CAPÍTULO 26 — O CHEIRO QUE NÃO ERA DELA

A taça sobre a mesa parecia brilhar de forma quase maliciosa. A luz amarelada da luminária refletia no líquido transparente, criando pequenas manchas luminosas nas paredes estreitas do quarto escondido. Adrian sentiu o estômago revirar. Não era apenas uma provocação — era uma lembrança cruel, um espelho virado contra ele.

“Você bebeu para ela.

Vai beber por ela de novo?”

Ele apertou o bilhete entre os dedos, até o papel amassar.

A mão tremia.

Não era comum Adrian tremer.

Naquela mesma taça — não aquela fisicamente, mas em outra igual, anos antes — Marie havia servido vinho. Um vinho que, na época, ele achou apenas “mais forte do que o habitual”. Hoje, entendia: não era força. Era alteração.

Marie estava sendo envenenada.

Aos poucos.

Silenciosamente.

E ele, sem saber, bebera um gole. Teve febre por dois dias. Achou que era estresse.

Alguém quis derrubá-lo também.

A revelação o percorreu como gelo quebrado dentro das veias.

Respirando pesado, ele deu um passo para longe da taça. Pr
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