Mundo de ficçãoIniciar sessãoLuara Arantes apesar das dificuldades da vida, nunca deixou que as dificuldades tirarem o sorriso do seu rosto, nem mesmo o preconceito estúpido que sua família alimentava durante anos, fez ela mudar sua essência de fazer o bem. O amor familiar é realmente forte como dizem? Para ela existiam muitas incertezas quando o assunto envolvia sua família. Ela não sabia como contar sobre o pequeno Lucas a família, durante cinco anos guardou esse segredo, por medo da reação deles. Ele era seu filho adotivo, graças a ele, diariamente tinha forças de encarar a vida com leveza. O destino entrelaçou sua vida bagunçada ao de Josué Monteiro, um homem capaz de tudo para chegar no seu objetivo. O que os dois têm em comum? Talvez muito mais do que pensaram ter!
Ler mais“O indivíduo infiel é tão perigoso quanto o mentiroso. Ambos são fracos, ingratos e constroem castelos sem fundações.”
Ela encarou o espelho de sua penteadeira naquela manhã, enquanto tinha uma caixa de veludo, daquelas que se guardava joias, a sua frente. Hanna Scrudell, não era uma mulher do tipo extremante vaidosa cuja vida e sentido giravam entorno apenas das ‘nuances’ da beleza, do caro, do ser, e do possuir, muito embora ela tivesse e pudesse ostentar uma vida assim, ou um closet de roupas caras, sapatos, bolsas e acessórios. Ela poderia se dar ao luxo de ser uma mulher mimada que vivia em clínicas e salões como uma boa socialite de capa de revistas. No entanto, ela não era assim. Era uma mulher muito simplista em seu dia-a-dia e apoiava-se em outras causas para satisfazer-se. Era também inegável seu bom gosto e sua delicadeza, bem como uma feminilidade e presença marcante onde quer que estivesse, e ela sempre estava em vários lugares, porque sua vida exigia isso. Sua imagem era sempre bem cuidada e zelada, porque do lado de fora, ela não representava apenas a si mesma, Hanna Scrudell não era apenas uma simples mulher, ela era também um sobrenome, uma herança e tantas outras coisas a mais.
Por um instante apenas, encarando-se, ela suspirou pesadamente, parando assim o gesto de colocar os brincos que escutava antes. Muita coisa atormentava naquele momento os seus pensamentos. A mente inquieta apenas pensava, e pensava, e justamente por isso ela levantou a mão esquerda, que carregava a sua aliança de casamento, e juntinho dela o anel de noivado que ela sempre carregava com todo orgulho, porque estes representavam algo importante e especial para si. Levou a mão ao peito apertando a camisa de seda à altura do coração, da qual acabou por amassar sem intensão. Talvez sua angústia era bastante notória. Antes de poder levantar dali e trocar a camisa agora amassada e desleixada, seus olhos, que tinha uma coloração de um incrível azul-violeta, encontrou-se com o par de olhos azuis-claros do marido através do reflexo do seu espelho. Ele havia banhado e se vestido, e ela mal percebera o barulho da presença dele ali. Travada em seu assento, o observou sorrir vindo em sua direção. Carinhosamente o homem curvou-se beijando o topo da sua cabeça e tal ato a forçou a sorrir.
Sim, forçou... Pareciam um casal tão bonito, tão… perfeitos.
— Me ajuda? Sabe como sou péssimo com essas coisas! – pediu ele, ficando completamente ereto em sua postura e mostrando a sua esposa às duas opções de gravatas que escolhera. Obviamente, ele confiava no bom gosto de Hanna, bem como o bom trato que ela sempre tinha de deixar a gravata tão perfeita em seu nó. Pondo em pontos mais óbvios, ele era tão mal-acostumado com todo cuidado dela sobre tudo na vida deles, principalmente sobre ele.
Ela levantou-se. Não era nem próxima à altura do marido, um homem loiro de um metro e oitenta, o qual o porte físico poderia ser taxado como bastante atraente. No auge dos seus um metro e sessenta, Hanna contava com o salto doze para equilibrar as coisas. Os olhos violeta encararam às duas gravatas por alguns instantes e não demorou por decidir pela de seda azul-marinho com listras e texturas em um degrade interessante. Tomando-a da mão do marido, levantou o colarinho e segurou a peça a envolvendo no pescoço masculino. Com seu jeitinho, ela começou a fazer o nó percebendo que os olhos dele não saiam de si um instante sequer, sentiu um pouco o rosto corar e era impressionante como mesmo depois de quase dez anos juntos ele ainda tinha aquele efeito nela, e mais impressionante ainda, era como, enquanto a intensidade do olhar dele a fazia se sentir tão amada e desejada, em simultâneo, as ações dele os empurrava em direção a um penhasco. Ela estava tão confusa.
— 'Tá pensando no que, Hanna? – perguntou quebrando o silêncio enquanto se deliciava alguns instantes com o aroma do perfume dela que exalava-se na pele. Estava focado em parte dos ombros e colo tão claros e delineados que ela possuía, ainda mais ajustado ao caimento da blusa escolhida por ela. Hanna era sempre tão impecável e perfeita.
— Em nada! – ela virou o nó e o encarou sorrindo sutilmente – bom, nada importante. – As mãos delicadas deslizaram sobre o largo ombro quando ela ajeitou tudo.
Ele colocou a ponta do indicador na testa de Hanna, pressionando, e falou:
— Se ficar fazendo isso tão tensa, vai surgir uma ruga bem aqui – sorriu genuinamente, e ela assumia, ele tinha um sorriso muito bonito em suas expressões calorosas, do tipo que deslumbrava qualquer garota, principalmente ela que talvez tenha se apaixonado pelo sorriso dele antes mesmo dele em si. Seu marido era um homem bastante bonito e charmoso, sempre fora, desde do dia que ela colocou os olhos pela primeira vez nele.
— Me amaria ainda com elas? — perguntou de repente, com intensidade, ela agarrou seu blazer do terno de ambos os lados e levantou a cabeça o encarando. O coração dele acelerou.
— Que pergunta boba! Eu amo você de qualquer maneira! Pode estar toda... Descabelada, de touquinha… velhinha… Não importa...
O coração dela sentiu uma pontada mais forte, mas não era tão bom quanto ela desejava que fosse. Ainda assim, inclinou-se e o beijou nos lábios. Separou e ajeitou o colarinho no lugar já com a gravata.
Impecável...
— Parece mesmo um homem importante. – disse, e ele sorriu virando-se para o espelho. Ela então se perguntou quando ele se tornou tão vaidoso ou egocêntrico?
— Sou um homem importante! – disse sem dá muita importância, como se fosse apenas mais uma das conversas triviais que tinham. – Sou o diretor-executivo do Grupo Botanic, que... olha só, foi fundado por mim. – Sorriu.
Como ela poderia esquecer de tal?
Mal sabia ele, que seu tão orgulhoso patrimônio tinha o dedo de seu pai, Hector Sanches, da qual ele tanto detestava, mas um homem muito influente que tinha importantes contatos e fez os investimentos necessários acontecerem. Para Hanna, foi um pouco de quebra do seu orgulho pedir algo para o pai, não que tivessem uma relação ruim, mas o problema era o seu pai em si, que era o tipo de homem que não fazia favores e sim negócios, e o negócio era que ele detestava o genro, sim... O “carinho” entre ambos era mutuo. Hector nunca o achou bom o bastante para sua filha. Para sorte de Hanna, Nicolas, seu marido, nunca soube da influência do seu pai em seus negócios e para ela, aquele segredo iria para tumulo.
— Um respeitável diretor, eu presumo... – ela sussurrou, havia uma pitada um tanto ácida no seu tom, mas ele estava concentrado demais fechando os botões do paletó para se dar conta.
Ele virou-se pegando sua bolsa e segurou a cabeça dela em seguida depositando um beijo ali, no topo.
— Quer carona?
Ela piscou algumas vezes rapidamente, como quem acorda de um longo devaneio e disse:
— Oh não! Eu ainda preciso terminar de me arrumar. Vou com meu carro, não se preocupe comigo.
— Sempre me preocupo, Hanna Scrudell!
“Não tanto quanto deveria” ela pensou, mas não o falou, em vez disso sorriu num tom de suavidade, ele enlaçou a cintura dela e colou os corpos beijando um pouco mais demoradamente a boca feminina enquanto sentia a suavidade e maciez que somente os lábios dela tinham. Sim! Ninguém mais tinha aquele toque aveludado que pareciam tão perfeitos não importasse a ocasião. Ele estremeceu diante do comparativo, era estupido, afinal Hanna era sua mulher. Sua linda, bem-educada, bem nascida, bela e incrivelmente perfeita esposa. Sua… Para todo sempre.
Ele soltou-a do enlaço e virou-se de modo a ir, enquanto ela mordeu sutilmente o lábio e chamou a atenção do marido novamente:
— Eu pedi ontem para a Alana preparar um assado especial, seu favorito.
Ele esboçou um sorriso.
— Humm, parece bom!
— Sim… Os Uckermann mandaram um vinho, um Château Pichon Baron. Susan trouxe da última viagem que realizaram para França.
— Ótimo! — ele ainda a olhava com aquele mesmo brilho no fundo dos olhos azuis, por um instante pareceu-lhe até perverso, talvez fosse apenas a culpa ou qualquer coisa do tipo. — Não irei me atrasar!
— Agradeço! — disse ela o vendo sair da suíte do casal.
Hanna caminhou de volta para o seu closet tirando seu blazer e desabotoando a camisa social rosa ‘vintage’ que usava, passando os cabides a sua frente, escolheu outra na cor pêssego e a vestiu, lisa e impecável. Ela tornou a colocar seu blazer e voltou à frente da penteadeira, colocou os brincos e uma pulseira. Ainda se encarando, ela abriu a gaveta do móvel e tirou dessa um ‘ticket’ de pagamento. Algo bobo e sem valor, um papel velho amarelado e amassado que por mero acaso ela achou, isso porque não era ela que lidava com roupas sujas, não tinha tanto tempo para ser a boa e dedicada dona de casa, e talvez por isso, pela falta de tempo, eles haviam entrado num acordo de que não teriam filhos ainda, bom, isso foi nos cinco primeiros anos de casamento e depois vieram as desculpas, oras dela, oras dele, e ali arrastaram-se mais cinco anos e agora ela já não tinha mais tanta certeza assim que fora uma má ideia a decisão embora nos quase dois últimos anos eles vinham discutindo bastante a possibilidade de finalmente terem a tão sonhada criança deles uma vez a senhora Scrudell visitava sua médica com frequência iniciando suas vitaminas e o necessário para se preparar para uma possível gravidez.
As mãos ainda trêmulas da mulher de cabelos negros, seguraram mais próximo dos olhos o papel lendo-o novamente: um recibo de pagamento de um motel. Talvez fosse o destino a mostrando algo. Quando ela achou aquele papelzinho pequeno caído no chão do closet dele ao recolher as roupas ali quase embaixo do móvel, de que não estava tão louca quanto achava estar, que os atrasos que vinham acontecendo cada vez mais frequente estavam interligados a isso, que o comportamento às vezes evasivo ou até mesmo frio do marido tinha ligação…
A destra passou pelos cabelos em um ato de frustração. Se perguntava se aquilo era possível? Talvez, só talvez fosse apenas uma infeliz combinação de coisas. Recusava-se a acreditar que o homem da qual ela colocou, não apenas seu amor, mais sua dedicação, compreensão, apoio e a sua vida, não passava de um traidorzinho barato.
Ela precisava realmente de ar. Pegando sua bolsa e as suas chaves, assim que saiu da suíte deu de cara com Nataly, a sua empregada e responsável pela limpeza e roupas.
— Bom dia! Senhora Scrudell.
— Bom dia! Nataly. — Cumprimentou com sua habitual educação e humor, não descontava, em momento algum, suas frustrações sobre qualquer uma das suas funcionárias. No entanto, tinha de admitir ser no mínimo humilhante a situação que se encontrava agora, visto que achou o tal ‘ticket’ ela praticamente pediu que a mulher separasse qualquer achado nas roupas do marido e a entregasse longe da presença dele.
Hanna saiu de sua casa naquela manhã com o coração um pouquinho mais apertado e angustiado, sentindo que aquilo estava acabando com ela, havia perdido mais um quilo e isso era péssimo! Onde estava toda sua autoconfiança agora? Ela sinceramente buscava, porque nada doía mais que a incerteza e a insegurança. A dúvida machucava de forma tão cruel…
Ela só colocou alguma música em seu carro e dirigiu mantendo — ou tentando — a atenção no trânsito até a Universidade federal de Estermond, onde lecionava história da arte e era uma das mais influentes e requisitada especialista em restauração de obras dentro daquele instituto.
Foram quatro meses planejando o casamento para que nada saísse fora do lugar. Foi tempo suficiente para recuperação do meu pai, claro que seria ele que estaria do meu lado até o altar. Era domingo finalzinho de tarde enquanto finalizava os últimos retoques no meu vestido de noiva. De frente para o espelho não me reconhecia, nunca pensei que casaria um dia. Tentei não chorar de emoção pra não borrar toda a maquiagem. Meu noivo naquela hora já estava na igreja me aguardando com os convidados.— Você está muito linda! — Isabela disse, dando-me um abraço breve. — Não acredito que vou ver você casada.Minha irmãzinha e eu tínhamos nossos conflitos ainda, mas coisas bobas de irmãs. Ela finalmente
Luara ArantesEu sabia que tinha algo de muito errado quando Josué chegou em casa, mas esperei que minha família fosse embora para poder conversar com ele. Naquele instante não sabia ainda o que havia acontecido. Depois de bater algumas vezes na porta do nosso quarto ele resolveu abri-la. Vê-lo como vi doeu muito. Não era momento para perguntas, pelo menos, sentia que não. Abracei-o com amor e tudo que ele fez foi chorar. Algo grave tinha ocorrido, ele não era nenhum chorão, conseguia sentir toda sua dor.— Sinto muito, Lua. Minha mãe nos traiu, mentiu pra nós dois. Ela seguiu com o processo. Agora não sei mais de nada, qualquer palavra dela não temos como saber se é verdade. Meu pai não aguentou, contou tudo, eles estão se divorciando!
Josué MonteiroLuara e a família pareciam estar se entendendo bem, apenas fiquei como um observador enquanto a conversa fluía naturalmente. Isabela gostou do porco e junto com o Lucas ficaram alisando aquele monte de banha. O bolinha era pior que qualquer animal normal, ́ sério, mas não tinha escolha de expulsá-lo. Precisava me acostumar a ele como membro da família. Quando a campainha tocou, imaginei que fosse alguém conhecido porque não fui avisado pelo interfone de uma visita, porém, fiquei preocupado porque não esperava mais visitas das quais já tinha. Disposto a dispensar quem fosse caminhei até a porta e abri.O par de olhos tristes vieram de encontro aos meus.— Josué, precisamos conversar. — diret
Luara ArantesBolinha o porco era como se fosse um cachorrinho, no entanto, em tamanho maior e mais bagunceiro. Dois dias com ele no apartamento e tinha destruído alguns papéis de Josué, nem preciso mencionar o quanto ele ficou chateado com o fato. Meu namorado era maravilhoso e compreensivo, contudo, não era fã do nosso animal de estimação. Eu evitei que o porco virasse churrasco. A ideia de adotar um porco adulto de duzentos quilos foi do Lucas. Acabei cedendo por causa dele que se apaixonou pelo porco. Alexandra ficou muito feliz quando trouxéssemos o bolinha pro nosso apartamento, pois no dela ele fez uma bagunça, principalmente nos seus móveis caríssimos.Infelizmente precisei esconder bem o desenho que ganhei do meu pequeno para que um certo alguém curioso não en





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