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Capítulo 6 — Se estivéssemos sozinhos, Bianca... aquele beijo teria sido apenas o começo.

POV BIANCA

Acordar na cobertura de Julian Thorne era como despertar dentro de um comercial de relógios de luxo: tudo era frio, caro e silencioso. Mas o silêncio durou apenas até eu alcançar meu celular na mesa de cabeceira.

Cinquenta e sete chamadas perdidas. Centenas de mensagens. E lá estava ela, no topo de todos os portais de fofoca: a foto da varanda.

O ângulo era impecável. A luz do luar delineava o maxilar de Julian, a mão dele possessiva na minha cintura e eu... eu parecia estar me entregando a ele como se fosse o centro do meu universo. O título do Page Six gritava: "O PRÍNCIPE E A PLEBEIA: O BEIJO QUE PAROU O MET."

Joguei o celular no edredom de mil fios, sentindo uma queimação no rosto. *Foi só pela foto*, as palavras dele ecoavam como um tapa.

Vesti o roupão de seda e saí do quarto, decidida a confrontá-lo, mas parei no corredor ao ouvir vozes alteradas vindo da sala principal.

— Você perdeu o juízo, Julian? — Era a voz de Vincenzo Thorne, ríspida como o estalar de um chicote. — Essa garota é um fantasma! Não tem histórico, não tem família influente. Isabella está devastada, e os Montgomery estão ameaçando retirar o apoio à fusão.

— Isabella é uma página virada, pai. E os Montgomery vão assinar porque precisam da nossa tecnologia de segurança, com ou sem casamento — a voz de Julian era puro gelo, mas eu conseguia notar a nota de perigo que ele costumava guardar para o ringue. — Bianca é minha escolha. Aceite ou fique fora do meu caminho.

— Uma escolha que custou um beijo público vulgar? Você nunca foi de exibições, Julian. O que ela tem de tão especial? Ou ela sabe algo que não deveria?

Houve um silêncio tenso. Meu coração batia contra as costelas. Será que Vincenzo suspeitava de Ares?

— Ela tem o que nenhuma das mulheres que você escolheu para mim teve — Julian respondeu, e eu podia jurar que ouvi o sorriso cínico em sua voz. — Ela tem a minha atenção. Agora, se me der licença, tenho uma empresa para gerir. Marcus vai acompanhá-lo até o elevador.

Ouvi os passos pesados de Vincenzo e o sinal sonoro do elevador. Esperei um minuto antes de entrar na sala. Julian estava de pé diante da parede de vidro, observando a cidade, ainda usando a calça do terno da noite anterior, mas com a camisa branca aberta e as mangas dobradas, revelando as bandagens que ele usava para esconder os nós dos dedos esfolados.

— Belo show — eu disse, cruzando os braços. — Seu pai parece ter adorado a nossa performance.

Julian se virou. Ele parecia exausto, as olheiras levemente marcadas, o que só o tornava mais irritantemente atraente. Ele segurava um tablet com a mesma foto que eu vira minutos antes.

— Funcionou — ele disse, simplesmente. — As ações da Thorne Security subiram dois pontos com a notícia do "noivado romântico". O mercado gosta de estabilidade emocional.

— Estabilidade? Você me usou como um escudo humano contra o seu pai e sua ex! — Caminhei até ele, a raiva borbulhando. — Aquele beijo... você não tinha o direito.

Julian largou o tablet e deu um passo em minha direção. A aura de "Ares" parecia preencher o espaço entre nós.

— O contrato diz "fidelidade pública", Bianca. E o que é mais público do que um beijo no Met? — Ele parou a centímetros de mim, o cheiro de café e sândalo me envolvendo. — Além disso, não finja que foi um sacrifício. Você retribuiu.

— Eu estava em choque!

— Você estava em transe — ele corrigiu, a voz baixando para um sussurro. — Seus dedos cravaram nos meus ombros. Sua respiração falhou. Se eu não soubesse que você me odeia, diria que você estava implorando por mais.

Levantei a mão para lhe dar um tapa, mas Julian foi mais rápido. Ele agarrou meu pulso no ar com uma facilidade assustadora, puxando-me para mais perto, até que meu peito tocasse o dele.

— Não tente isso de novo — ele avisou, os olhos cinzentos faiscando. — Eu não sou o tipo de homem que aceita agressões, passarinho. Nem mesmo de uma noiva de cinco milhões de dólares.

— Então me solta! — sibiluei, tentando puxar meu braço, mas ele era uma rocha.

— Em breve — ele murmurou, o olhar caindo para os meus lábios. — Mas antes, temos um problema. Aquele fotógrafo no Met... não era um amador. Era alguém que sabia exatamente onde estaríamos. Bruno investigou. A câmera era de alta precisão, equipamento de agência.

Meu coração gelou. Leo? Não, Leo não faria algo assim de propósito para me prejudicar... ou faria? Ele precisava de dinheiro tanto quanto eu.

— O que isso significa? — perguntei, minha voz perdendo a força.

— Significa que alguém está nos caçando. Não apenas pela fofoca, mas para achar uma falha. E por isso, as regras mudaram.

— Mais regras?

— A partir de hoje, você não sai desta cobertura sem Bruno ou eu. E quando sairmos, seremos o casal mais perfeito que Nova York já viu. — Ele soltou meu pulso, mas não se afastou. — E tem mais. Hoje à noite, temos um jantar.

— Outro? Minha cota de luxo já esgotou por uma década.

— Não é um jantar de gala. É no The Den. Um clube fechado de lutadores. O promotor do The Cage quer conhecer a "mulher que domou Ares".

Senti um calafrio. O submundo. O lugar onde Julian não era o CEO, mas o carrasco.

— Você quer me levar para o covil dos lobos? — sussurrei. — Se alguém me reconhecer lá... se virem a fotógrafa que estava escondida nas sombras...

— É por isso que você vai usar isso. — Ele caminhou até a mesa e pegou uma caixa pequena. Dentro, havia uma máscara de renda preta, delicada e cara. — Lá, ninguém usa nomes reais. Você será apenas a "Consorte de Ares". É o teste final, Bianca. Se os lutadores acreditarem em nós, o submundo fica em silêncio. Se eles duvidarem...

— O quê?

— Eles vão tentar tirar você de mim para ver como eu reajo. — Julian tocou meu rosto, seus dedos ásperos contra minha pele macia. — E você não quer ver como Ares reage quando tentam roubar o que é dele.

Ele se afastou, deixando a máscara na minha mão. Eu olhei para o objeto negro e depois para Julian. Ele estava voltando para o escritório, as costas largas e tensas.

— Julian? — chamei.

Ele parou, mas não se virou.

— Aquele beijo na varanda... — comecei, hesitante. — Se não houvesse nenhum fotógrafo lá. Se estivéssemos sozinhos. Você ainda teria feito aquilo?

Houve um silêncio eterno. Eu podia ouvir o tique-taque do relógio de parede de dez mil dólares. Julian finalmente virou o rosto apenas o suficiente para que eu visse o perfil de seu maxilar rígido.

— Se estivéssemos sozinhos, Bianca... aquele beijo teria sido apenas o começo. E você não teria saído daquela varanda usando aquele vestido.

Ele entrou no escritório e fechou a porta, deixando-me parada no meio da sala, com as pernas trêmulas e o coração disparado. Eu deveria estar horrorizada. Deveria estar planejando minha fuga.

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