Meu padrasto me observou em silêncio, demorando-se em cada parte do meu corpo. Então pousou a mão sobre o vestido justo.
— Aqui ficou apertado demais. Deixa que eu ajusto um pouco para você.
A voz dele saiu baixa.
Seus dedos se moveram devagar sobre o tecido, tocando lugares sensíveis demais. Um suspiro curto escapou de mim antes que eu conseguisse segurar, e meu corpo inteiro estremeceu.
— Ah... Pai, mais devagar... Faz cócegas.
Minha voz soou quase como um pedido.
Mas meu padrasto não parou. A pressão da mão dele ficou mais firme, mais demorada. Eu não sabia o que fazer, presa entre a vergonha, o medo e uma sensação quente, perigosa, que eu nem conseguia nomear.
— Minha menina... Está incomodando tanto assim? O papai cuida de você.
A voz dele tinha um tom baixo, íntimo demais. Logo depois, sua mão desceu pelo tecido justo até a barra do vestido.
A saia já era curta, mal cobria minhas coxas. E, depois do que eu havia feito sozinha antes de ele entrar, meu corpo ainda guardava sinais evidentes demais.
Apertei o lençol com força, o coração disparado, morrendo de medo de que ele percebesse.
Bruno notou meu nervosismo. Ainda assim, depois de alguns segundos, soltou a mão.
Ele se inclinou para mais perto e respirou fundo, como se quisesse guardar o meu cheiro. Só então se afastou.
Finalmente consegui respirar.
— Valen, na véspera de Natal, coloque seu vestido mais bonito e venha comemorar seu aniversário comigo. O papai vai preparar um presente especial para você.
Havia expectativa demais naquela frase.
Tentei acalmar a confusão dentro de mim e assenti. Uma parte minha queria se jogar nos braços dele, mas eu sabia que precisava me controlar.
Bruno pareceu satisfeito com a minha resposta. Antes de sair, ainda me tocou de leve, num carinho breve, íntimo demais para ser inocente. A mão grande dele deixou um arrepio estranho espalhado pela minha pele.
Quando ele saiu do quarto, desabei sobre a cama.
Levei os dedos aos lábios sem perceber, ainda presa à sensação daqueles poucos minutos. Meu corpo continuava trêmulo. Apertei o lençol entre as pernas e me virei de um lado para o outro, tomada por uma inquietação quase insuportável.
Era como se eu estivesse prestes a ser engolida por um desejo que não deveria existir.
A presença do meu padrasto, o corpo forte, os músculos discretos marcados sob a roupa, tudo voltava à minha cabeça sem parar.
Balancei a cabeça, tentando recuperar o juízo.
Como eu podia pensar daquele jeito no meu próprio padrasto?
Aquilo era errado demais.
Nos dois dias seguintes, fiz o possível para evitar meu padrasto.
O que havia acontecido naquela noite já tinha sido vergonhoso o bastante. Pior ainda era o desejo que eu não conseguia controlar sempre que ele aparecia diante de mim.
Então chegou a véspera de Natal.
Ao me lembrar da promessa que fizera a ele, mordi o lábio e vesti o vestido vermelho.
— Esse vestido é provocante demais...
Fiquei parada diante do espelho, olhando para a minha própria imagem.
Eu havia crescido sem mãe. Fora meu padrasto quem cuidara de mim, quem me criara. Por isso, durante muitos anos, ele tinha sido o mais próximo de um pai de verdade.
Arrumei-me com cuidado. O vestido justo desenhava meu corpo inteiro. Para deixá-lo ainda mais sensual, dispensei até os protetores adesivos e usei apenas uma calcinha fio-dental por baixo.
Quando saí do quarto, meu padrasto já havia preparado um jantar farto e algumas garrafas de vinho.
Assim que me viu, abriu os braços e me puxou para perto com entusiasmo. O abraço dele era forte, quente, carregado de uma presença masculina que me deixou sem fôlego. Meu coração acelerou na hora.
— Hoje a Valen finalmente virou adulta. Agora já pode beber comigo.
Enquanto falava, meu padrasto me conduziu até a mesa. A mão grande dele roçou de leve no meu quadril, e um som baixo escapou da minha garganta antes que eu pudesse impedir.
Meu rosto ardeu.
Sentei-me à mesa e encontrei o olhar dele. Meu padrasto me encarava sem disfarçar, como se pudesse tocar cada parte de mim apenas olhando.
— Minha menina... Por que escolheu uma peça tão pequena? Se estiver incomodando, pode tirar.
Corei ainda mais. Minha voz saiu baixa, sem firmeza.
— Foi o senhor que quis ver... Eu só estou fazendo o que você gosta.
Meu padrasto riu baixinho e me puxou para mais perto.
Num instante, fui envolvida por aquele cheiro intenso, masculino, que parecia tomar conta de todo o ar. As mãos quentes dele seguraram minhas pernas e, antes que eu pudesse reagir, ele me trouxe para junto de si.