A prisão era um inferno de concreto e gritos.
Eu já estava lá há dois meses, mas ainda não me acostumara com o barulho. As detentas gritavam umas com as outras o tempo todo: por causa de comida, por causa de território, por causa de nada.
O cheiro de desinfetante se misturava com suor e desespero, e as luzes fluorescentes nunca se apagavam completamente, mesmo durante a noite.
Eu não pertencia àquele lugar. Não pertencia a lugar nenhum, na verdade. Meu corpo ainda carregava as marcas do atropel