Edgar ficou quieto.
Laura percebeu na hora. Ele tinha aquele jeito particular de se calar quando algo mexia com ele. Ela levantou o rosto devagar, apoiou a mão no peito dele e forçou um ângulo onde ele não pudesse fugir pelo olhar.
— Edgar? — disse, naquele tom dela que equilibrava ironia com cuidado de verdade. — Terra chamando… está tudo bem ou você entrou no modo “homem que pensa demais e fala de menos”?
Ele piscou devagar, respirando fundo.
— Estou bem, sim. — respondeu. Mas a voz não acompanhou as palavras. Nem o olhar.
Laura soltou um riso curto, incrédulo. Ela viu a mentira tão rápido quanto via o próprio reflexo no espelho, mas decidiu não espremer a ferida.
Ainda.
— Beleza. — murmurou. — Então vira.
Ela pegou o sabonete e começou a ensaboar as costas dele com movimentos firmes. A água quente caía pesada, e o silêncio dele ainda estava ali, entalado. Laura sabia de longe, que aquele silêncio tinha história.
Quando apertou forte em um ponto onde estava bastante arranhado, Edgar