Evangeline
O vestido azul elegante molda o meu corpo com perfeição. Ele tem um estilo clássico que me lembra um pouco o vestido da Cinderela.
A máscara prateada deixa o meu visual ainda mais perfeito.
Sou uma sovina.
Se eu contar que este vestido custou só 160 reais, não vão acreditar.
O tecido é muito bom.
E pensar que compram vestidos iguais a esse por mil reais.
Eu sempre gostei de moda.
Moda não é vestir a roupa mais cara e cobiçada do momento.
A roupa pode ser de um brechó ou de uma loja chique, tanto faz. O importante é você se sentir bem e saber usar os acessórios que valorizam a sua beleza. Um penteado bonito, uma maquiagem e pronto. Já está na moda.
Gosto de trazer tendências dos anos 90 para o meu guarda-roupa.
Coloco a máscara, pego uma bolsinha que comprei há algum tempo e saio do quarto.
Sílvia está largada no sofá vendo um programa de fofocas.
— Para onde vai?
— Não é da sua conta.
— Me respeite, pirralha. Eu praticamente te criei quando a sua mãe morreu.
Solto uma risada amarga.
— Você nunca foi mãe e nunca vai ser. E eu não estou falando isso porque você é estéril. O seu coração é seco. É incapaz de amar alguém.
— Sua vadia ingrata! Eu deveria ter te jogado em um colégio interno quando tive a chance.
Diz e se levanta.
— Essa casa está no meu nome. Se quiser continuar aqui, vai ter um caso com o senhor Rodrigues.
— Eu não vou mais morar aqui. Vou me casar com o Danilo.
Ela ri.
— Você é iludida. Se olha no espelho. O Danilo Cavalcanti nunca vai te olhar como mulher. Nunca.
— Tchau, cobra.
Saio da casa.
E entro no carro.
Jorge mandou o motorista me buscar.
Logo chegamos à mansão do meu futuro sogro.
O salão de festas está repleto de pessoas. Mulheres com vestidos elegantes e homens de terno, todos de máscara.
Assim que vejo Danilo, um sorriso nasce em meus lábios.
Aceno para ele.
Meu noivo me ignora e se afasta.
Meu coração dói.
Mas eu sei que isso vai mudar.
— Minha nora querida. Você está linda, parece uma princesa.
Jorge surge no meu campo de visão.
— Obrigada, Jorge. Você está muito bonito nesse terno.
— Venha, vamos dançar um pouco.
Sorrio e aceito.
Dançamos duas vezes.
Ele me conta sobre como era a vida antigamente.
— Jorge, você contou para o Danilo? Ele não está nada feliz.
— Ele vai casar, Eva. Não se preocupe. Um dia ele vai me agradecer.
Espero que esse plano maluco dê certo.
Danilo
Que mulher cínica.
Eu nunca gostei da Evangeline, mas não sabia que ela era tão falsa e gananciosa.
Golpista...
Sempre que ela vem falar comigo, eu saio de perto.
Megan me olha com expectativa.
Me sinto um mau-caráter...
Meu amor não merece sofrer.
— Querido, meus pais estão com pressa. Me peça em casamento logo.
Megan diz, tocando no meu ombro.
Meu pai surge do nada e puxa meu braço.
Os músicos param de tocar.
— Pessoal, o meu filho vai fazer um pedido especial para uma mulher digna.
Megan sorri.
— Pai...
— Agora...
— Desculpa, Megan.
Ela me olha sem entender.
Me aproximo da Eva, me ajoelho e pego a caixinha de veludo azul.
— Evangeline, quer casar comigo?
Os olhos dela brilham ao ver o anel de diamantes.
Interesseira.
— Sim, meu amor. Eu sempre quis ser sua esposa.
Coloco o anel no dedo dela e me levanto.
— Ótimo. Vamos nos casar amanhã, aqui mesmo.
— Amanhã? Mas e o vestido, os padrinhos, o bolo...
Não deixo ela terminar.
— Eva, eu não te amo. O nosso casamento é apenas um negócio. Eu ganho a empresa da minha mãe e você ganha uma vida de madame.
Uma lágrima falsa rola pela face dela.
— Danilo, eu te amo desde menina. Por favor, não me trate assim.
Essa mulher deveria ganhar um Oscar.
— Quase me convenceu. Já pensou em ser atriz? Olha, eu sei que você vai tentar me conquistar, mas não vai funcionar. A mulher que amo e sempre vou amar é ela.
Digo apontando para a Megan, que vem furiosa na nossa direção.
— Que porra é essa, Danilo? Você fez isso para me humilhar?
— Megan, eu vou me casar com Evangeline por causa de um acordo que fiz com o Jorge.
— Eu não quero saber. A mulher que você ama sou eu. Escuta aqui, sua sonsa, esse homem é meu, ouviu? Arrume um velho rico, sua puta interesseira.
O rosto de Eva fica vermelho de raiva. Ela ergue a mão e acerta um tapa em Megan.
— A vadia interesseira dessa história é você, meu bem. Se coloque no seu lugar. O Danilo vai casar comigo. Aceita que dói menos.
— Você não tem o direito de bater na minha mulher.
Digo olhando para ela com ódio.
— A sua mulher sou eu. Eu vou pedir para o motorista do seu pai me levar para a nossa casa. Estou cansada de olhar para essa vagabunda.
Diz, olhando para Megan com nojo.
Ela se afasta e meu pai vai atrás.
— Danilo, eu sou a mulher da sua vida...
— Megan, vamos conversar em um local vazio.
Ela concorda.
Fomos para um quarto de hóspedes vazio.
— Então você vai se casar com aquela patricinha sem sal por causa da empresa que era da sua mãe?
Balanço a cabeça, confirmando.
— Querido, você é um bilionário. Não precisa daquela empresa.
— Eu sei, mas eu prometi para minha mãe que iria ter a empresa. O Jorge foi um pai horrível. Ele enganou a minha mãe.
Megan revira os olhos.
— Eu já sei dessa história. O seu pai era um cafajeste que traía sua mãe, a enganou para conseguir a empresa e te culpou quando ela morreu. Meu amor, quem vive de passado é museu. Esqueça essa história e vamos ser felizes juntos.
— Sinto muito... Eu não posso.
— Então me esqueça.