LUIZ FERNANDO
Eu esperei o ritmo da respiração dela mudar, pegando no sono
Heloísa sempre fazia isso quando finalmente dormia de verdade, um suspiro mais longo, quase como se o corpo inteiro desistisse de lutar por algumas horas. Só então eu me permiti sair da cama. Fiz isso com o cuidado como se estivesse atravessando um campo minado — um movimento errado poderia acordá-la, e eu sabia que, se ela abrisse os olhos naquela noite, os fantasmas voltariam todos de uma vez e ela merecia um descanso