7 - A Dama de Vermelho

ARES BECKETT

O salão de baile do Hotel Grand Palace estava lotado. Eu segurava meu copo de uísque com força, verificando o relógio pela décima vez com impaciência.

Rubi não havia chegado. Melhor assim. A presença dela seria apenas uma mancha na minha noite.

— Ares, querido — Diana sussurrou no meu ouvido, segurando meu braço. — Esqueça aquela baleia. Ela deve estar em casa chorando sobre um pote de sorvete. Vamos aproveitar a noite.

Eu ia responder, mas, de repente, o murmúrio do salão morreu e todos voltaram sua atenção para a entrada.

Segui o olhar da multidão em direção à grande escadaria.

Meu copo parou no meio do caminho até minha boca.

No topo da escada, havia uma deusa.

Ela usava uma máscara dourada delicada, mas era o corpo que hipnotizava cada homem presente. Um vestido vermelho sangue, feito de um tecido que abraçava curvas perigosas e hipnotizantes. A fenda subia alto, revelando pernas torneadas a cada degrau que ela descia lentamente.

Senti um rebuliço na mente. Uma atração violenta e primitiva, algo que eu não sentia há anos. Meus olhos percorreram todo o seu corpo, o colo exposto e os lábios vermelhos que pareciam um convite ao pecado.

Assim que ela pisou no salão, os homens começaram a avançar como abutres.

Não. Ela não seria de nenhum deles.

Larguei o copo no balcão e, impulsionado por um instinto possessivo, atravessei o salão. Usei meus ombros para empurrar quem estivesse na frente, ignorando a etiqueta para chegar antes de todos.

Quando um idiota estendeu a mão para ela, eu entrei na frente, bloqueando-o com meu corpo. Capturei a mão enluvada da dama de vermelho e a puxei para perto

— Com licença, cavalheiros — falei para a multidão, fuzilando-os com o olhar. — A dama está comigo.

Sem esperar resposta, arrastei-a para longe dos olhares curiosos, guiando-a até uma alcova semi-escura perto das portas da varanda. Encurralando-a contra a parede, apoiei as mãos ao lado de sua cabeça, prendendo-a.

— Quem é você? — perguntei, minha voz rouca de desejo. — Eu conheço cada mulher da alta sociedade, mas nunca vi nada parecido com você.

Ela ergueu o queixo. Os olhos castanhos brilhavam através da máscara com uma intensidade que fez meu sangue ferver.

— O nome importa, Sr. Beckett? — A voz dela era aveludada e provocante. — Achei que homens como você não se importassem com banalidades.

Sorri, encantado com a audácia.

— Tem razão. Nomes são irrelevantes agora. — Inclinei-me, roçando meu nariz no pescoço dela, inebriado. — Vamos sair daqui. Tenho uma suíte reservada na cobertura. Quero você.

Ela soltou uma risada baixa e colocou a mão no meu peito, me empurrando.

— Tão direto... Mas e a sua esposa? Ouvi dizer que Ares Beckett é um homem casado.

Trinquei o maxilar, irritado por ela mencionar aquele estorvo num momento como esse.

— Não fale dela. Minha "esposa" é apenas um erro gordo e lamentável que eu mantenho trancado em casa.

A mulher de vermelho inclinou a cabeça, parecendo curiosa.

— É mesmo? Ela é tão ruim assim?

— Ruim é elogio. — Aproximei meu rosto do dela, desesperado para beijá-la. — Ela é repulsiva. Uma criatura sem graça, obesa e patética. Olhar para ela me dá náuseas. Mas você... — Passei o polegar no lábio inferior dela. — Já você, é uma verdadeira deusa. Eu jamais tocaria na minha mulher, mas com você, eu seria capaz de qualquer loucura. Esqueça que sou casado. Para todos os efeitos, sou um homem livre para te foder agora mesmo e estarei divorciado daquela baleia em três meses.

Ela ficou em silêncio por um segundo. Então, seus lábios se curvaram em um sorriso debochado e frio.

— É bom saber exatamente o que você pensa, marido.

Congelei.

— O quê?

Com um movimento lento, ela levou as mãos às laterais do rosto. Desamarrou a fita de cetim e puxou a máscara dourada, revelando o rosto.

Não... Isso é impossível...

Mas sim, o rosto era mais magro, os ângulos definidos, a maquiagem era linda... mas eram os olhos dela. Eram os olhos da mulher que eu humilhei meses a fio.

Ela sacudiu os cabelos negros, libertando-se completamente do disfarce, e me encarou.

— Prazer, Ares. — disse ela, sorrindo satisfeita. Dei um passo para trás, atordoado. — Sou eu, sua esposa, Rubi Beckett. A criatura repulsiva e patética que te dá náuseas.

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