Mundo de ficçãoIniciar sessãoO problema não é gerenciar uma pousada assombrada. Mesmo quando o volume de check-in dos hóspedes mortos começa a superar o dos vivos, o complicado, de verdade, é quando uma das asombrações começa a caçar e matar as demais, perturbando o delicado equilíbrio entre a paz dos mortos e a segurança dos vivos. Nessas horas é sempre importante ter à mão o contato de feiticeiros determinados a lidar com o problema - ainda que não sejam exatamente experientes ou poderosos, desde que o resolvam antes que não haja mais ninguém, vivo ou morto, pelos corredores ou nos quartos.
Ler maisJá passava das quatro da tarde quando Daniel tornou a abrir os olhos, sentindo a mudança sutil de temperatura no quarto. Sentou-se, desorientado, acordado de um sonho sensacional. Nele, revelava a Nandini seus sentimentos e os dois selavam a união com o amasso mais quente de que ele se lembrava na vida. Olhou ao redor, confuso. Lena, ainda em sua camisola de duas peças, teclava penosamente em um laptop apoiado no colo. Os dedos enfaixados tornavam a tarefa difícil, além de lenta. – Você deve estar faminto. – Ela comentou, sem tirar os olhos da tela. – Sei porque também estava quando acordei. – Pensa r&aa
Já fazia algum tempo que o sol despontara no horizonte. Os raios majestosos banhavam a praia das Emanuelas e faziam o mar longínquo cintilar como o brilho de milhares de cristais sobre a sua superfície. Do terraço da Bombordo, pousada notavelmente assombrada e fechada havia meses, era possível sentir a brisa marítima, salgada e oleosa de maresia. Daniel observava a área dos chalés sentado na beirada do parapeito raso. Lá embaixo conseguia distinguir Laura, que cambaleava aos prantos, e Lena, que tropegava exausta, ajudadas por Igor, em direção ao chalé vinte e oito. Ao seu lado, também sentada na mureta, uma menininha bonita de longos cabelos escuros que bailavam ao sa
– Eu não esperava encontrá-los aqui. – Mercedes dizia, com o cano da arma apontado para o peito de Daniel. – Não importa, a essa altura. Está tudo quase pronto. Entrem, os três. Não tentem nenhuma bobagem, ou eu juro por Deus que os mato. Mercedes parecia ter passado por maus bocados. Estava descabelada e suja. Seus olhos, encovados, pareciam à beira da insanidade. Enquanto os três se espremiam no canto oposto do chalé, ela abria o pingente da correntinha de Laura com uma das mãos, mas não desviava a atenção deles. – O que está acontecendo aqui, Mercedes? – Daniel perguntou. – Você não precisa nos ameaçar, nós viemos ajudar. – Sei que um d
– Nossas opções são bastante limitadas. – O feiticeiro comentou, sentado junto com Nandini no tapete do saguão. – Na forma em que estou serei de pouca ou nenhuma ajuda. – Você foi uma ajuda do caralho derrubando a adega no porão. – Nandini agradeceu. – Sem você eu não teria saído de lá viva. – O problema é que isso me custou muito da força que eu ainda tenho. – Ele explicou, mostrando a mão que já começava a empalidecer. – Não posso fazer nada daquele tipo novamente. Preciso de um corpo. Preciso daquele seu amigo médium. – O Daniel? – Nandini perguntou. – Ele não incorpora. Fala, escuta e até expulsa.





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