Ponto de vista de Roman
Eram apenas quatro da tarde quando terminamos de fazer os pães, então já estávamos liberados para ir para casa.
Eu estava animado porque Janice tinha me contado que ainda havia molho de carbonara na geladeira. Ela disse que eu poderia cozinhar mais macarrão, já que ainda tinha massa no armário.
Quando cheguei em casa, encontrei Miranda sentada, tomando sopa.
— Ah, quem te deu isso? — Perguntei assim que entrei em casa.
Aproximei-me dela e dei um beijo em sua testa.
— Ken acabou de sair. Ele trouxe essa sopa para mim e ficou comigo desde uma da tarde até agora. Só foi embora porque precisava passar no mercado. — Respondeu ela, com a voz fraca.
— Esse seu amigo é realmente muito gentil. Ele já arrumou um emprego para Janice e ainda veio aqui cuidar de você. — Disse, elogiando Kendall.
Apesar de ter uma quedinha enorme por mim, ele claramente também se importava muito com a melhor amiga.
— Esse meu amigo é insubstituível e único, Roman. — Disse Miranda, sorrindo.
— Fique aí. Vou preparar um pouco de macarrão. Janice me disse que ainda tinha molho. Gostei muito da comida que ela fez. Tinha exatamente o mesmo sabor da comida que minha falecida mãe costumava preparar.
Uma expressão de surpresa surgiu no rosto de Miranda ao ouvir aquilo.
— Sério? Que pena! Só agora que eu perdi o paladar você finalmente encontrou o sabor de carbonara que procurava há tanto tempo, como tudo tem gosto de comida estragada, então quase não tenho apetite. — Disse ela, fazendo uma careta.
Mesmo com tudo tendo um gosto horrível para ela, ainda assim se obrigava a tomar a sopa. Estava fazendo de tudo para recuperar as forças.
— Aguente firme, Miranda. Nós vamos passar por isso. — Eu disse enquanto acariciava seus cabelos.
Pelo que ela havia me contado, eu sabia o quanto aquilo devia ser difícil. Agora entendia por que as pessoas com câncer perdiam tanto peso.
Fui direto para a cozinha, tirei o molho de carbonara de Janice da geladeira e o coloquei no fogão. Enquanto o molho esquentava, enchi uma panela com água, acrescentei um pouco de óleo e deixei ferver. Depois, peguei a massa no armário. Não coloquei muita, já que era só para mim.
Depois de quase vinte minutos, estava tudo pronto. Sentei-me à mesa de jantar e misturei o molho à massa fumegante.
Assim que dei a primeira garfada, fechei os olhos. O rosto da minha mãe veio imediatamente à minha mente, junto com as lembranças de quando ela me alimentava quando eu era criança.
Lembrei-me de como ela sempre parecia feliz quando preparava minha comida favorita. Esperei anos para provar uma carbonara assim novamente. De alguma forma, Janice havia conseguido reproduzir exatamente o sabor que eu me lembrava, mesmo que eu não provasse nada parecido desde a morte da minha mãe.
Quando alguém preparava uma comida tão deliciosa assim, eu conseguia acabar com o prato inteiro em cinco minutos.
Depois que terminei de comer, lavei a louça e tomei banho. Depois de passar o dia inteiro sovando massa, eu havia suado bastante.
Quando terminei o banho, planejava passar um tempo com Miranda, mas a encontrei já dormindo. Decidi não incomodá-la, já que ela precisava descansar bastante.
Em vez disso, saí e fiquei um tempo cuidando das coisas ao redor da casa.
Percebi que as plantas do jardim estavam começando a secar, então decidi regá-las. Abri a torneira na lateral da casa e conectei a mangueira comprida. Depois, molhei bem a terra seca ao redor das plantas. Não precisávamos de vasos no jardim, porque tudo crescia diretamente no chão.
Quando me lembrei das verduras e legumes no quintal, fui até lá.
As ramas de batata-doce, as berinjelas, os quiabos, os tomates, as pimentas e os pepinos que havíamos plantado já estavam quase secando. Também tínhamos pés de romã e laranjeiras.
Miranda possuía um terreno enorme, embora a casa em si fosse pequena. Ela ficava no meio da propriedade, e a área de cultivo nos fundos era maior do que a própria casa.
Não havia torneira no quintal, mas tínhamos um grande tambor que coletava a água da chuva que escorria do telhado. A água da chuva era melhor para regar os legumes e outras plantas. Durante a estação seca, porém, dependíamos da água do poço.
Também havia uma bomba manual e um poço na extremidade da propriedade de Miranda. Às vezes, tirávamos água dali quando Miranda lavava roupa. Mas paramos de usar depois que ela ficou fraca de repente, então fiquei me perguntando se o poço também poderia ter secado.
O tambor não tinha água suficiente, e eu ainda precisava regar as árvores, então tentei usar a bomba.
Primeiro, coloquei um pouco de água na abertura de cima para preparar a bomba. Continuei acrescentando água enquanto movimentava a alavanca, o que ajudava a puxar a água do poço.
Depois de um tempo, finalmente começou a sair água pelo bico, caindo no balde que estava embaixo. Sorri ao perceber que a bomba ainda funcionava.
Continuei até terminar de regar as laranjeiras e os pés de romã.
Assim que terminei, ouvi a voz de Janice.
— Ela finalmente chegou em casa. — Falei, sorrindo.
Voltei para dentro e ouvi Janice conversando com a tia.
— Sim, todo mundo lá é muito gentil. Hoje mesmo, cheguei a tentar pintar o cabelo de uma cliente. Achei bem fácil. — Contou ela a Miranda, sorrindo.
— O pessoal do salão é gentil. — Respondeu Miranda. — Apenas faça um bom trabalho. Depois de algum tempo lá, talvez o Ken até aumente seu salário.
— Eles estão gostando de mim. Desde que comecei a trabalhar no salão ontem, disseram que estão recebendo mais clientes homens. Alguns até voltam e pedem para retocar o cabelo, então está tudo indo muito bem. — Disse Janice, sorrindo.
Franzi a testa.
— Tome cuidado, Janice. Os homens de Monte Campbell Town podem ser perigosos. Há muitos estupradores por aqui. — Avisei.
Ela imediatamente olhou para mim.
— Ele tem razão. Não saia por aí com esses homens. — Acrescentou Miranda. — É perigoso, principalmente porque você ainda é uma mulher jovem.
Janice era linda e tinha seios grandes. Às vezes, eu me pegava reparando nas curvas do corpo dela. O seu traseiro certamente chamava a atenção dos homens. Eu sabia bem como alguns daqueles idiotas eram.
— Não se preocupe. Vou tomar cuidado. — Respondeu Janice antes de subir para o quarto para trocar de roupa e tomar banho.
Parecia que eu precisava conversar com Kendall e com o restante da equipe e pedir que ficassem de olho em Janice enquanto ela estivesse no salão. Eu tinha uma sensação ruim em relação aos homens que ficavam ao redor dela por lá. Alguns deles já pareciam estar de olho nela.