Capítulo 7
Antes, bastava Maurício dizer que estava com dor no estômago para Maitê largar imediatamente tudo o que estivesse fazendo e correr para preparar sua sopa medicinal.

Houve até um ano em que ela machucou o braço durante o trabalho e precisou engessá-lo. Mas, mesmo assim, quando Maurício reclamou de dores no estômago, ela mesma preparou a sopa para ele.

Mas agora o estômago dele doía novamente e Maitê apenas virou o corpo, deixando para ele somente suas costas frias e indiferentes.

Uma sensação sufocante apertou o peito dele. Pela primeira vez, ele parecia à beira do colapso.

— Maimai, por que você anda tão fria comigo ultimamente? Você não era assim antes.

Maitê continuou de costas para ele.

— Antes? — Maitê continuou de costas para ele. — Você não vivia reclamando que eu era irritante? Agora eu não te irrito mais, e você ainda está insatisfeito?

Uma única frase foi suficiente para deixá-lo sem palavras.

No passado, Maitê estava sempre ao redor dele. Perguntava onde ele ia, se preocupava com tudo o que fazia. E ele sempre a acusava de ser pegajosa, ciumenta e sufocante.

Mais de uma vez ele a repreendeu:

— Como minha futura esposa, você não pode agir com mais dignidade? Até ciúmes da minha irmã você sente! Não acha isso vergonhoso?

Agora ela finalmente fazia exatamente o que ele queria. Não o seguia mais, nem se importava mais com sua rotina. Então, por que o coração dele parecia estar sendo rasgado ao meio?

— Maimai, eu sei que você ainda está magoada por causa do Biel. — Maurício suspirou. — Acredite em mim. Eu vou te compensar. Ainda temos um longo futuro pela frente, tenho tempo suficiente para fazer você mudar de ideia.

Depois disso, ele se inclinou e beijou delicadamente a testa dela. Em seguida, saiu do quarto.

O que ele não sabia era que, logo após sua partida, Maitê recebeu duas mensagens.

A primeira vinha do cartório civil:

[Sra. Maitê, seu divórcio com o Sr. Maurício foi oficialmente concluído. Favor comparecer ao cartório dentro de três dias úteis para retirar sua certidão de divórcio.]

A segunda vinha da Agência Aeroespacial:

[Professora Maitê, o Projeto Elevador Lunar será oficialmente iniciado amanhã. Por favor, envie sua localização. Organizaremos um veículo para buscá-la.]

Maitê ficou observando aquelas duas mensagens por um longo tempo. Então sorriu. Um sorriso leve, cheio de alívio. Finalmente, o dia de ir embora havia chegado. Mas, antes de partir, ainda havia uma última coisa que precisava fazer.

Ela levantou-se lentamente da cama. Apoiando-se na muleta, caminhou com dificuldade até o quarto de Diana.

Já era tarde da noite e, curiosamente, Maurício não estava lá a vigiando.

Era melhor assim, se ele estivesse presente, tudo seria mais complicado.

Ao vê-la entrar, Diana abandonou imediatamente a fachada frágil de sempre. E lançou um olhar cheio de desprezo para Maitê.

— Maitê, o que você quer aqui? — Diana zombou. — Veio procurar meu irmão? Você é realmente patética. Está toda machucada e, mesmo assim, ele não liga para você. Já eu sofri apenas alguns arranhões, e ele passa noites inteiras ao meu lado sem me abandonar nem por um minuto. Se eu não tivesse reclamado de dor no estômago e insistido para ele cozinhar para mim, ele estaria aqui agora. Você está casada com ele há tantos anos, alguma vez ele cozinhou para você?

Maitê não respondeu. Ela já não se importava mais com pequenas discussões. Só havia uma pergunta que queria fazer.

— Diana, quero saber a verdade. Naquele dia, quando você levou Biel para surfar, ele caiu da prancha por acidente ou foi você quem o empurrou?

Ao ouvir isso, Diana começou a rir.

— Maitê, você realmente quer saber a verdade? Vou logo te avisando que talvez você não consiga suportar.

— Eu consigo. — Maitê cerrou os dentes.

— Haha. Sério? — O sorriso de Diana se alargou ainda mais. — Naquele dia, meu irmão também estava lá. Quando a onda veio, eu e Biel caímos no mar ao mesmo tempo. E sabe o que aconteceu? Meu irmão correu imediatamente para me salvar. Enquanto o seu pobre filho foi levado pelas ondas.

Naquele instante, Maitê sentiu como se cada gota de sangue em seu corpo tivesse explodido. O hospital escuro e silencioso parecia ter se transformado em um matadouro apenas para ela.

Então, Maurício estava lá quando o filho deles morreu.

— Hahaha! Sabe qual é a parte mais engraçada? — Diana ria sem parar. — Meu irmão sabia perfeitamente que eu sei nadar. Mesmo assim, a primeira pessoa que ele escolheu salvar fui eu. No coração dele, você e seu filho juntos nunca foram tão importantes quanto eu.

As lágrimas finalmente embaçaram a visão de Maitê. Mas ela jurou para si mesma que aquela seria a última vez que choraria por Maurício.

Ela secou as lágrimas lentamente. Então virou-se e saiu do hospital, apoiando-se na muleta.

Seus passos eram lentos, mas extremamente firmes.

"Maurício, não existe mais um futuro para nós. Tudo o que nos resta é a promessa de nunca mais nos vermos!", ela pensou.

Maitê pegou um táxi até o cartório civil.

Passou a noite inteira esperando na entrada. Quando amanheceu, finalmente recebeu sua certidão de divórcio. Guardou silenciosamente sua cópia. Depois pediu aos funcionários que enviassem a cópia de Maurício para a mansão da família Ávila.

Quando terminou tudo, o jipe militar enviado pela Agência Aeroespacial já a aguardava do lado de fora.

Ela entrou sem hesitar, pegou o celular e publicou na internet a gravação da conversa que tinha tido com Diana na noite anterior.

Isso mesmo.

Quando foi confrontá-la, Maitê havia ligado discretamente o gravador do telefone.

A morte de Biel tinha sido considerada um acidente. A lei não poderia punir Diana nem Maurício. Nesse caso, que a internet e a moral os julgassem.

Era a última coisa que ela podia fazer pelo filho antes de partir.

Depois disso, Maitê jogou o celular fora.

O jipe militar seguiu estrada adentro, rumo ao céu estrelado e ao mar infinito. E, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que finalmente estava livre.

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