Na manhã seguinte, a mansão parecia tentar fingir normalidade. A mesa do café estava impecável, os talheres alinhados, as frutas cortadas, o café fresco preenchendo o ar com um cheiro que deveria significar conforto. Mas nada era confortável ali. Helena andava de um lado para o outro, mais rígida que o normal. Os funcionários cochichavam em cantos discretos, interrompendo as conversas assim que viam Luna.
Elias estava sentado ao lado dela, comendo devagar, como se cada pedaço tivesse que atravessar um nó na garganta. Adrian ainda não tinha aparecido. Luna imaginou que ele estivesse ao telefone, enterrado em ligações com advogados, médicos, talvez até algum policial de confiança. Era isso que um homem como ele fazia diante de um problema: mobilizava recursos. Mas havia algo que ele não conseguia controlar com dinheiro: o medo de um menino.
Luna partiu um pedaço pequeno de pão e colocou no prato de Elias. “Mais um pouco”, disse. “Seu corpo precisa de força pra aguentar tanto segredo.” E