Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo dia em que nos mudamos para o apartamento novo, minha mãe, Elizabeth Carter, enviou a planta do imóvel ao grupo da família. O apartamento tinha três qauartos, e havia um nome indicado ao lado de cada um deles. O quarto principal ficou para os meus pais, enquanto o segundo foi destinado ao meu irmão, Benjamin Sullivan. Já o quarto mais ensolarado trazia a indicação: "Quarto da Savannah". O pai de Savannah, Liam Keller, morreu afogado anos atrás ao salvar Benjamin, que caiu na água. Depois que ela ficou órfã, meus pais a acolheram e a criaram como se fosse filha deles. Examinei a planta duas vezes, mas não encontrei meu nome em lugar nenhum. Quando perguntei à minha mãe, ela disse: — Você não pretendia se candidatar a uma vaga de mestrado fora da cidade? Quando for aprovada, vai se mudar. Seria um desperdício deixar o quarto vazio. Minha mãe fez uma breve pausa antes de continuar: — O pai de Savannah morreu para salvar Benjamin. Ela não tem mais ninguém neste mundo, então aquele quarto grande precisa ficar com ela. Benjamin já ajudava Savannah a escolher as cortinas. Enquanto isso, Wyatt Whitfield, meu namorado há três anos, levou a estante recém-montada para o quarto de Savannah. Em voz baixa, ele perguntou se ela queria mais uma prateleira para colocar suas miniaturas. Fiquei sentada sobre uma caixa de papelão na sala, observando todos correrem de um lado para o outro. Foi naquele momento que entendi: eles não se esqueceram de mim. No fundo, acreditavam que, para pagar aquela dívida de gratidão, eu naturalmente deveria abrir mão de tudo o que me pertencia. Até Wyatt agora fazia parte do que eles ofereciam a Savannah como compensação. Como não havia lugar para mim naquela casa, decidi abrir mão de tudo e deixar tudo para eles. Assinei o acordo de confidencialidade para trabalhar durante cinco anos em uma base na região Noroeste, sem qualquer possibilidade de voltar para casa durante esse período. Dessa vez, eu iria embora de verdade. E nunca mais voltaria.
Ler maisMinha mãe soube do meu retorno por Savannah.Quando me telefonou, sua voz estava tão rouca que não se parecia em nada com aquela de que eu me lembrava.— Riley, vou buscar você. Onde está? Só me diga onde você está.— Mãe, não precisa vir me buscar — respondi, encostada na janela do quarto do hotel.Do lado de fora, as luzes da cidade se estendiam até onde meus olhos conseguiam alcançar.— Amanhã, vou visitar todos vocês — falei por fim.Depois de desligar, permaneci sentada junto à janela durante toda a noite. Eu não estava triste nem nervosa. Apenas pensava em qual expressão deveria usar ao atravessar aquela porta.No dia seguinte, vesti um sobretudo azul. Comprei-o na única lojinha perto da base e, afinal, azul sempre foi minha cor favorita.Quando cheguei ao apartamento, a porta da frente já estava aberta.Minha mãe permanecia parada na entrada. Ela perdeu pelo menos nove quilos, e mais da metade de seus cabelos já estava grisalha.Um avental estava amarrado em sua cintura, e suas
No quinto ano, o projeto da Base do Noroeste passou pela avaliação final e foi oficialmente aprovado um ano e meio antes do prazo.Fiquei parada diante do portão da base, carregando a mesma mochila com que cheguei.Cinco anos antes, trouxe apenas uma muda de roupa e meu documento de identidade. Agora, junto desses itens, havia um notebook e três certificados de premiação.Eric parou o carro ao meu lado e abaixou o vidro.— Já pensou bem? Não vai renovar o contrato?— Já. Chegou a hora de voltar e vê-los.— Então vou levar você ao aeroporto.Viajamos durante duas horas por uma estrada no deserto, cercada por extensões intermináveis de terra árida e montanhas distantes.Eric falou sem parar durante todo o caminho. Disse que a senhora do refeitório sentiria minha falta e que, de jeito nenhum, eu deveria deixar nosso colega Patrick Granger regar o cacto que ficava no laboratório. Também perguntou quem seria responsável pela manutenção do algoritmo central depois que eu partisse.Perto do f
Para minha família, os dias sem mim eram como uma lâmina cega que cortava um pouco mais fundo a cada vez que passava.Durante o primeiro mês, minha mãe continuou ligando para todos os lugares possíveis, tentando me encontrar.No terceiro mês, parou de fazer isso, mas apenas porque não havia nenhum meio pelo qual alguém pudesse entrar em contato com a base.No sexto mês, começou a sofrer de insônia.O médico explicou que se tratava de uma insônia de origem psicológica, provocada pela ansiedade, e receitou comprimidos para dormir.Todas as noites, minha mãe tomava um deles e se deitava, encarando o teto. Às vezes, sentava-se de repente, caminhava até o depósito e permanecia parada diante da porta durante algum tempo.A porta ficava sempre aberta, pois ela não permitia que ninguém a fechasse. Era como se, enquanto permanecesse aberta, eu pudesse voltar a qualquer momento.Meu pai envelheceu muito. Mais da metade de seus cabelos ficou grisalha, e suas costas começaram a se curvar.Ele nunc
No dia em que cheguei à Base do Noroeste, o vento carregado de areia soprava com tanta força que eu mal conseguia manter os olhos abertos.Um colega mais experiente da equipe de pesquisa, Eric Stark, foi me buscar. Ele usava óculos de armação preta, que o vento deixou tortos em seu rosto.— Você deve ser Riley Sullivan. O Sr. Atwood fala de você o tempo todo. Ele diz que sua habilidade com modelagem de dados é a melhor que já viu em uma aluna.— Ele está exagerando. — Desci do veículo com a mochila nas costas, sentindo os grãos de areia arderem contra meu rosto.— As condições aqui não são das melhores. É bom se preparar — avisou Eric.— Vou ficar bem.Olhei para o conjunto de prédios baixos e cinzentos ao longe, depois para o horizonte, onde o vento parecia nunca parar de soprar.A base era muito maior do que o depósito. Além disso, ali havia janelas e o céu se estendia acima de mim.Só isso já era mais do que suficiente.Precisei entregar meu celular no balcão de registro. Antes de d
Último capítulo