Mundo de ficçãoIniciar sessãoEvangeline
— O senhor quer que eu me case com o seu filho? — pergunto, totalmente surpresa. Eu sei que Jorge sempre gostou de mim, mas nunca imaginei que ele me faria uma proposta dessas. — Você é a mulher perfeita para o Danilo. Aquela Megan só está de olho no dinheiro dele. Eu te dou um ano para conquistar o meu filho. — Jorge, o Danilo não me ama. Ele só me vê como uma patricinha falida, sem conteúdo nenhum. — O Danilo precisa de uma mulher de verdade ao lado dele. Eu tenho certeza de que, em quatro meses, ele ficará aos seus pés. Meus olhos brilham ao imaginar Danilo e eu casados. Eu grávida de gêmeos, e ele todo bobo, atendendo todos os meus desejos de grávida. — Tudo o que eu mais quero nessa vida é ser esposa do Danilo, mas ele não me enxerga. Digo e solto um suspiro triste. Para o meu amor, eu sou só uma pirralha chata e fútil. — Por favor, não desista do meu filho. Só você pode fazê-lo feliz. Lute por esse amor. Aquela vadia vai ser a ruína dele. — Eu... posso pensar? — Claro... Mas seja rápida. O Danilo vai pedir Megan em casamento no baile de máscaras. Ele diz e coloca a mão no peito. Levanto e o encaro, preocupada. — Jorge, você tem ido ao médico? Como está sua saúde? — Eu estou bem, Eva. A minha hora está chegando. — Não fala mais isso. Você ainda é jovem, vai viver muito. Vou fazer um chá, fique deitado. Digo e o ajudo a levantar. Faço o chá e espero ele adormecer. Já de volta em casa, dou de cara com o senhor Rodrigues. Ele lambe os lábios de uma forma nojenta e fica me olhando com um olhar predador. Homem nojento. — Eva, meu amor, como você está? — Estava bem antes de te ver. Ele ri, e sinto um cheiro de peixe podre saindo da boca dele. Eca. — Eva, seja gentil com o senhor Rodrigues. Ele veio nos ajudar. A despensa estava quase vazia. Graças a ele, vamos comer bem. Silvia surge na sala com um creme azul no rosto. — Eu tenho o meu salário e o dinheiro dos bolos de pote que vendo. Se você não gastasse o dinheiro que não tem com besteiras, a despensa estaria cheia. — Eu não nasci para comer sardinha frita e mortadela no lugar do presunto. Reviro os olhos e me movo. Mas Silvia agarra meu braço. — Deixe de ser mal-agradecida, garota. O senhor Rodrigues veio te ver. — O problema é dele. — Eva, meu docinho, eu sou um homem rico. Posso te dar tudo o que você quiser. Fique comigo. Me liberto do aperto da Silvia e encaro o homem gorducho, com poucos fios na cabeça, com vontade de vomitar. — O que a sua esposa acha disso? — Ela está muito velha, não consegue mais foder. Eu sou homem, tenho necessidades. — Para mim, você é um sem-vergonha. Eu não estou à venda. — Deixa de ser burra, garota. Sou o único que pode te salvar da miséria. — Obrigada, mas não estou interessada. Por que não fica com essa bruxa? Ela é perfeita para você. Digo, apontando para Silvia, que fecha a cara. — Olha, eu tive um dia muito cansativo. Subi o morro de salto para saber por que uma criança de sete anos não frequenta a escola. Vou dormir. Se quiserem se pegar, façam isso de forma discreta. Digo e me dirijo para o meu quarto. — EVANGELINE! Tranco a porta, tiro os meus sapatos e me jogo na cama. Fecho os olhos, me rendendo ao cansaço. — Dona Evangeline, chegou uma encomenda para a senhora. Acordo com Ritinha batendo na porta. Me levanto e solto um bocejo. Abro a porta e vejo ela segurando uma rosa branca e uma caixa de chocolates suíços, os meus favoritos. Sorrio, encantada. — Pode pegar alguns para seu filho. — Obrigada, você é muito generosa. Ela me entrega um bilhete. Leio em voz alta: — Eva, eu sei que essa data é difícil para você. Espero que essa rosa branca e esses chocolates acalmem um pouco o seu coração. Danilo me dá rosas brancas e chocolate suíço todo ano na data em que meu pai se suicidou. Sei que ele faz isso por pena. Mas meu coração tolo gosta de se iludir. — Rita, a cobra pagou o seu salário? — Só a metade... — Olha, você precisa arrumar outro emprego que pague bem. Você tem um filho pequeno. — Eu vou fazer isso amanhã mesmo. Você vai ficar bem? Aumento o sorriso. — Eu vou me mudar dessa casa... Vou me casar. Digo e dou pulinhos de alegria. — Parabéns, Eva. — Obrigada. Eu preciso fazer uma ligação. Falo e pego meu celular, que está em cima da penteadeira. Jorge logo atende. — Jorge, eu aceito me casar com o seu filho! Não vou poupar esforços para conquistar o homem da minha vida! — Que notícia boa, Eva. Tenho certeza de que o Danilo vai ser feliz ao seu lado. Vou falar com ele agora mesmo. — Eu vou em busca do vestido perfeito para o baile. Tchau, meu amigo. Digo e encerro a ligação. Tomo um banho com água gelada. Já estou me acostumando. Em seguida, visto uma roupa, passo perfume e faço uma maquiagem simples. Pego a minha bolsa de couro falso. E saio de casa. Tem um brechó aqui perto que vende vestidos lindos e baratos. Danilo — O senhor perdeu o pouco juízo que tinha? Eu não vou me casar com aquela mulher sem graça. Sou comprometido com a Megan, é ela que eu amo. Jorge revira os olhos. — Se não casar com a Eva, a empresa da sua mãe nunca vai ser sua. Cerro os punhos. — Você está me chantageando? Pensei que tinha mudado. — Essa é a minha condição. É pegar ou largar. Esse homem não cansa de estragar a minha vida. Preciso fazer isso pela minha mãe. — Ok, você venceu. Vou me casar com aquela patricinha chata. — Ótimo. Ela terá um ano para te conquistar. — E, quando o prazo acabar, você vai me dar a empresa da minha mãe? — Sim, pode confiar. A Megan vai me matar.






