Mundo ficciónIniciar sesiónA palestra terminou com o som abafado de cadeiras arrastando, mas eu mal conseguia ouvir além do sangue pulsando em meus ouvidos. Enquanto os estudantes se aglomeravam na saída do auditório, meus olhos permaneciam fixos na nuca de Dorian, que estava apagando uma citação de Byron no quadro branco. A tensão no ar era quase física, um fio esticado prestes a se romper.
— Lara... — Sua voz cortou o burburinho restante. — Um momento, por favor.
Meu coração acelerou. Ele não me olhava, concentrado em limpar o quadro, mas eu sentia a energia entre nós como uma corrente elétrica. Fingi organizar meus cadernos, esperando que os últimos alunos saíssem.
Quando a porta do auditório se fechou, ele finalmente se virou. Seus olhos estavam escuros, com olheiras profundas, como se não dormisse há noites.
— Seu ensaio sobre a natureza do desejo em Drácula… — Ele começou, pegando meu trabalho sobre a mesa do palestrante. — Foi... Perturbadoramente perspicaz.
Aproximei-me dele, sentindo o calor de seu corpo.
— Perturbador como, professor?
Ele estendeu o trabalho para mim, mas quando nossos dedos se tocaram ao passar o papel, um choque percorreu meu braço. O mundo pareceu parar. Meu trabalho caiu no chão com um baque surdo, mas nenhum de nós se moveu para pegá-lo.
Seus olhos estavam presos aos meus, sua respiração acelerada.
— Lara… — Sussurrou, um aviso e uma admissão em uma única palavra.
— Sim, professor? — Minha voz saiu mais suave do que eu pretendia.
Seus dedos ainda estavam sobre os meus, e eu podia sentir o pulso acelerado dele através da pele. O ar entre nós parecia vibrar, carregado de tudo não dito, não feito, não admitido.
— Isto não pode… — Ele começou, mas não terminou. Seus olhos baixaram para meus lábios, e eu soube que ele estava perdido.
Meu próprio corpo reagiu antes que minha mente pudesse processar. Meus dedos se entrelaçaram nos dele, puxando-o para mais perto. Ele não resistiu. Seu outro braço envolveu minha cintura, puxando-me contra ele com uma força que me fez perder o fôlego.
— Você está me enlouquecendo. — Ele rosnou contra meus lábios, seu hálito quente contendo o aroma de café amargo.
— Talvez você já estivesse louco, professor. — Respondi, fechando a distância final.
O beijo que ele me deu não foi gentil. Foi uma colisão de lábios e dentes e desejo reprimido. Suas mãos agarravam meu cabelo, inclinando minha cabeça para trás enquanto sua boca explorava a minha com uma fome que igualava a minha.
Quando nos separamos, ambos estávamos ofegantes. Seus olhos estavam arregalados, como se não pudesse acreditar no que havia acontecido.
— Isto é um erro — ele disse, mas suas mãos ainda estavam em mim, traçando a linha da minha coluna.
— Mas já cometemos. — Sussurrei, puxando-o para outro beijo.
Desta vez foi mais lento, mais profundo. Seus lábios tinham gosto de café e remorso, e eu sabia que cada segundo nos aproximava mais do ponto sem retorno.
Mas eu não me importava. Queria mergulhar de cabeça no abismo com ele.
O som de passos no corredor nos separou bruscamente. Ele recuou atordoado, seus olhos cheios de horror e desejo.
— Você precisa ir. — Disse ele, a voz rouca.
— Sim. — Concordei, mas não me movi.
Nossos olhos permaneceram travados por um momento mais longo, o ar entre nós ainda carregado da verdade do que acabara de acontecer. Então me virei e saí, sentindo seu olhar em minhas costas até que a porta do auditório se fechasse atrás de mim.
No corredor vazio da faculdade, encostei na parede fria, minhas pernas tremendo. Meus lábios ainda formigavam com o gosto dele.
O feitiço estava funcionando. E eu estava mais perto do que nunca de conseguir tudo que queria.
Mas enquanto descia o corredor vazio, um único pensamento ecoou em minha mente: a feiticeira tinha razão. Algumas portas, uma vez abertas, nunca podem ser fechadas novamente.







