A taça sobre a mesa parecia brilhar de forma quase maliciosa. A luz amarelada da luminária refletia no líquido transparente, criando pequenas manchas luminosas nas paredes estreitas do quarto escondido. Adrian sentiu o estômago revirar. Não era apenas uma provocação — era uma lembrança cruel, um espelho virado contra ele.
“Você bebeu para ela.
Vai beber por ela de novo?”
Ele apertou o bilhete entre os dedos, até o papel amassar.
A mão tremia.
Não era comum Adrian tremer.
Naquela mesma taça — não aquela fisicamente, mas em outra igual, anos antes — Marie havia servido vinho. Um vinho que, na época, ele achou apenas “mais forte do que o habitual”. Hoje, entendia: não era força. Era alteração.
Marie estava sendo envenenada.
Aos poucos.
Silenciosamente.
E ele, sem saber, bebera um gole. Teve febre por dois dias. Achou que era estresse.
Alguém quis derrubá-lo também.
A revelação o percorreu como gelo quebrado dentro das veias.
Respirando pesado, ele deu um passo para longe da taça. Pr