Lar, novo lar.

Uma viagem curta para uma casa grande e muito esplendorosa espera por Sofia. Após alguns dias convalescendo de um grave acidente naquele pequeno hospital, Sofia descansou seu corpo e sua mente do que lhe havia passado alguns dias atrás. Mas não descansou por completo, pois os sonhos que lhe atormentam ainda o perseguem, e ela não sabe por quê, não entende por que tem esses sonhos de perseguição, e são como se estivessem acontecendo realmente; ela sente o desespero e a perseguição, teme ser encontrada por Franco! O carro em que Sofia viaja para em frente a uma casa imensa. Ela observa pela janela do carro e os seus olhos arregalados observam aquela entrada imponente, passando por um grande portão. Ela pensa que os seus olhos a podem estar enganando.

— Senhor Ruy, essa é a sua casa?

Ele, sorrindo, segura a mão dela e responde com um grande sorriso em seu rosto jovem e sereno.

— Sim, Sofia, essa é a minha casa. Como imaginava que fosse?

Ela responde que pensava ser grande, mas jamais uma mansão. Então ele sorri e diz que esta casa agora será o seu lar, mas ela, por dentro, sabe que não passará de um local mais de trabalho e, sim, residirá ali, mas em qualidade de uma funcionária. De repente, em meio aos seus devaneios, ela nota uma figura sorridente parada na porta de entrada da casa. É aquele jovem rapaz que ocupa os seus pensamentos e também os seus sonhos, e ela não sabe, não entende por quê!

— Esse rapaz é o seu filho? Ele salvou a minha vida e... não sei dizer, mas sinto como se o conhecesse de toda a minha vida!

Ruy sabia que ela sentia o mesmo que o menino e o mesmo que ele.

— Ele é o meu filho, meu único filho! Sabe? Ele gosta muito de você!

Sofia escuta as palavras dele, mas não entende como isso pôde ter acontecido, já que ele apenas a conhece.

— Não sei de onde veio esse sentimento, mas aceito de bom grado e cuidarei dele, mas onde está a sua esposa?

 Ela questiona e Ruy, ainda segurando a mão dela, responde com olhar profundo e triste.

— A mãe dele faleceu quando ele ainda era um bebê. Apenas a conhece por fotos!

O sorriso terno de Sofia desaparece em meio àquela nefasta notícia, pois ela não acha justo que um ser tão pequeno tenha perdido a sua mãe, mas ainda estranha o porquê de ele a olhar com tanto amor e resolve perguntar a Ruy, mas o carro para em frente às escadarias de entrada da casa, a deixando em frente ao seu destino, o seu destino de dar amor àquele menino que lhe implora com olhos marejados para que ela o cuide e, quem sabe, lhe dê o amor que ele não teve. Sofia desce do carro e sobe vagarosamente as escadas da casa, aproximando-se daquele jovem sorridente e emocionado.

— Sofia, que bom que você chegou!

O rapaz corre para abraçá-la, como se ela fosse a única coisa de que ele precisasse na vida. Sofia sente o abraço e é como se já o tivesse feito antes.

— Joseph, este é o seu nome, não é?

Ela pergunta, abraçada ao garoto, que confirma balançando a cabeça e sussurrando que sim.

— Pode me chamar de Jô, se quiser. Estou feliz que esteja aqui e que esteja bem! Pedi ao meu pai que não a deixasse ir. Precisamos de você, eu preciso de você!

Aquelas palavras comovem Sofia, acertando em cheio o seu coração. Ela o abraça e é como se ele a completasse, mas ainda não entende o que acontece ali e decide não perguntar. Ela o solta e olha para Ruy, pergunta qual será a sua obrigação ali, já que ela não sabe nada de serviços de casa, muito menos de uma casa tão grande, e Ruy pede para ela acompanhá-lo ao seu escritório, pois pretende conversar sobre isso a sós. Ela olha para o menino e lhe dá um beijo na bochecha, entrando com dificuldades na casa e ali vendo alguns dos muitos funcionários que ali trabalham. Sofia vê uma senhora que lhe sorri, mas algumas das funcionárias ali mal lhe olham e fazem caretas de desgosto para ela. Seu sentimento é de que viverá aquele momento antes.

— Vem, entra, Sofia, vamos conversar aqui, pode ser?

Ela concorda com a cabeça, acenando que sim para ele, e entra. Em seguida, ele passa pela porta.

— Bom, Sofia, vamos falar do seu trabalho aqui na casa, pode ser?

Sofia senta-se em frente a ele, quando Ruy lhe indica uma poltrona para que ela se sente. Ela aguarda apreensiva a proposta dele, não espera pelo que está por vir.

— Como sabe, o meu filho não teve sua mãe e precisa de alguém que lhe cuide. Apesar de adolescente, ele vê em você uma protetora dele, e quero que seja. Será como uma babá para ele!

Ela não entende a proposta, pois ele havia dito que precisava de alguém que cuidasse de sua casa e de sua família. Mas ser a cuidadora de seu filho, ela acha um pouco estranho.

— Na verdade, não posso mentir. Acho sim estranho que me peça isso. Poderia trabalhar em algum lugar e ser uma amiga para ele, não acha que seria o melhor?

Ruy a observa e pensa em como ela pode ser tão parecida com a sua esposa falecida; até mesmo a sua voz é mais do que familiar. Então ele pensa, observando-a:

"É como se ela tivesse reencarnado nessa jovem mulher; não sei mais o que pensar!" Ela é a minha Sara!"

Sofia percebe o olhar pensativo dele, que entrega mais que um segredo, mas ela não imagina qual seria este segredo que ele esconde, mas que precisa revelar.

— Senhor Ruy, eu sou enfermeira e não babá! Não sei como cuidar e criar uma criança, quanto mais um jovem adolescente! Acho que deveria pensar em alguém mais experiente que eu!

Ele sabe bem que não pode, ele sabe que não existe ninguém melhor que ela para este cargo, mas como fazê-la entender? Não pode contar que a quer ali para cuidar de seu filho, porque se parece com a sua falecida esposa, e também não pode contar que o seu filho também a quer ali por pensar que ela pode ser a sua mãe.

— Sofia, não posso te obrigar a nada, mas te pagarei um bom salário e não precisará mais fugir de Franco! Franco Vitalle, certo? Este é o monstro que te persegue por todos os lados.

A resposta surpreendente de Ruy a pega de surpresa; ela jamais imaginava que ele fosse investigar o seu passado.

— Senhor Ruy, como sabe de Franco? O que sabe sobre essa perseguição?

Ele pensa em como responder, não a quer ofender e pede para que ela lhe conte o que aconteceu no hospital em que trabalhava e por que fugiu de lá, até sofrer o acidente que quase a matou.

— Sei que algo grave passou, mas, se não quiser contar, entenderei, afinal é a sua vida privada. Mas, se não me contar, talvez viva sempre na dúvida de quem estou colocando em minha casa.

Sofia olha para as suas mãos repousadas em seu colo e o seu olhar perdido. Após pensar tanto, decide por fim contar o que lhe aconteceu antes do acidente.

— Senhor, sabe? Franco era o meu chefe, deu-me emprego, ajudou-me nos estudos e, por ele, formei-me enfermeira, mas ele não era o que pensava e descobri da pior maneira!

Ela afirma, cabisbaixa e triste, continua contando, e Ruy a ouve atentamente.

— Trabalhava há dias, exausta e sem ânimo. Ele me prometeu férias e pediu que cobrisse uma enfermeira que faltou na ala pediátrica; foi lá que tudo aconteceu.

Ruy ouve atento as palavras dela, que segue contando:

— Desconfiei da enfermeira-chefe da área e de sua assistente mal-encarada. Esperei que saíssem de repouso e entrei na sala dela; havia vários papéis de óbitos de crianças vivas e saudáveis!

Ruy não altera a face enquanto a ouve. Ele mantém a serenidade e apenas ouve a história, recostado em sua grande e confortável cadeira de couro.

— O que você fez?

Ele pergunta e ela balança a cabeça, afirmando que sim, e sua expressão é de medo, e ele percebe.

— Sofia, não tema! Eu poderei ajudar você se me contar! Dá-se conta de que, se eu quisesse, poderia tê-la entregue às autoridades? Pois este senhor Franco está procurando-a; eu salvei você!

Ela agora entende o porquê de ele tê-la registrado com o seu sobrenome e dito que ela era sua esposa no hospital. Ele soube de Franco e que a buscava.

— Então, foi por isso que me registrou como sua esposa, não é isso?

Ele responde que sim, mas sabe que fez mais pelo seu filho, pois ele disse que precisava dela antes mesmo de seu pai a conhecer ali, naquele leito de hospital.

— Sim, foi por isso, mas agora me diga, o que mais encontrou contra esse homem? Como sucederam as coisas?

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