Mundo de ficçãoIniciar sessãoEvangeline
Dia seguinte Depois da tempestade, sempre vem o arco-íris. Diana Medeiros, minha mãe, sempre repetia isso para mim quando eu estava triste. Ontem foi horrível, mas hoje será melhor. O Danilo se importa comigo! Ele pode me amar, disso tenho certeza! Me levanto da cama e fico dançando sozinha como uma tola apaixonada. Paro e entro no banheiro, ligo o chuveiro e tomo um banho. Faço minha higiene matinal, cuido da minha pele e visto um vestido simples e elegante, da cor rosa, de renda, que vai até os meus joelhos. Faço cachos em meus cabelos e decoro meu rosto com uma maquiagem básica. — Tô pronta! Danilo, eu vou roubar seu coração! Me transfiro para a sala de jantar. A mesa está repleta de frutas, pães, bolo, suco etc. — Uau, que belo café da manhã. Vicente surge e sorri de forma gentil. — Que bom que gostou, Eva. O senhor Cavalcanti mandou a cozinheira preparar um café da manhã especial. Ele disse que vai almoçar em casa. Danilo nunca almoça aqui. É a minha chance. — Obrigada, Vicente. Por favor, sente-se e me faça companhia. Não gosto de comer sozinha. — Não. Eu sou um empregado, não é apropriado. Sorrio. — Como a senhora desta casa, eu ordeno que me faça companhia. Digo em um falso tom autoritário. Meu amigo sorri e se senta ao meu lado. Pego um pedaço de bolo de mandioca e tomo café com leite. Vicente come um pedaço de torta de limão. — A minha filha adora torta de limão. Tô com tanta saudade dela. — Por que você não tira um dia de folga para vê-la? — Não é tão fácil assim... — Vocês brigaram? Desculpa se estou sendo muito enxerida. — Sim, nós brigamos... Eva, pode me perguntar o que quiser, mas, por favor, não toque mais nesse assunto. Diz com um semblante triste. — Claro, Vicente. Me desculpa, é que sou muito curiosa. Se você quiser falar desse assunto algum dia, eu vou estar aqui para te ouvir. — Obrigada, Eva. Você é uma mulher excepcional. Sorrio agradecida com o elogio e volto a comer meu bolo. Não vou trabalhar hoje. Avisei que não estou muito bem, mas amanhã eu volto com tudo! Vicente termina e se levanta. — Agora vou ter que trabalhar. Se precisar de alguma coisa, é só me chamar. — Obrigada, Vicente. Ele se afasta do meu campo de visão. Me levanto e decido ligar para meu sogro. — Minha nora favorita! Estava com saudades. Sorrio. Ele está na cozinha. Uma camiseta xadrez e um avental com flores desenhadas cobrem o corpo dele. O rosto dele está sujo de farinha. — Eu sou a sua única nora, Jorge. — Mas, se eu tivesse outra, você ainda seria a minha favorita. Solto uma risada. — Jorge, tenho boas notícias. O Danilo dormiu comigo. Só dormiu mesmo, mas foi tão bom. Conto tudo o que aconteceu ontem. — Não tô acreditando que aquela maldita da sua madrasta te entregou para aquele velho imundo. Não sei o que diabos o seu pai viu nela. Uma mulher feia... Os lábios dela parecem duas linguiças grossas devido ao botox. — O senhor é uma figura. Então, como eu estava dizendo, o Danilo me olhou de uma forma diferente. Acho que tenho chance. — É claro que tem, Eva. Eu não insistiria nesse casamento se não tivesse certeza de que você teria chance. — E agora, o que eu faço? É hilário uma mulher adulta pedir conselhos de como conquistar o marido para o sogro. Mas eu não namorei muito. Na época da escola, tive um namoradinho. Ficamos juntos por dois meses. A gente só se abraçava e beijava. Quando tinha 19 anos, namorei um cara que conheci em um aplicativo de namoro. Mas foi só por três dias. Ele disse que iria voltar com a ex. Tenho 27 anos e continuo virgem. — Mostre ao idiota do meu filho a mulher incrível que você é. — Vou tentar. — Você vai conseguir. Danilo acha que paixão e desejo sustentam um relacionamento. A vadia da Megan nunca iria cuidar dele como você cuidou naquele dia em que o imbecil bebeu. Ela jamais iria fazer bolo, cuidar dele e querer saber como foi o trabalho. — É, o senhor tem razão. Megan só quer o corpo e o dinheiro do meu marido. Ficamos conversando por alguns minutos. Quando a hora do almoço se aproxima, eu corro para a cozinha. Vou preparar uma boa comidinha caseira: arroz bem temperado, feijão tropeiro, carne e macarrão. E, de sobremesa, pudim. Danilo ama pudim. Assim que termino, Danilo chega. O encontro na sala de jantar. — Gostou? É um almoço de agradecimento por você ter me salvado ontem. — Eva, não precisava. A cozinheira podia ter feito o almoço. — Eu quis fazer. Experimenta. Fiz com todo o amor e carinho. Ele sorri e se senta. Ao levar a primeira colher da comida à boca, ele geme de satisfação. — Hum... Tá muito bom. — Que cheiro maravilhoso! Cheguei na hora certa. Adriano surge na sala. — Esqueci de avisar. Eu convidei o Adriano para almoçar. — Adriano, que alegria ter você aqui! Digo e o abraço. — Obrigada por ajudar no meu resgate. Você é o melhor amigo do mundo. — É para isso que servem os amigos. Estou aqui para você, Angel. Diz e faz carinho em meus cabelos. — Angel? Me afasto de Adriano e encaro a expressão confusa do meu marido. — Ele me deu esse apelido porque, uma vez, eu impedi uma criança de ser atropelada. A menina me chamou de anjo da guarda. O Adriano estava no local e viu tudo. Às vezes ele me chama desse jeito. — A sua esposa é uma mulher admirável, Danilo. É melhor cuidar muito bem dela. Danilo finge um sorriso e toma um bom gole de suco. Eu e Adriano nos sentamos e começamos a comer. O clima ficou bem estranho. Por vários minutos, ninguém pronunciou uma única palavra. — Então, Adriano, ainda tá fugindo das candidatas da sua mãe? — E você ainda pergunta, Angel? Dona Margarida não desiste. Tenho certeza de que ela arruma aquelas mulheres em algum hospício. É uma mais louca que a outra. Sorrio. Danilo não diz nada.






