O visor digital do relógio de pulso marca pouco mais de três horas da manhã. O silêncio que envolve a mansão a esta hora é quase absoluto, quebrado apenas pelo som ritmado e pesado da respiração de Miguel. A luz dourada e fraca do abajur de cabeceira desenha sombras longas nas paredes do quarto, criando uma atmosfera de vigília que eu conheço muito bem. Como médico, passei noites incontáveis em claro pelos corredores dos hospitais, monitorando sinais vitais e enfrentando a incerteza da linha de