Eu não dormi. Na verdade, acho que ninguém dormiu.
Em algum momento da madrugada eu devo ter fechado os olhos por alguns minutos, mas toda vez que acordava João ainda estava sentado na poltrona perto da janela, exatamente na mesma posição, olhando para o nada como se estivesse tentando resolver um quebra-cabeça impossível.
O silêncio entre nós dizia mais do que qualquer conversa.
Quando o primeiro sinal de luz começou a entrar pelas cortinas, eu já sabia que nada voltaria a ser como antes