Meus dedos ainda tremiam quando terminei de assinar o acordo, mas ninguém na sala percebeu.
Meu namorado, Wyatt Whitfield, saiu do quarto de Savannah Keller com uma fina camada de suor brilhando na testa. Pegou a garrafa de água sobre a mesa de centro e tomou vários goles apressados.
— Wyatt — chamei por ele. — Você passou a tarde inteira nisso. Por que não descansa um pouco?
Ele limpou a boca com as costas da mão, enquanto seu olhar já se voltava para o quarto de Savannah.
— Daqui a pouco — respondeu. — O varão da cortina ficou meio torto. Quero consertar.
Wyatt largou a garrafa sobre a mesa, distraído, e voltou para o quarto. Ao passar por mim, nem sequer olhou em minha direção.
Durante os três anos em que namoramos, ele nunca se esforçou daquela maneira por mim. No dia em que me mudei para o dormitório da faculdade, carreguei sozinha cinco caixas de papelão por seis lances de escada.
Na ocasião, Wyatt disse que havia surgido um imprevisto de última hora. Mais tarde, porém, vi no Instagram de Savannah que ele a levou a um parque de diversões naquele mesmo dia.
Minha mãe, Elizabeth Carter, apareceu à porta da cozinha, ainda com o avental desamarrado.
— Riley Sullivan, vai ficar aí sentada sem fazer nada? Vá ajudar Savannah a trocar a roupa de cama. O jogo novo está na sacola perto da porta.
Olhei para o canto do corredor, onde algumas caixas com minhas coisas estavam empilhadas de qualquer jeito, ocupando metade da passagem. Ninguém se ofereceu para me ajudar a movê-las, muito menos perguntou onde deveriam ser colocadas.
— Mãe, em qual quarto eu coloco minhas coisas? — perguntei.
Ela apontou com o queixo para uma porta estreita ao lado da varanda.
— Esvazie o depósito e dê um jeito de se acomodar lá por enquanto. Não é como se você nunca tivesse ficado ali. Você dormiu lá por um tempo quando era pequena, lembra?
Ela falava da época em que Savannah foi morar conosco.
Naquele ano, meu irmão, Benjamin Sullivan, brincava perto do rio quando escorregou e caiu na água. O Sr. Liam Keller, pai de Savannah, passava por ali e imediatamente pulou no rio. Ele conseguiu colocar Benjamin em segurança na margem, mas logo foi arrastado pela correnteza.
Minha mãe foi quem chamou o Sr. Keller até o rio para ajudar a tomar conta de nós. Desde então, nunca conseguiu superar o que aconteceu.
Por isso, no dia em que Savannah foi levada para nossa casa, minha mãe a abraçou e chorou a tarde inteira.
— De agora em diante, esta é a sua casa. Ninguém nunca vai machucar você aqui — prometeu.
Depois, ela se virou para mim e acrescentou:
— Savannah acabou de perder o pai. Deixe que ela fique com seu quarto e se acomode em outro canto por alguns dias.
Aqueles "poucos dias" se transformaram em um ano inteiro.
E agora tudo se repetia.
Levei meu travesseiro e o cobertor fino para o depósito.
O cômodo não chegava a quatro metros quadrados. Além de estar entulhado de esfregões, baldes e todo tipo de tralha, o forte cheiro de mofo me atingiu assim que entrei.
Não havia nenhuma janela, apenas uma lâmpada nua, com o filamento exposto, que zumbia sobre minha cabeça. Meu suposto colchão era um tapete de ioga estendido sobre o chão de concreto.
Naquela noite, minha mãe pediu uma fartura de comida para comemorar a mudança.
A mesa de centro ficou coberta de frutos do mar cozidos, frango frito e cheesecake de manga. Todos os pratos, sem exceção, eram os favoritos de Savannah.
Benjamin encheu o prato dela com asas de frango, enquanto Wyatt descascava camarões para ela.
Comi em silêncio apenas a salada de batata que estava no meu prato. Ninguém percebeu que não toquei em nenhum dos outros pratos.
Quando terminei, levantei-me e fui para a cozinha. Peguei um pacote de macarrão instantâneo no armário, coloquei água em uma panela pequena e a levei ao fogo.
A voz da minha mãe veio logo atrás de mim:
— O que você está fazendo? Todo mundo está comendo, e você veio se esconder na cozinha?
— Só vou preparar um pouco de macarrão.
— A mesa está cheia de comida, mas mesmo assim você prefere cozinhar outra coisa? O que Savannah vai pensar? Ela vai achar que a culpa é dela!
Desliguei o fogo e joguei o macarrão no lixo.
Na sala, Savannah olhou em minha direção com uma expressão inquieta.
— Riley, você não gostou de nada? Da próxima vez, vou pedir para a Sra. Sullivan encomendar as comidas de que você gosta.
Benjamin fez um gesto impaciente com a mão.
— Ela arruma confusão por qualquer coisa. É só ignorar.
Wyatt apenas sorriu e voltou a descascar os camarões para Savannah.
Não havia maldade naquele sorriso, mas ainda assim ele doeu mais do que qualquer acusação. Afinal, Wyatt não me ignorava de propósito. Ele realmente achava que aquilo não tinha nada a ver com ele.
Voltei para o depósito e fechei a porta.
Eu continuava com fome, mas já não havia nada para comer.
Deitei-me sobre o tapete de ioga. A tela do meu celular ainda exibia o acordo de confidencialidade assinado.
Estava tudo registrado, preto no branco: cinco anos de serviço e a proibição de deixar o posto sem autorização.
Meu orientador, Gideon Atwood, me recomendou pessoalmente para aquela vaga. Segundo ele, levando em conta minha tese e minha habilidade com análise de dados, eu era a única pessoa de todo o grupo de pesquisa qualificada para o cargo.
Mesmo assim, não contei nada a ninguém. Afinal, para quê?
Naquela casa, meu curso, minhas notas e todo o esforço que eu fazia nunca eram importantes o bastante para merecer uma única palavra.
Eu deveria me apresentar no dia 15 de agosto.
Faltavam 23 dias.
Dali a 23 dias, eu desapareceria de vez daquela casa.
E provavelmente levaria muito tempo até que algum deles percebesse que eu não estava mais ali.