Pensei que poderia transformar isso em uma rotina e levar alguma coisa para ele comer de manhã. Seria uma pena perder a oportunidade de fazê-lo tomar o café da manhã que eu havia preparado.
Quando as panquecas ficaram prontas, sentei-me para comer e tomei um pouco de café. Depois, coloquei três panquecas de banana em um pote plástico para Roman.
Deixei duas na mesa para tia Miranda, para que ela pudesse comer assim que acordasse. Também deixei leite e água ao lado, para que ela pudesse escolher o que quisesse.
Não pude me despedir dela porque ainda estava dormindo. Saí de casa e tranquei tanto a porta quanto o portão. Seria arriscado deixar qualquer um dos dois destrancado, já que um ladrão poderia facilmente entrar.
Enquanto esperava um táxi, mandei uma mensagem para Roman.
[Vou passar na sua padaria de novo. Estou levando comida para você. Fiz panquecas de banana.]
...
A Virginia Street ficava perto do mercado, então não demorou muito para eu chegar em frente à padaria onde ele trabalhava.
Eu só esperava que ele gostasse das panquecas tanto quanto tinha gostado da carbonara que fiz no dia anterior.